Quarta, 12 de outubro de 2016, 00h00

De menores


Dia da criança. O tema é doloroso! Nesta semana em Rondonópolis três adolescentes mataram um padre. Sete assaltaram um banco e foram mortos em confronto com a polícia. Quatro seriam ‘de menor’. Em Cuiabá a violência está fora de controle. No comando das operações de campo do crime estão ‘de menores’ assaltando, traficando, estuprando e matando. Tem algum recado nessa situação. Na semana passada um ‘de menor’ que matou a tiros, a sangue frio, um coronel da PM em Sinop, foi morto em ‘combate’ em assalto na cidade de Barra do Bugres.
Qual seria o recado? Há muitos. Pela ordem: o desemprego dos pais; a falta de opção de trabalho dos jovens; a proibição de trabalharem; a educação de péssima qualidade; as famílias desestruturadas; o acesso fácil ao ‘mercado de trabalho’ do crime; a pouca segurança efetiva nos bairros. Muito mais fatores. Pior mesmo é a falta de algum tipo de política capaz de integrar antes de começarem e a reintegrar depois de terem começado no crime.
Uma amiga da área da segurança ligada a esse tipo de ocorrência contou-me na semana passada que os jovens presos tem apenas uma vaga idéia do tipo de crime que cometeram. Eles não trazem da família e nem da escola qualquer registro anterior que lhes tenha ensinado sobre o valor da vida e da propriedade alheia. Numa linguagem cruel, ela foi enfática: ‘são animais bravos’.
Se presos vão pra uma escola de pós-graduação onde aperfeiçoam. Estar lá lhes dá prestígio e soma no currículo. Saem piores do que entraram porque lá convivem com descrições amplas de outros tipos de crimes. Nas falta dos princípios básicos da convivência social, a impressão é a de que são poderosos e invencíveis. Na rua, livres do controle da família que deixaram de respeitar, eles se apóiam mutuamente e se engajam em grupos onde a violência é natural. Confundem sobrevivência com violência.
Diante da ausência crescente de políticas na sua direção, a tendência, disse-me a minha amiga, é que tenhamos uma geração de criminosos-inocentes-ignorantes da vida social. Somando a força juvenil, teremos por muitos anos sucessivas gerações de criminosos construídos sob os nossos olhares apavorados.
Comemorar o dia da Criança?

Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso.E-mail:onofreribeiro@onofreribeiro.com.br www.onofreribeiro.com.br



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