Viver integrado ao país que acolher | Gazeta Digital

Quarta, 24 de agosto de 2016, 00h00

Opinião

Viver integrado ao país que acolher

Hélcio Corrêa Gomes


Há no radicalismo religioso em geral manancial invejável de regras humanas. Aqui o modo de vestir, de alimentar e de comportar ganha importância inimaginável e como se tivesse importância ao Eterno. Não sou a favor de interromper a mulher, que queira usar burca (vestimenta, que lhe cobre o corpo e permite mirar tudo por uma tela), mas sou mais contra, ainda, impô-la por terror. Nada mais, além da persuasão, pois a história já está recheada de violências praticadas como sagradas.
Não quero colocar mais lenha na fogueira nos debates europeus sobre os trajes religiosos. Todavia, se precisa restabelecer os fatos. A repudiada (no ocidente) burca não tem relação com o Islamismo. Era roupa para status social das tribos pashtuns, cujo Talibã reintroduziu-a, onde dominava. O Alcorão indica ao homem e a mulher viver com modéstia, discrição, privacidade e menor exposição. Apenas isto.
A maioria no Islã entende que para cumprir tal preceito basta o véu à mulher e roupas sociais. Outro fato, é que ninguém tem direito de residir num país como imigrante enfrentando as leis da terra. Ou criando obstáculos à integração nacional. Afinal, todo o indivíduo está livre para escolher onde quer viver ou residir.
No Mundo Ocidental, a burca ganhou significado pejorativo. Representa a submissão feminina. Na França o uso dela já está proibido desde 2010. No Brasil, diferentemente, os trajes religiosos ficam tomados como charmes religiosos. Não se tenha notícia deles sendo obrigados. Aqui, o estrangeiro, mesmo o mais arraigado (o japonês), integrou à sociedade e conservou princípios internos.
A evolução do direito da mulher como indivíduo ou portadora de direitos pessoais no Oriente Médio se estabelece mais lentamente do que ocorreu no Ocidente em geral. Em muitos Estados Teocráticos, ainda, se registra a mulher como propriedade familiar. Daí os trajes sociais indicarem que tal mulher pertence a alguém ou não está disponível a todos. Tem lá sua importância comunitária.
A chanceler da Alemanha, Ângela Merkel, que acolheu refugiados, inclusive, os islâmicos fugindo das desgraças, na quinta-feira (18), e depois de tantos conflitos ou ultrajes, se retraiu. Ofertou apoio ao ministro do Interior para que se estabeleça regras proibitivas à burca e outros apetrechos discriminatórios em público, alegando que dificultam à integração. Aqui a Alemanha se iguala ao francês laico. Na Itália setor mais conservador já pressiona para se tomar medidas semelhantes. Tudo para não deixar intocáveis as ilhas separatistas dentro de seus próprios territórios.
É preciso que o Islã faça sua reforma interpretativa e abandone que o paraíso pertença tão somente aos seus e não aos justos. Frene o fundamentalismo, que utiliza do sagrado livremente. Tem que enfrentá-lo de dentro para fora, sob a pena de obter isolamento e terror bestial. Tudo já atinge o direito de exílio e de imigração.
Aliás, se não se evoluir na interpretação social, pode até montar cenário ruim, que nem o demônio conseguiu fazê-lo, onde o homem de bem fica como supérfluo. É preciso sim, acreditar sagradamente na vida profícua e humana, onde erros são superados, onde cada um deve somar e jamais dividir.
Não se pode mais admitir em lugar algum, que a sociedade tribal tardia, tenha parte significativa na evolução do contemporâneo humano. Tal como deseja o Criador.

 Hélcio Corrêa Gomes, advogado.



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