Quarta, 07 de setembro de 2016, 00h00

Alfabetização de adultos paralisada


No Brasil Colônia os jesuítas promoveram alfabetização de adultos, que tinha aspecto mais de catequese. E enfrentou resistência do governo imperial português. Após longa hibernação e atendendo a UNESCO, após a segunda Guerra Mundial, o presidente Getúlio Vargas, com intuito de preparar mão de obra alfabetizada principalmente na região sul e melhorar estatística ruim, que indicava metade da população analfabeta, criou sistema de campanhas de alfabetização de adultos, mas obteve insatisfatório resultado. No final da década de 50 o governo reconhece a superficialidade das suas campanhas de alfabetização.
Em 1961 a alfabetização de adultos fica retomado por impulso do Movimento de Educação de Base, que restou interrompido com o golpe militar de 1964 e substituída pelo Mobral. Aqui se contabiliza mais dois fracassos por motivos diferentes. Após a redemocratização e já em 2003 aparece o Programa Brasil Alfabetizado, quando já se atingia mais de 1 milhão de analfabetos. Um retorno tardio à ação política interrompida de 61 e que bem ou mal atingiu parte do analfabetismo rebaixando-o aos 170 mil, segundo dados/2015 do MEC. Embora desde julho/2016 não mais se abre nova turma. Tudo para evitar gastos na decorrência da Crise Dilma.
A prática de desenhar o nome do Mobral foi além no após 2003, mas esbarra em outro problema (educação ideológica), que distorce aprendizado e retira sua qualidade. Afinal, o ensino do código fechado da língua, que somente é adquirido com esforço pessoal para depois obter a reflexão crítica fica relegado ou tomado como repressão ao aluno. Ao não se apropriar do falar e do escrever com perfeição não se tem o pensar lógico e reflexivo (antecipado). Uma alfabetização que não alfabetiza. Um pensar apenas prepotente/crítico e nada reflexivo. Algo não edificante ao pensar mais proveitoso ao educando e com alta taxa de analfabetismo funcional.
Não se pode negar que a alfabetização no Brasil oscilou entre os extremos e valores de quem detinham o poder, cuja educação repressiva ou libertadora, se permite dizer assim, que são apenas fúrias ou ideais falhos, de poucas validades aos educandos e aperfeiçoamento técnico salvo rara exceção.
Retrógrados e progressistas se igualaram. Não entenderam o fazer do domínio da língua e da cultura, bem como desenvolvimento da conceituação social e científica, onde os aprendizes se educam com ajuda escolar. O pensar lógico crítico/reflexivo não apareceu em abundância satisfatória diante da má oferta de qualidade educacional.
O quadro delineado deixa uma lição histórica. A alfabetização precisa ser reprogramada. E com menos politicagem e menos ideologia, não desviando à direita ou à esquerda. Aqui vale retirar todo fator alienante dos programas até hoje instituídos.
O presidente Michel Temer tem dever cívico de saldar a grande dívida educacional com o que deseja se educar. Se não puder liquidá-la no curto mandato, que ao menos reprograme o sistema para ficar eficiente e eficaz valorizando os esforços dos alunos. Igual, quiçá, ao que se pratica no mundo desenvolvido afora, onde não se faz escola que finge ensinar e aprendiz finge aprender, onde todo esforço pessoal não fica desprestigiado.
Eis o bom momento de repensar a qualidade educacional. E revalorizar os valores sociais e cívicos. Além de abrir espaço ao aprofundamento tecnológico no construir uma escola menos ideológica e minimamente produtiva.
 
Hélcio Corrêa Gomes, advogado.



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