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16.05.2016 | 11h25

MT não tem '1' UTI para cada 10 mil pessoas

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Mato Grosso não chega a ofertar um leito de Unidade de Tratamento Intensiva (UTI) para cada 10 mil habitantes, segundo estudo inédito do Conselho Federal de Medicina (CFM).

Hoje são ofertados 278 leitos pelo Sistema Único de Saúde (SUS), que representam 0,85% de leito por 10 mil habitantes. A quantidade está inferior ao preconizado pelo Ministério da Saúde que é de 1 a 3 para cada 10 mil habitantes.

Já os hospitais privados de Mato Grosso a oferta é de 390 leitos, o que dá uma faixa de 7,4% de leito por 10 mil habitantes.

O Conselho Federal de Medicina revela que os leitos de Unidades de Terapia Intensiva no Brasil são insuficientes e estão mal distribuídos.

O estudo mostra que as unidades públicas e privadas que atendem as UTI's representam atualmente 9,3% dos leitos de internação existentes no Brasil. Em outras palavras, existe 1,86 leito para cada grupo de 10 mil habitantes.

Proporcionalmente, no entanto, o SUS conta com 0,95 leitos de UTI para cada grupo de 10 mil habitantes, enquanto a rede “não SUS” tem 4,5 leitos para cada 10 mil beneficiários de planos de saúde, quase 5 vezes a oferta da rede pública.

O vice-presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), Mauro Ribeiro, relata que esta situação é desumana e perversa dentro da saúde pública do país. "Todos os dias nós médicos testemunhamos a morte de pessoas que poderiam ser salvas pela disponibilidade de um leito de UTI. Para os governos, quando um paciente morre, trata-se apenas de mais um número. Para a família, no entanto, é uma tragédia”, critica Ribeiro.

Na avaliação dele, essa situação acontece porque somente 14% das cidades brasileiras têm os leitos, distribuídos pelo SUS. “Por mais que os médicos e toda a equipe multiprofissional se dediquem a salvá-los, esses pacientes não estão onde deveriam estar. A gama instrumental de uma UTI, aliada à capacidade da equipe que atua nela, permite que muitas pessoas sejam salvas. Então necessitamos urgentemente de políticas públicas que facilitem o acesso dos pacientes às unidades de terapia intensiva”, defendeu.

Segundo a portaria ministerial nº 1.101/2002, deve existir de 2,5 a 3 leitos hospitalares por cada 1 mil habitantes. Já a oferta necessária de leitos de UTI deve ficar entre 4% e 10% do total de leitos hospitalares, o que corresponde a um índice de um a três leitos de UTI para cada 10 mil habitantes.

A presidente Elizabeth Meurer da Federação das Santas Casas, Hospitais e Entidades Filantrópicas de Mato Grosso (FEHOSMT), disse que o problema das UTI's em Mato Grosso é o custo alto em manter essa unidade e também a falta de profissionais especializados para trabalhar no interior.

"Hoje está difícil encontrar médicos intensivistas que queiram morar no interior do Estado, então cada vez mais fica complicado para os moradores destes municípios ter este tipo de serviço".

Outro dado relevante na pesquisa é que somente 505 dos 5.570 municípios brasileiros disponibiliza o serviço em hospitais públicos e privados, de acordo com o Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES).

Depoimentos
Parentes de pacientes também reafirmam os dilemas vivenciados nas unidades de saúde de Mato Grosso, em busca de um leito de UTI.

Para o vendedor, Juliano Gomes, 35, o drama começou há 2 anos, quando seu pai, 72, deu entrada no hospital com fortes dores em decorrência de um câncer de próstata. Ele foi diagnosticado com o problema, mas precisa fazer uma tomografia para saber como está o tumor.

"O problema foi conseguir fazer o exame, tivemos que fazer cotinha entre a família para pagar particular. Porque a fila do SUS estava enorme", desabafa.

Juliano informa que após, 1 ano e meio é que o pessoal da Central de Regulação ligou na casa deles informando que o exame estava liberado. "Se nós ficássemos esperando meu pai tinha morrido. Ainda bem que conseguimos fazer o exame e logo depois ele foi operado. Agora a cada 6 meses ele tem que fazer um acompanhamento".

Outra que passou pelo mesmo problema em busca de uma UTI, foi a dona de casa, Aparecida Souza, 32, ela revela que seu pai Lourival de Souza, 61, teve um Acidente Vascular Cerebral (AVC) na última terça-feira e por falta de vaga na UTI está em uma maca na sala de urgência e emergência do Pronto Socorro de Cuiabá.

“O caso dele é grave, por isso acho muito errado ficar na sala de emergência, onde entra e sai pacientes a todo o momento. Toda hora que chega uma ambulância, levam pacientes para esta sala. Já tentamos vagas em outros hospitais e não tem. Estou preocupada com a saúde dele”.

Pacientes procuram Justiça

Sem conseguir acesso aos leitos, pacientes e seus familiares recorrem à Justiça. Informações do Ministério da Saúde revelam que o gasto governamental decorrente de ações judiciais que exigem, principalmente, um leito de UTI e medicamentos de alto custo, atingiu a cifra de R$ 838,4 milhões somente em 2014.

Um desses pacientes conseguiu o leito de UTI após uma decisão judicial assinada pelo juiz da 7ª Vara da Família. O idoso, Joaquim Castilho, 76, tem problemas cardíacos e teve que fazer uma cirurgia às pressas, devido a um entupimento na veia artéria. O filho dele, Manoel Castilho, 43, entrou com um processo na justiça e conseguiu uma liminar para que a cirurgia fosse realizada pelo SUS. Além disso, conseguiu também uma vaga na UTI.

 

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