Quarta, 21 de setembro de 2016, 00h00

opinião

Campanhas e projetos envelhecidos

Hélcio Corrêa Gomes


Todo projeto de candidato a prefeito de Cuiabá tem sua característica enrijecida e proposta central hiperbólica (exagerada). Distorção no factível por imprecisão entre arrecadação pública (possível) e novo dispêndio. Pratica apenas marketing ilusionista, que promete o impossível - materialmente dizendo. O que remete o eleitor ao medo e maior insegurança.
Aqui o efeito da cauda longa (termo utilizado em estatística para identificar dado imperceptível, mas agregado, que influi no resultado) desmonta as candidaturas na lanterna eleitoral. Enfim, quem esteve ligado ao PT corrupto, que vem sendo punido na Lava Jato ou outras operações federais e judiciais paga mais caro. Não alavanca eleitoralmente nem com muita reza brava.
Na intermediária e não saindo dela está o eterno prefeito fujão, que não teve sequer a sensibilidade política de lançar seu vice a prefeito (gerando fato novo no PSDB) e ficar na vice.
O procurador Mauro nasce e morre como folclore, pois aflora incongruência de pensar e agir. Além de propor o nada ao eleitor.
O PMDB tinha bom plano administrativo, formulado antes da crise Dilma, e na coluna dorsal copiado para atual eleição, tem programa e candidato no imponderável, que mais projeta resolver tudo no apito ou ajeitar lugar as forças políticas em insolvências por ações judiciais.
Ao eleitor restou escolher entre dois desatinos deslavados, que lideram as pesquisas e que não mais tende a sofrer alteração drástica. Enfim, resta escolher o escracho político menor.
Incrível que nenhum candidato demonstrou no seu plano geral estrutura técnica condizente. Sequer repensa a prioridade da saúde pública em caos, por exemplo. Apenas apadrinha ilusão, achando que isto se contorna bem a insatisfação popular. A fila de 46.268 indivíduos, que aguardam atendimentos na rede de saúde, segundo Central de Regulação do SUS em Cuiabá, tendem ir além da dobra em 2017. Idem as 9 mil cirurgias na fila de espera. Aqui tais problemas são considerados irrelevantes.
O Município de Cuiabá acumula deficits, que vão fixar em R$ 56 milhões no ano/2016. Nem mais contabiliza liquidar restos a pagar. Tem receita líquida na queda, que não mais atinge o valor/2015 (R$ 1.587 bilhão). O Estado está com arrecadação de - R$ 20 milhões, segundo dados de setembro/2016. Os repasses federais, que já destinam 30,2% à saúde e 25% à educação, significam 4% acima dos valores mínimos da legislação. O contingenciamento recolocará os gastos nos mínimos legais. Os R$ 7,5 milhões mensais para gerir a baderna geral no Pronto Socorro Municipal vão diminuir.
Ninguém pensa no futuro próximo ou vida dura na continuidade do recessivo vivido. Nas reformas administrativas e funcionais, que ficam submergidas nos desejos pessoais e infantis de apenas ganhar eleição. Aprimorar a gestão pública, hoje com modelo desordenado e até corrupto por natureza sistêmica fica na órbita da incógnita.
O fácil o prefeito fujão, Mendes, já fez. Reduziu a frota de veículos, linhas telefônicas, cargos comissionados e renegociou contratos com gorduras e, inclusive, fechou algumas sinecuras. E centralizou gastos e pagamentos essenciais. Inaugurando no final o que deveria ser feito no início, mas antes tarde do que nunca. Cuiabá precisa ir além dos remendos administrativos. Tudo para evitar mais um grande desastre gerencial avizinhado.

Hélcio Corrêa Gomes, advogado



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