Quarta, 02 de dezembro de 2015, 00h00

Greves nas instituições de ensino


É uma consequência por demais maligna que pesa sobre os alunos das universidades e instituições federais de ensino tecnológico [IF], quando estas ameaçam de suspensão por tempo indeterminado as atividades de ensino. Muitas Universidades e Instituições Federais de Ensino Tecnológico [IF] paralisaram por mais de quatro meses, em razão de greve, neste ano de 2015. O prejuízo aos alunos já se consumou com a perda do semestre e redução das férias escolares. Não há mais nada prejudicial ao País e, em particular, aos alunos que buscam qualificar-se pela educação universitária do que interrupções na execução dos programas curriculares. Isto acontece porque escola em greve dá prejuízo ao povo, ao governo dá lucro, porque gasta-se menos energia, água, e filho de político não estudam em escola pública.
Todavia, nem sempre reflexões sobre a natureza do ensino superior e de seus efeitos no conjunto do processo educativo respaldam certas condutas quando se trata de decidir sobre greves. Antes de conversações com representantes do Ministério da Educação e do Planejamento, chega a vez de professores de algumas dessas instituições federais de ensino se reunirem em assembleia a fim de colocar em pauta a paralisação da classe. Em outras palavras: queimam etapas indispensáveis para evitar o conflito sindical, consistente em negociações preliminares a fim de situar reivindicações e colher a disponibilidade orçamentária e financeira, a quem tem autoridade.
Entretanto, dois pontos precedem o tratamento da questão. O primeiro é o reconhecimento de que a greve, quando séria, é ferramenta constitucional criada para garantir a defesa de interesses legítimos dos trabalhadores. O outro se vincula às reivindicações, na maioria dos casos destinada a obter reajustes salariais e melhores condições de trabalho. São duas faces da mesma moeda.
Não se pode eximir de se discutir a justeza da reivindicação dos aumentos salariais pretendidos pelo corpo docente e de servidores das atividades meios. Mas cumpre não ignorar que a greve, conquanto direito inquestionável, deva ser precedida pela agenda da conciliação. Há de haver ponderação para que seja encontrado termo útil à pacificação dos interesses em causa e, em posição de relevo, avaliação sobre eventuais efeitos negativos de movimento paredista sobre prerrogativas de terceiros, que são o corpo discente e a qualidade da grade pedagógica.
Antes de prejudicar os estudos do alunato é crucial exaurir as possibilidades da mesa de negociações. Convém aos mestres universitários, buscar caminhos alternativos na luta pelos reajustes de vencimentos com elevado nível de consciência. A sociedade agradece.

João da Costa Vital é contador, pedagogo e jornalista.Colaborador deste jornal, as quartas-feiras, há 21 anos. E-mail jcvital3@gmail.com



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