Ensino médio no inferior | Gazeta Digital

Quarta, 14 de setembro de 2016, 00h00

opinião

Ensino médio no inferior

Hélcio Corrêa Gomes


Foi divulgado, na quinta-feira (8), novo índice de desenvolvimento da educação básica (2015). Principal indicador da qualidade da educação nacional. Nele se revela proximidade entre ensino médio público e privado. Acirra a disputa para ver quem mais se afugenta da meta (preestabelecida). Aqui a rede pública tinha 3,4 em 2013 com meta/2015 de 04, mas atingiu 3,5 pontos. A privada com meta 6,3 inferiorizou aos 5,3 pontos. Está encurtada a diferença qualitativa educacional aos 51%.
Não tem novidade ao gestor educacional, que parece já acostumado ao índice mais frágil (reiterado). De fato, falhas antigas já mapeadas, ainda, estão intocáveis no ensino médio nacional. Tudo se conformando no objetivo de apenas preparação ao vestibular ou provas do ENEM. O Amazonas e Pernambuco atingiram suas metas. Outros estados repetiram pontuações inferiores aos 3,7 (média nacional). Mato Grosso apesar de ligeira evolução tem indicador estagnado desde 2011.
É preciso reformar e urgente o ensino médio. Restabelecer articulação entre redes municipais e estadual. Igualar minimamente ao ensino fundamental, que já supera no bianual as metas. Note-se que os municípios em Mato Grosso respondem por 82,5% das matrículas no ensino fundamental. Enquanto o ensino médio se arrasta e alheio aos atrativos juvenis. Trata-se de ensino enrijecido, que acumula deficiência temporal e conteúdo desconectado, onde a metade dos alunos não conclui tal ensino.
No geral os alunos entram querendo muito estudar, mas a maioria que concluiu o ensino médio sai totalmente insatisfeita. Queima o desejo de estudar e o altruísmo cívico. Aqui realmente grande parte chega com pique e após alguns meses anda cabisbaixa ou perdida no espaço. Aqueles que obtêm êxitos vestibulares, logo confirmam os presságios. A língua portuguesa, a matemática e principalmente a iniciação científica tornaram-se bichos sem cabeças.
Há desilusão juvenil inconcebível, cuja gerência maior (governo) acha tudo isto normal. O docente até acha que se melhorar o salário tudo poderia melhorar, mas não consegue explicar o fato de Santa Catarina pagar menos e ter bom aprendizado, saindo da superficialidade nacional.
Os alunos mais ativos devem aprender a arte difícil da sobrevivência nos meios escolares enfadonhos. Não se contraporem abertamente às mediocridades. Realidade nefasta - tanto na rede pública, quando na privada - e muito prejudicial aos alunos e a própria nação brasileira. Nada incentiva a participação integrada e melhor desempenho dos discentes.
A escola média anda equiparada ao filme hollywoodiano ruim com humanos, vampiros e lobisomens (bons e ruins) numa guerra fantasiosa, onde as magias determinam êxitos. E os esforços pessoais têm importância insignificante. Tudo resumindo ao artefato fajuto do bem vencendo o mal inexoravelmente. Enquanto, na vida real, as leis das recompensas e dos castigos permanecem validadas. Somente em filmes se fabricam artificialmente finais felizes.
Tudo já indica tardiamente, mas melhor tarde do que nunca, uma necessária reconfiguração da política educacional nacional. E paralisar a jogada incessante de recurso público e principalmente privado ao ralo do ensino médio obstrutivo ao que deseja estudar. Do jeito que se encontra hoje está inútil a tudo e todos.

Hélcio Corrêa Gomes é advogado

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