Quarta, 03 de agosto de 2016, 00h00

Onofre Ribeiro

Pós-greve

Onofre Ribeiro


Faz alguns dias que terminou a greve geral dos servidores públicos no estado de Mato Grosso. Durou dois meses. É muito tempo pra uma paralisação geral dos serviços públicos. Do ponto de vista do servidor é natural exercer o seu direito de greve. Mas para os cidadãos que pagam impostos e arcam com a folha de pagamentos, depender dos serviços públicos paralisados vira um tormento. Só o setor da pecuária e dos frigoríficos perdeu perto de R$ 1 bilhão por conta de não poder mobilizar rebanhos e vender a carne.
O saldo da longa greve deixou lições. Pela ordem: para o governo, que aprendeu a movimentar técnicas de conversas, diálogo e negociações. A princípio pensou-se que bastaria o governo se posicionar. Não bastou. Experimentou sucessivas fórmulas até perceber que sozinho não superava o impasse. O Poder Legislativo entrou no processo e também teve que aprender porque há muitos anos deixou de ser uma casa efetivamente política capaz de conduzir negociações. Também aprendeu debaixo da pressão dos sindicatos.
Os servidores radicalizaram até o enfrentamento na Assembleia Legislativa, onde negociações foram aos poucos construídas debaixo de vaias, de protestos e de acaloradas discussões. A cada encontro os deputados tinham que ir ao governo negociar os encaminhamentos e ambos aprendiam outra linguagem mais institucional há muito perdida.
Mas os servidores perceberam que fazer e manter greve é mais complicado do que parecia no começo quando a questão era apenas pretender a reposição de 11,28% da RGA. Manter a greve, as discussões, receber propostas, discuti-las e formular propostas é uma experiência que eles também não tinham. No final teve ganhos e teve perdas. O governo perdeu parte e ganhou parte. A Assembleia ganhou parte e perdeu parte. Os servidores ganharam parte e perderam parte. Quem perdeu 100 por cento foi a sociedade que ficou privada de serviços públicos por 60 dias.
A economia e os cidadãos se viram desamparados diante da burocracia infernal exigida para os negócios e para ações pessoais. Por outro lado o risco é os servidores encamparem a ideia de que a greve resolve antes de conversar. A sociedade está ficando muito intolerante. No futuro todos os atores precisam refletir muito mais em suas negociações antes de radicalizarem.

Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso. E-mail:onofreribeiro@onofreribeiro.com.br www.onforeribeiro.com.br
 



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