Quinta, 25 de janeiro de 2007, 03h00

ASSEMBLÉIA DE DEUS

Evangélico vende diplomas falsos

Andréia Fontes  / Da Redação


Um pastor da igreja Evangélica Assembléia de Deus, Eliezer Martins, foi preso ontem em Cuiabá pelo Grupo de Ação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) acusado de vender diplomas falsos de 1º e 2º graus em vários municípios de Mato Grosso. A prisão preventiva de Eliezer foi decretada na terça-feira pela Justiça de Cláudia (472 km de Cuiabá). Ele foi transferido ainda ontem para o presídio Ferrugem, em Sinop.

Na casa do pastor em Cuiabá, localizada no bairro Campo Velho, foram apreendidos diversos materiais, como avaliações em branco, cerca de 50 cheques preenchidos, requerimentos de matrícula em branco e preenchidos por diversas pessoas com cópias de documentos pessoais, fotos três por quatro, atestados de escolaridade, certificados de conclusão, e o diploma de pastor evangélico que pertence a Eliezer.

O promotor Paulo César Dancieri, de Cláudia, que apura os crimes de falsificação ideológica e estelionato, disse que o pastor já atua há muitos anos no Estado. Segundo ele, existem inquéritos policiais, em vários municípios, que apontam que Eliezer vendia os diplomas falsos. A denúncia do crime em Cláudia chegou ao MP ano passado.

"Recebemos a denúncia de que algumas pessoas teriam comprado diplomas falsos no município. O MP foi checar e não só tinha procedência a denúncia como descobrimos vários outros inquéritos com fatos análogos. Colhemos vários depoimentos e foi mais do que suficiente para provar a necessidade da prisão preventiva deste cidadão que estava enganando muitas pessoas", relata o promotor.

Dancieri destaca que o pastor dava aparência de legalidade ao diploma, mostrando às pessoas, inclusive, um Diário Oficial do Rio de Janeiro com os nomes publicados. O MP não sabe ainda se o DO era falso ou verdadeiro. "Na verdade não sei se tem como alguém ser enganado com esse negócio".

Os diplomas vendidos pelo pastor, por valores que iam de R$ 700 a R$ 800, eram do Colégio Joan Miró, de Niterói (RJ). O mesmo colégio está sendo investigado por fornecer diplomas, também falsos, em São José do Rio Preto (SP). O colégio não possui autorização para realizar ensino à distância em Mato Grosso ou São Paulo.

Além do pastor Eliezer, o promotor pediu o indiciamento de um pastor da Assembléia de Deus da região de Coqueiral, de uma conselheira tutelar de Cláudia, também da igreja, e do proprietário do colégio, Joan Miró. "Vale ressaltar que este esquema não tem nada a ver com a Assembléia de Deus. O fato é que o cidadão preso é pastor ou se faz passar por pastor e usa fiéis da igreja para vender os diplomas", acrescentou o promotor.

Dancieri ainda informou que Eliezer já esteve envolvido em golpes em Terra Nova do Norte, Guarantã do Norte e Sinop, entre outros municípios. Disse que há notícias, não confirmadas, que ele também venderia diplomas falsos em Cuiabá. O promotor informou que o pastor tinha vários endereços pelo Estado, inclusive em Cuiabá e Várzea Grande.

Segundo o promotor, os diplomas falsos já teriam sido usados por pessoas que tentavam progressão em cargos e "agentes políticos".

"Ainda não é possível falar em formação de quadrilha, pois para isso precisa comprovar a participação de pelo menos quatro pessoas. As investigações apontam, certamente, para uma organização", finalizou.



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