Buscas por corpo de trabalhador soterrado passam de 1 mês
Divulgação/ Corpo de Bombeiros![]() Local onde a terra desmoronou e invadiu o rio em cerca de 50 metros soterrando o trabalhador |
Já passam de um mês as buscas ao corpo do jovem Jhonatas da Silva Santos, 19, desaparecido desde 15 de julho em um desmoronamento de terra na área usada para descarga de materiais do canteiro de obras da Usina Hidrelétrica de Colíder. Desde a retomada dos trabalhos no dia 14 deste mês, autorizado pela Justiça do Trabalho, uma equipe do Corpo de Bombeiros acompanhada de 1 engenheiro e técnicos do trabalho da empresa se empenham para tentar por um fim na angustia da família do trabalhador que acompanha diariamente as buscas pelo corpo do rapaz.
“Devido o longo prazo que já se passou desde o acidente, as chances de encontrá-lo com vida é zero”, diz o tenente do Corpo de Bombeiros de Colíder, Rafael Marcondes Ribeiro que comanda os trabalhos desde o início. Ele explica que a meta da equipe agora é retirar toda terra e areia que desmoronou invadido um trecho de 50 metros do Rio Teles Pires. Para isso, contam com o auxílio de uma draga que retira o material do rio. “Como não sabemos exatamente o local onde ele estava no momento do acidente, será preciso retirar toda a terra que foi revirada e invadiu o rio”, diz Ribeiro
Eles lembra que no início das buscas as equipes percorreram um raio de 60 quilômetros rio abaixo com utilização de cães farejadores treinados e de mergulhadores na esperança de que o trabalhador pudesse ter caído no rio e ter sido arrastado pelas águas. Moradores ribeirinhos também foram alertados para que ficassem atentos e caso avistassem algo semelhante a um corpo que comunicassem os bombeiros, o que não ocorreu. “Nessa fase das buscas, não é possível usar os caminhões que auxiliaram na retirada da terra nos primeiros dias, por isso, os trabalhos são realizados com a ajuda de uma draga”, acrescenta o tenente Rafael Marcondes mencionando que não está descartada a hipótese de que o corpo de trabalhador possa estar na água sob a lama.
Para atender a determinação juiz do Trabalho Ângelo Henrique Peres Cestari que autorizou a retomada das buscas após ouvir em audiência no dia 13 o 1º tenente bombeiro com base nos protocolos de segurança e nas ponderações apresentadas pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), os trabalhos está restritos ao dia. As equipes trabalham durante 4 no período da manhã, fazem um intervalo para almoço e efetuam outras 4 horas de buscas durante a tarde. No período noturno as atividades são suspensas. Na área conhecida como bota fora 01, onde houve o desmoronamento, qualquer outro trabalho que não seja o de buscas pelas equipes de resgate estão proibidos.
O Consórcio J. Malucelli CR Almeida, responsável pelas obras da usina foi acionado na Justiça em uma ação civil pública proposta pela procuradora do Trabalho em Alta Floresta, Mônica Fenalti Delgado Pasetto, após o desmoronamento ocorrido no dia 15 de julho que provocou o tombamento de 3 caminhões e um trator e vitimou Jhonatas. Ele fazia baliza dos caminhões no momento do acidente. Outros 10 empregados estavam no local e conseguiram escapar. Caso a empresa descumpra a decisão concedida em 18 de julho determinando a suspensão das atividades e das normas de saúde e segurança do trabalho poderá acarretar multa de R$ 500 mil, que será revertida ao Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) ou a entidades e projetos apontados pelo MPT. Nova audiência de instrução foi designada para o dia 15 de outubro, às 10h.
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