Quarta, 05 de outubro de 2016, 00h00

Gastos com sedentarismo


A Organização Mundial de Saúde (OMS) reiteradamente vem indicando que a vida sedentária se tornou hábito ruim de 70% da população. E impõe gastos com saúde de até 6% dos recursos públicos na maioria dos 142 países pesquisados. As inatividades físicas têm dispêndios no mundo de U$ 67,5 bilhões ao ano - dados/OMS de 2013.
O Banco Mundial em relatório traz que 66% dos gastos brasileiros no Sistema Único de Saúde (SUS) são para tratamentos de doenças não transmissíveis por vidas sedentárias. O Diagnóstico Nacional do Esporte aponta 67 milhões de indivíduos não praticam nenhuma atividade física. A obesidade custa ao Brasil R$ 488 milhões ao ano - dados da Universidade de Brasília.
O Brasil tem pandemia de doenças cardiovasculares e derrames cerebrais. Algo relacionado à pura resistência a fazer exercícios físicos - principalmente após 60 anos de idade. A Sociedade Brasileira de Cardiologia vem demonstrando à década que problemas no coração mataram mais que tabagismo e acidente veicular. 54% das mortes precoces são por infartos ou derrames cerebrais.
No mundo já se perde 13,4 milhões de anos de trabalho profissional. Aqui caminhar em praça ou parque até 150 minutos por semana evitaria dispêndio público considerável, estimado no governo federal em de R$ 1,5 bilhão anual com tratamentos, remédios e absentismos no trabalho.
O médico Drauzio Varela, em artigo publicado recente, diz que se cruzarmos os braços frente ao quadro nacional do sedentarismo, que engorda e envelhece a pessoa com um ou mais males, significa o mesmo que aceitar a eutanásia, principalmente nos mais velhos, vez que a rede de saúde não tem condição e recurso satisfatório para enfrentar a enorme situação.
De alguma maneira se tem que encarar o fato óbvio: a preguiça juvenil ou ociosidade cultural dos mais envelhecidos. Duas situações que têm custos e pagos pelos contribuintes. Aqui tal cultura nefasta - principalmente após 30 anos tem que ser debelada ao bem da nação.
A saúde curativa já atingiu seu limite de borda e quantitativo. Não mais se resolve o problema apenas criando mais unidade hospitalar. É preciso promover mudança radical no estilo de vida. O sedentarismo já representa o principal fator de risco para saúde nacional e causando grande impacto financeiro. Mas governos são eleitos e encerram mandatos ignorando os efeitos drásticos e agora mais acentuados com a Crise Dilma.
Nenhum programa nacional em larga escala interliga esporte, lazer atividade física populacional com gratuidade de 100% na saúde coletiva. É preciso adotar a formula europeia, que pune todo desleixo com atividade física e premia todo esforço para arrefecer enfermidade crônica. Não se precisa criminalizar o fato, mas instituir no mínimo, que remédio gratuito e atendimento na saúde preferencial tão somente ao que praticar exercício físico e tal fato acusar em exame clínico de rotina.
Inapelavelmente o grande desafio na saúde coletiva nacional continua a ser o convencimento da população para andar três vezes por semana, bem como alimentar de modo mais saudável. Aqui o Brasil investe no preventivo ou vai ter destruída toda a conquistada - principalmente o direito amplo de atendimento geral e integral no SUS.

Hélcio Corrêa Gomes, advogado.



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