Quarta, 30 de novembro de 2016, 00h00

opinião

Internet é apenas biblioteca

Hélcio Corrêa Gomes


Estudo da Universidade de Stanford (EUA) indica que maioria dos estudantes norte-americanos não têm mais perspicácia mental. Dos 7.804 pesquisados 80% não conseguiram diferenciar uma notícia de uma propaganda na Internet. Tomam fácil qualquer mentira por verdade. 40% depositam confiança absoluta na informação questionável. Aqui a adolescência fica salva por 20% que persistem no aprendizado da lógica.
Não se está a discutir o perfil de 124 milhões de jovens no mundo, que não estudam, mas de estudantes do ensino fundamental ao superior. Estudantes, que acessam os fatos, mas não os entendem. Incapacitados de raciocínio elementar - identificar, compreender, avaliar, conceber alternativa e melhor solução de determinado problema. Enfim, ter conclusão válida, que antevê consequência desastrosa na vida (inteligência).
De fato, a Internet tem dado enorme acesso e sem precedente à grande biblioteca de conhecimento humano. Mas não tem o poder de incidir no bem pensar. Afinal, a inteligência não está na apreensão de fato, mas no aprendizado do concreto ao abstrato. A escola pode até ajudar amadurecer a mente, mas a opção de ser inteligente fica ao indivíduo.
Distinguir o falso do verdadeiro não é tarefa difícil, mas precisa ocorrer por aprendizado. Diferente do certo e do errado, que me aparece mais difícil ou como tarefa para Deus. Aqui o estudo na base do pula de um pedaço para outro na Internet. Ou na apropriação de um fato sem refletir. Ou na base de cópia plagiadora incita apenas ao pensar tolo. Aquele que pensa saber o que verdadeiramente não sabe.
A geração Y não tem exclusividade na invenção do adolescente por si imprestável, mas nela o contingente extrapola ao limite. Com efeito, a Internet, que insurgiu ao bem para disseminar conhecimentos, se transformou em veneno doce aos jovens incautos. A própria aderência tardia ao entretenimento infantil, que atrofia a evolução cognitiva, tem demonstrado uma persistência indevida no pensar mágico, peculiar à criança, que não pode subsistir integralmente a partir da adolescência.
A geração anterior, que vinha de uma criação bem definida e até mais austera, alterou o comportamento familiar ou democratizou relacionamento entre pai e filho (antecipadamente). E hoje colhe filho mais dependente física e psiquicamente. Ao oferecer uma liberdade antes da hora, criou a figura da imaturidade tardia. Hoje a adolescência já chega aos 30 anos de idade. Um prejuízo humano já bem significativo.
Aqui a grande esperança com a internet de apagar parte das fronteiras tradicionais entre os países e culturas regionais ruins, ao se ver as formas diferentes de pensar e valores uns dos outros, já aparece, infelizmente, enfraquecida. Afinal, a geração Y ficou mais preconceituosa e muito arrogante, que qualquer outra anterior. E com menos prazeres na vida.
É preciso retirá-la da acomodação, onde se permite ser algo menor. Tal fato (antissocial) não chega a surpreender, mas não pode ser mais reconhecido como normal. Afinal, tendo condição mental, se deve a partir do ambiente doméstico ofertar única opção, ser inteligente e produtivo. Jamais se pode aceitar a abdicação para tornar-se um ser imbecil e infeliz.
Adolescente precisa de regras e direcionamento. Tal como sabiam bem nossos avós. A Internet não é causa, mas efeito do problema familiar (desregulado), que constrói tanta gente folgada no mundo.

Hélcio Corrêa Gomes, advogado.



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