Alunos tomam chuva em salas improvisadas há mais de 1 ano | Gazeta Digital

Sexta, 24 de novembro de 2017, 11h48

Alunos tomam chuva em salas improvisadas há mais de 1 ano

Keka Werneck, repórter do GD


Internauta

Diretora já liberou as turmas pelo menos 2 vezes. Olha a situação desta sala

Atualizada às 16h56 - Mais de 700 alunos com idades entre 6 e 14 anos, da Escola Estadual 31 de Março, em Canarana (823 Km a Leste de Cuiabá), estão tomando chuva em salas de aula improvisadas já há 1 ano.

Fotos comprovam que a situação está complicada.

Diretora da unidade, Valéria Mendes Moreira diz que, em dias de chuva, não tem outra saída a não ser liberar os alunos e que já fez isso pelo menos 2 vezes.

"Vou fazer o que?" - questiona em entrevista ao Gazeta Digital.

Internauta

Jeito é se proteger com um pedaço do tapume

Isso está acontecendo porque o prédio próprio da unidade vinha apresentando rachaduras nas paredes desde 2015. O telhado também vergou, preocupando a direção, professores, funcionários e principalmente os pais de alunos.

De acordo com a diretora, a Secretaria de Estado de Educação (Seduc) foi informada do problema há 2 anos e um representante da secretaria chegou a ir à cidade para verificar problemas educacionais, incluindo este, porém está envolvido na Operação Rêmora, e não vou voltou mais nem deu satisfações.

A Remôra é uma investigação do Grupo de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e que descobriu esquema de corrupção dentro da Seduc, desviando dinheiro de obras de escolas e favorecendo empreiteiros. A operação forçou a exoneração do então secretário da pasta, Permínio Pinto, que chegou a ser preso e agora responde em liberdade.

Permínio deixa secretaria após a Operação Rêmora

Empresários e servidores também estão respondendo por corrupção na Seduc.

Empresários e servidores são presos na Operação Rêmora

Interdição

Como a Seduc não resolveu a situação perigosa de imediato, a diretora diz que a comunidade escolar pediu ajuda ao Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea), que emitiu laudo desfavorável, confirmando o risco.

"O laudo nos assustou, mas o problema é visível", comenta a diretora Valéria. Em dezembro do ano passado, após várias reuniões na escola, pais de alunos se revoltaram e, em protesto, fecharam a unidade. Por conta própria, também arranjaram outro lugar para os filhos estudarem.

Mãe de uma aluna de 11 anos reclama que é abursdo deixar alunos tomar chuva e não tem como aprender direito assim. Ela, que está acompanhando esta situação desde o ano passado e preferiu não dar o nome para não se expor, explica que, indo à escola levar a filha para a aula e ao participar de reuniões foi percebendo que as paredes estavam rachando e o telhado ameaçando cair em cima das cabeças.

"Podia acontecer uma tragédia, dessas que a gente vê nos noticiários", comenta. Sendo assim, tirar as crianças de lá seria medida de segurança. As salas improvisadas atendem crianças e adolescentes do 1º ao 9º ano. Ficam no parque de exposições.

São cobertas por telha de zinco e fechadas por paredes de tapumes. Além de quente, a estrutura não barra chuva. Aparelhos de ar condicionado também não funcionam bem nestas salas porque elas não são devidamente vedadas.

O prédio original da Escola Estadual 31 de Março é antigo e central, foi construído 1972. Esta é a primeira escola da cidade, fundada oficialmente em 1975 e que hoje tem 18 mil habitantes.

A obra de recuperação do prédio antigo está em andamento, mas conforme apurou o Gazeta Digital, muito devagar.

Outro lado

O atual secretário de Educação, Marco Marrafon, chegou a anunciar na cidade que a escola seria reconstruída em breve. “Percebemos que se trata de uma escola histórica e que não têm mais condições de receber reparos ou reformas, mas sim uma nova estrutura para assegurar educação de qualidade a cada um desses 700 alunos que aqui estudam”, disse Marrafon, na terceira edição da Caravana da Transformação, realizada no município pelo Governo do Estado, isso em novembro do ano passado.

O Gazeta Digital procurou a Seduc para saber sobre a situação dos alunos, que continuam em salas improvisadas e nesta época do ano tomando chuva, e a Secretaria ficou de emitir nota sobre o assunto.

Confira a íntegra da nota.

"Sobre a situação da Escola 31 de Março, localizada no município de Canarana (823 km a leste de Cuiabá), a Secretaria de Estado de Educação, Esporte e Lazer (Seduc) informa que:

1 – O município será contemplado com Centro Integrado Escola-Comunidade (Ciec), considerado um projeto que promove a mudança na base social por meio da educação e da segurança comunitária. O projeto de licitação está em andamento e a licitação será publicada em um prazo máximo de 60 dias;

2 – A Seduc também homologou a licitação para o uso de salas modulares climatizadas para melhor abrigar os alunos durante o período de execução da obra;

3 – A Secretaria já solicitou à Prefeitura Municipal a indicação de um terreno para realizar a instalação das salas móveis climatizadas. A expectativa é que as salas estejam completamente instaladas para o início do ano-letivo de 2018;

4 – A comunidade da Escola 31 de Março optou pela transferência das atividades para o Parque de Exposições da cidade enquanto as salas móveis não fossem instaladas, a prefeitura ficou responsável de realizar as adequações necessárias para o funcionamento da unidade;

5 – A Seduc ressalta que na próxima semana enviará uma equipe técnica com engenheiros para realizar uma vistoria na unidade e indicar possíveis soluções para o local.

Secretaria de Estado de Educação, Esporte e Lazer de Mato Grosso (Seduc)"

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