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Domingo, 12 de agosto de 2012, 08h15
DIREITO À SAÚDE

Pai luta pela vida do filho internado há quase 1 ano

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Welington Sabino, repórter do GD
Divulgação
Apesar da famílita ter conseguido uma liminar para que Bruno receba atendimento domiciliar, o poder público ainda não cumpriu a ordem judicial

Neste domingo 12 de agosto, Dia dos Pais, o único presente que Amarildo da Silva Ferreira, 38, conhecido como Marcos, gostaria de receber é um tratamento médico digno para o filho Bruno Nunes da Silva Ferreira, 13, já determinado pela Justiça, porém, ainda não cumprido pelo poder público. Morador da cidade de Poconé, o pai juntamente com toda a família sofre há quase 1 ano se revezando em uma cadeira no Pronto-Socorro de Cuiabá para acompanhar o filho portador de uma doença neurológica progressiva, em tratamento na unidade. Isso apesar da família já ter conseguido uma liminar que obriga o Estado a disponibilizar o serviço de home care ao paciente.

Atualmente, Bruno permanece internado em Cuiabá porque necessita de cuidados constantes e depende de vários aparelhos para continuar vivo. Para ele deixar o Pronto-Socorro precisa continuar recebendo todo tratamento em casa, na modalidade home care, o que demanda a mesma estrutura de equipamentos disponíveis no hospital, além de profissionais de saúde especializados em atendimento extra-hospitalar.

O tratamento, já autorizado pela Justiça, além de ser uma alternativa de redução dos elevados custos decorrentes da permanência do paciente em unidade hospitalar, previne o usuário de possíveis riscos infectológicos e contribui para a saúde física e psicológica do paciente. Segundo a médica Márcia Cristina, que acompanha o caso em Cuiabá, Bruno sofre de uma doença neurológica progressiva.

Descoberta da doença

A família que não tem condições financeiras de pagar pelo tratamento, uma vez que já enfrenta dificuldades financeiras até para se locomover de Poconé para Cuiabá, relata que o garoto nasceu saudável, mas começou a apresentar as primeiras crises de epilepsia antes de completar 3 anos. À época, ele já andava, corria e fazia todas as atividades que qualquer outra criança de sua idade faz. De acordo com os familiares, os problemas de saúde surgiram justamente após Bruno receber a vacina contra paralisia infantil.

Desde então, a situação só se agravou desestruturando emocional e financeiramente toda a família que já percorreu diversas unidades de saúde, desde o Hospital Geral de Poconé, até o Hospital Julio Müller, Policlínica do Verdão, Santa Casa e o Pronto-Socorro, todos em Cuiabá. Nessa peregrinação que começou quando Bruno tinha 3 anos e se arrasta há 10 anos, ele já foi submetido a vários procedimentos, inclusive a uma operação traqueal para implantação de um respirador mecânico e teve uma sonda implantada na altura do estômago para que pudesse se alimentar.

A família demorou a descobrir o problema de saúde do filho, uma vez que as crises não tinham explicações e as consultas médicas não chegavam a um diagnóstico. Somente aos 5 anos e meio, após exames específicos, foi confirmado o caso de epilepsia. Dias depois já havia necessidade de os pais darem o alimento na boca da criança. Com o passar dos anos e a permanência em uma cama, um dos pulmões de Bruno ficou debilitado. Em agosto de 2011 o garoto começou a piorar, com problemas respiratórios.

O pai que é pedreiro e a mãe Maria Benedita Nunes do Nascimento, 47, desejam apenas que o filho retorne para sua casa e receba o tratamento de saúde já determinado pela justiça. O casal tem outra filha de 17 anos que também já é mãe de uma menina de 1 ano.

Bruno precisa de um familiar ao seu lado 24 horas. A família reveza entre a irmã, a mãe e o pai. O acompanhante dorme em uma cadeira ao lado da cama de Bruno. Os pais acreditam que se houvesse condições do filho receber o tratamento no Hospital Geral de Poconé, a família teria mais condições para economizar e construir um quarto com todas as exigências sanitárias para receber o filho. “Eu sonho com isso, de cuidar de meu filho em nossa casa, e tenho certeza que ele vai recuperar um dia; não como ele foi, não vai ser como era antes, mas para nós, basta ele estar vivo e demonstrar em seu rosto que vez ou outra entende nossa declaração de amor e nosso carinho”, afirma o pai emocionado.

Decisão judicial

A família recebe acompanhamento gratuito do advogado Pedro Ovelar que afirma ter conseguido uma liminar do Juízo da 4ª Vara de Fazenda Pública de Cuiabá, contra o estado de Mato Grosso ordenando a acomodação do paciente em home care na cidade de Poconé, sendo requerido em Juízo o município de Poconé e o Hospital Geral do município.

Conforme a decisão, tratamento domiciliar deve ser inicialmente realizado no Hospital Geral de Poconé, com cuidados de home care, incluindo assistência médica, de enfermagem, suporte nutricional (inclusive insumos alimentares), fornecimento de medicamentos, cuidados de fisioterapia, além de outros atendimentos a serem indicados por equipe multidisciplinar de saúde, que cuidará do tratamento domiciliar.

O Estado, além de transferir Bruno para o hospital de Poconé também deve adquirir e fornecer os equipamentos e recursos financeiros mensalmente, imprescindíveis à sobrevivência do paciente. Um respirador portátil LTV 1000 ou similar, umidificador de ar e monitor multiparâmetro, além de instalar equipamento de oxigênio com o fornecimento ininterrupto. Deve ainda fornecer os medicamentos de uso controlado Nitrazepan, Ácido Valpróico e Fenobarbital, inclusive dieta enteral.

Prefeito de Poconé, Tico de Arlindo, se comprometeu em colocar à disposição a Secretaria de Ação Social e a Secretaria de Saúde do município para acompanharem o caso de Bruno com a devida atenção.

Ajuda

Marcos coloca seu telefone à disposição para quem puder auxiliar a família no transporte de Poconé a Cuiabá, até que o caso seja solucionado. Ou mesmo na colaboração com material para construção de um cômodo que possa abrigar o filho. Telefone para contato é: (65) 9675-4021.

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