Quarta, 10 de agosto de 2016, 00h00

Ensino médio fragilizado


A deterioração do ensino médio tem percurso já aproximado do colapso ou atingindo interesse nacional. Requer uma intervenção rápida, mas o Congresso Nacional, desde 2013, vem discutindo as mudanças nele com displicência. Enquanto isto, fica mantida a característica de ensino inutilizado. Até a base nacional comum curricular do ensino médio com parâmetros práticos ou adequados restou, ainda, não votada em 2016. Nenhuma atitude parlamentar para ajudar o Brasil a sair dentre os piores ensinos médios no mundo.
Tal ensino nacional está à deriva. Fabrica impune maioria de alunos que mal sabe pensar dentro da lógica concreta. Tem apenas contingentes apreciáveis de desprovidos de coerências e antiprofissionais - exceto os pontos fora da curva, que independem do ensino ministrado. De fato, não faz muito sentido aos jovens para definição do futuro. E atinge 7% de abandono escolar contra menos de 2% do ensino fundamental.
Além de pesar contra os investimentos internacionais no setor produtivo regional, por deficiência séria de técnico e tecnólogo no país. Um sistema, que deveria ser de iniciação científica e profissionalizante, mas que resolveu se retroalimentar dos próprios defeitos ou falhas (ultrajantes). Nega-se a sua finalidade, transformando numa parada imposta, onde os passageiros sequer descem do ônibus para ir urinar.
O Enem tentou resolver (ocultar) o problema nivelando por baixo as provas - igualando o bom ao ruim. Milagrosamente tudo passou a partir de 2012 à prova interpretativa (ofertando sensação falsa, que se tem o mínimo de conhecimento em matemática, física e ciências). Ora, interpretar não significa calcular. O que interessa estaria no ensino superior.
Tome-se o exemplo aberrante dos advogados. A inserção deles no mercado profissional de serviços tem proporcionalidade de 1.200 formados e que passaram em exames de ordem e tão somente 1,5 indivíduo/ano se estabelecendo no mercado - dados da OAB/MT. E nenhum curso médio para operador de cartório, trabalho específico judicial etc. Tudo se resumindo ao bacharel em ciências jurídicas desempregado e francamente inábil aos exercícios operativos do judiciário.
O ensino médio nacional - salvo exceção - aparece hoje nivelado ao inferior ou no substrato. Tal como se fosse jogo de futebol de várzea, que se ganha e perde sem consequências. Funil ao ensino superior que tem metade dos matriculados não concluindo os estudos. E apenas 10% que concluíram apreendendo o mínimo do vernáculo, da matemática e física elementar etc. - tal como revelam os relatórios de metas do Ministério da Educação.
Aqui o ensino médio público e privado brasileiro tem algo em comum. Ambos falham no primordial. Um desperdício de tempo e da capacidade juvenil com diversificação curricular contra sua própria finalidade de iniciação científica e profissionalizante. Nada atrativo e ineficiente por natureza dura e com efeitos deletérios na economia nacional. Algo para definir o futuro juvenil, que se desligou da tomada do futuro promissor.
Incrível que a correção do ensino médio já está há anos no parlamento nacional e dormitando. Tratada com desdenho ou não tendo importância à nação. Aqui insurge um Brasil, que não se regurgita e que nem desce na goela. Não tem explicação a grandiosidade da tolerância diante de tantos prejuízos já causados.

Hélcio Corrêa Gomes, advogado



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