Quarta, 13 de julho de 2016, 00h00

Hélcio Corrêa Gomes

Alimentação ruim e deficitária

Hélcio Corrêa Gomes


Na sociedade liberal, se é que isto existiu algum dia, não se pode proibir o outro de fazer o mal a si. Uma boa ideia como entrar num beco sem saída em rota de fuga. O direito de optar tem embutido aguentar sozinho com as consequências da decisão. Tomo, o exemplo, de comer o que quer e quanto quiser (liberdade de alimentar). No debate filosófico fica fácil apoiar tal atitude - independente do mal futuro. Afinal, cada qual tem direito no geral de fazer o que quiser sem trazer prejuízo a terceiro.
É na questão econômica que o debate infla e fica resistido. A alimentação desregrada e sem saciar parece um castigo e provoca muitas doenças. Exige tratamentos complexos e caros, que impõe utilização maior da rede de saúde, já congestionada, o que constitui dano ao terceiro. Enfim, despesa maior, e parte dela financiada pelo coletivo no SUS ou assistência médica privada. Nada que o pagamento não igualitário não resolveria.
Estudos dos Riscos Cardiovasculares em Adolescentes avaliou 75 mil estudantes (2014) nas cidades com mais de 100 mil habitantes e mostram dietas excessivas de carboidratos, açúcares e gorduras saturadas. Aqui promete um futuro antevisto com maiores problemas cardiovasculares e renais provocados pela obesidade. Os estudos indicam que refrigerantes atingem 45% das dietas. Sanduíches, frituras, doces e batatinhas e outros ensacados completam o cenário. As ingestões de cálcio e vitaminas estão inferiores ao recomendado. Principalmente a vitamina E, cuja escassez traz danos ósseos. Hortaliças e frutas não figuram entre os 20 alimentos ingeridos.
Hoje já se tem 19% dos adolescentes no sobrepeso, que devem ser somados com 54,5% de adultos, segundo o Ministério da Saúde, que já provocam no SUS despesas de R$ 460 milhões anuais por enfermidades relacionadas e evitáveis. E tendo viés continuo de despesas públicas crescentes desde 2006.
Já não basta mais aprofundar ação governamental educativa para estimular a alimentação saudável e atividade física. Aqui tem que inserir consequência (punição financeira). Enfim, quem manter taxas alteradas por anos a fio de colesteróis e de glicemias e outros indicadores da alimentação inadequada, agindo contra recomendação médica deve ser obrigado a pagar seus tratamentos. A liberdade de comer somente o que quer tem que ter seu complemento no pagar pela opção. Igual já se prática em muitos países desenvolvidos, onde as redes de saúde públicas não significam exatamente tratamentos universais e gratuitos em qualquer condição.
Hoje já se tem perda acelerada na qualidade da vida brasileira. E que já acarretam custos altos e que num futuro próximo estarão insuportáveis economicamente aos cofres públicos a partir de 2017. O tempo anterior já decantava tal processo prejudicial na saúde pública, mas não antevia evolução rápida com agravar da vida em geral com a Crise Dilma.
No Brasil se tem a ilusão de que o ser admite mudar seus hábitos ruins ao tomar conhecimentos dos perigos. Não ele prefere morrer a trocar hábitos, principalmente alimentares (imprestáveis). Fica apenas suscetível a mudá-los, quando arcar com causas. Enfim, enquanto tiver fiador garantido, quem come e não sacia e adora enlatado e ensacado, vai teimar em fazer de sua vida o que quiser. Independente disto provocar despesas desnecessárias ao coletivo nacional.


Hélcio Corrêa Gomes, advogado.
 



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