Quarta, 26 de agosto de 2015, 00h00

Temos doutores e 'doutores'


A principal universidade do Brasil - A Universidade de São Paulo [USP] acaba de completar 80 anos de criação, comemorando cerca de cento e cinco mil títulos de mestrado e doutorado, certificados pelos seus programas de pós-graduação, ao longo da sua história. A maior universidade da América latina [USP] abriga atualmente cerca de cinquenta e cinco mil estudantes de graduação e mais de vinte mil de pós-graduação.
Esses números grandiosos projetam a USP como responsável por 30% de toda a produção acadêmica do Brasil, uma concentração de lídimos doutores. Mas, mesmo assim, essa quantidade toda não é adequada para o desenvolvimento científico do país, de forma equilibrada. Pois, temos doutores e ‘doutores‘. Basta verificar os pífios indicadores quantitativos e qualitativos de doutores formados em outras medíocres universidades Brasil, afora. Tais doutores, a bem da verdade, estão apenas colocando à mostra, ostentando, seus anéis e exigindo dos incautos, um melhor salário e o respeito que não merecem. A estes doutores de meia tigela, sugiro que mude o nome de ‘dotô‘ para cocô. São os graduados nos países vizinhos: Paraguai e Bolívia.
Como quantidade não é sinônimo de qualidade e há críticas ao pouco impacto dessa produção de conhecimento no cenário nacional, exceto os graduados pela USP, UNB, UERJ, e UFRJ. Há programas de doutorado em demasia, a produzir doutores em excesso e com reduzida qualidade. É comum encontrarmos esses cocôs da vida em repartições públicas e privadas, em salas de aula, lecionando em nossas universidades. Muitos vendem a alma ao diabo, durante os dias celestiais da universidade, não têm a mínima visão do sentido libertador da educação; veem apenas melhor salário e posição social privilegiada, ostentam os títulos pela ausência de dignidade e ética.
As nossas instituições universitárias encontram-se em fase falimentar, com orçamento minguado, faltando verba para investimento, servidores e professores com salários irrisórios. As nossas instituições públicas de educação consomem 97% do orçamento apenas com a folha de pagamento; não que estejam os servidores com remuneração digna, é o orçamento que é reduzido e, às vezes, há instituições com servidores em excesso, muitos deles passeando pelos corredores, enquanto alguns poucos estão produzindo,
No Brasil, ao contrário dos EUA e Europa, cerca de 80% de nossos doutores não encontram emprego. Estes retornam à vida acadêmica para lecionar ou mesmo resolvem exercer funções não condizentes com a especialidade. É muito fácil ser doutor, hoje, no Brasil! Difícil, mesmo, é saber dar aos títulos a dimensão social devida.



João da Costa Vital é contador, pedagogo e jornalista.Escreve as quartas-feiras em a Gazeta. E-mail: jcvital3@gmail.com



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