Quarta, 28 de setembro de 2016, 00h00

A missão de Cuiabá


Que Cuiabá é a capital de Mato Grosso todos sabemos. Porém, ela é mais do que uma cidade com os seus moradores e os seus problemas. É capital do estado e de certa forma a referência para os demais 140 municípios. Nela residem 600 mil habitantes. Além deles moram também as sedes dos poderes executivo, legislativo, judiciário, sedes de órgãos federais e estaduais e de grandes empresas privadas. É, portanto, uma cidade duplamente política.
 Nessa condição, ela precisa ter representatividade política junto a todo o estado e aos poderes. Em essência, ela é um poder político autônomo. Da mesma forma que o governador representa institucional e politicamente Mato Grosso, o prefeito da capital, em tese, é o segundo na linha de importância política no estado. Logo, ser prefeito de Cuiabá é mais do que ser um gestor municipal. Requer ter representação política à altura da função de dirigir a cidade com o seu duplo papel e, ao mesmo tempo, ser um interlocutor qualificado dentro da conjuntura dos poderes estaduais, das bancadas parlamentares federais e dos poderes federais.
 A campanha eleitoral não está refletindo isso. Propostas de momento sem amarração num planejamento que comece na Rua‘X‘ e termine na discussão dos temas estaduais como capital política do estado. Por outro lado há números ruins. Em Cuiabá existem 13 mil pessoas vivendo na miséria absoluta e 25 mil famílias com renda menor do que meio salário mínimo. No entanto, a capital não opina na discussão dos grandes temas sociais e econômicos do estado. Fica tão submissa quanto o menor dos municípios.
 Cuiabá precisa sair da beira do rio e virar interlocutora política respeitada. Exemplo: Mato Grosso precisa urgente rever a sua política econômica pra deixar de ser um estado concentrador de renda por causa da sua produção primária pouco valorizada. Cuiabá deve e precisa opinar sobre esse tema e tantos mais. O prefeito deve ser um interlocutor político qualificado. Pede experiência, status político e capacidade crítica de operar politicamente.
Saneamento, educação saúde, etc, são temas do cotidiano. Futuro de 600 mil pessoas é tema de futuro. O tempo novo quer gestão política pra capital. O eleitor precisa levantar os olhos e olhar pro conteúdo da cabeça dos candidatos.

Onofre Ribeiro é jornalista em Cuiabá.E-mail:onofreribeiro@onofreribeiro.com.br www.onofreribeiro.com.br



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