Quarta, 31 de agosto de 2016, 00h00

Esquerda x direita - I


O fim do governo Dilma Rousseff indica uma tendência mundial. O romantismo das esquerdas e do socialismo dos anos 1960 e 1980, caminha rapidamente pra ficar apenas nos livros de História. Naquelas décadas, o mundo se reorganizava depois da segunda guerra mundial. Eram arranjos políticos, ideológicos e sociais novos, de olho numa economia que se reconstruía depois do imenso conflito que começou em 1939 e terminou em 1945. O mundo que saía da guerra não era o mesmo mundo que iniciara o conflito sete anos antes.
Na América Latina a Argentina começa o populismo de esquerda com o General Juan Perón. O Brasil ensaiava com Getúlio Vargas. Lá iria. Aqui, não. Vargas se suicidou em 1954 e a esquerda foi enterrada até 1960, com a chegada esquisita de Jânio Quadros. Mas seu vice, João Goulart, eleito em separado embora na mesma chapa, era de esquerda. Sucessor de Getúlio Vargas. De novo, em 1964, a direita dos militares derruba-o e governa até 1985.
Em 1980 nasce o PT, herdeiro das tendências da esquerda submersas nos anos militares. Nasceu sob o patrocínio da Igreja Católica e dos próprios militares, numa vertente de sindicalismo. Enfim, em 2003 o PT chega ao governo nacional, eleito em 2002, depois muitas tentativas. Carregava todo o idealismo de esquerda e as influências da Igreja que via nele solução para os seus problemas de perda de influência nas massas pobres, aos poucos engolidas pelos evangélicos.
No poder, a esquerda e o PT sacaram velhas utopias socialistas e alguns sonhos mal-construídos, como o bolivarianismo. Essa breve história serve pra ilustrar o fim dos governos de esquerda no Brasil, no mesmo momento em que no mundo todo as esquerdas saem da cena. Na Europa, as esquerdas governaram depois da segunda guerra e implantaram o chamado ‘Estado do bem estar social‘, com garantias infinitas aos cidadãos. Em 1989 a União Soviética deu sinais de cansaço econômico, político e ideológico. A Europa inteira tentou-se salvar juntando-se no bloco da União Européia. A maioria dos países enfrentava crise interna. O Estado gastava mais do que arrecadava pra garantir os direitos sociais. Endividamentos. A economia mundial mudava.
 Em 2016, as coisas mudaram em definitivo. A esquerda varrida nos governos europeus, a União Européia em crise, e a direita assumindo um papel mais consistente no mundo profundamente complicado. 1945 ficou lá atrás, quando o mundo era simples. O assunto continua amanhã.


Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso. E-mail:onofreribeiro@onofreribeiro.com.br www.onofreribeiro.com.br



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