Escolas brasileiras ruins | Gazeta Digital

Quarta, 14 de dezembro de 2016, 00h00

Escolas brasileiras ruins


Os resultados/2015 divulgados recentemente do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa) mostram que no Brasil as escolas têm desempenhos reiteradamente pífios. Estudantes que não aprendem nada bem. A diferença entre a escola privada e pública é pequena (irrisória). Elas estão no inferior do ranking mundial, onde 70% dos alunos não chegam sequer ao nível dois da avaliação - considerado básico (escala que pode atingir nível seis).
Entre os 70 países avaliados o Brasil ficou na 65ª posição no Pisa/2015. Na leitura, por exemplo, a média ficou em 493 pontos e alunos brasileiros 407. Aqui já são 15 anos consecutivos de estagnação em ciências. E por aí a fora em educação frágil. A Colômbia e o México, que têm proporções de alunos pobres iguais (40%), mas com menores investimentos educacionais, tiveram seus resultados melhores que o Brasil.
A debilidade estrutural não se encontra nos alunos. Eles são curiosos, criativos. No entanto, a forma como os conteúdos são transmitidos faz com que não aprendam bem. Desestimulados. Aqui os alunos ricos e pobres têm professores com a mesma pedagogia e formação acadêmica.
Além de curriculum escolar enrijecido, que privilegia ideologicamente a reflexão/crítica, antes da apropriação da linguagem escrita e cultura universal, que têm códigos fechados ou rígidos, tão somente aprendidos com esforço pessoal (literalmente decorados). Após dominar os padrões e regras da língua pátria e distinguir cultura universal do regional/tribal, se pode ir ao reflexivo/crítico.
A inversão pedagógica nacional produz alunos não reflexivos ou analfabetos funcionais. Eis a raiz do problema. Nas escolas brasileiras se produz 56,1% de alfabetizados. Apenas 42,8% com conhecimentos mínimos em matemática, conforme revela Prova ABC (Avaliação Brasileira do Final do Ciclo de Alfabetização). Dentre tal clientela, de alunos estão os milhares, que aprenderam a ler com incapacidade de entender. Fato que persiste no tempo implacável. E cria de geração em geração muita perda de potencialidades.
O ensino brasileiro falha no glamour. Desperdiça capacidades ao agir na inversão educacional (política/ideológica), que se diz reflexiva/crítica, quando de fato a impossibilita por ausência de domínio da linguagem e cultura humana. Produz aluno mais arrogante, prepotente, que acha saber que não sabe e sem mínimo respeito ao saber e ao professor. Coisa da antagônica educação, que cria muitos tolos, que acham que é possível aprender sem enorme esforço pessoal, onde tudo tem que ter recompensa para ociosidade ou preguiça mental.
O Brasil anda promovendo automaticamente de série em série do básico ao ensino superior. E produz majoritariamente alunos sem saber pensar ou escrever corretamente. Analfabetos em ciências. Aqui quando muito se produz técnicos, que dificilmente podem suprir as próprias carências de conhecimentos - além das técnicas em si. Tudo já caminha para inevitável apagão da mão de obra hábil - antevisto para 2020.
O Ministério da Educação estacionou no tempo. Doura a pílula do imprestável. Tudo parece desejar resultado catastrófico. Atitude insensível e no desfavor da construção da cidadania plena e até melhoria tecnológica nacional. Um país que tolera tal educação frágil, tende a ficar limitado no aspecto de nação emergente e dependente. Eis um grande dilema antigo e intocado no Brasil.
 
Hélcio Corrêa Gomes, advogado.

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