Quarta, 26 de outubro de 2016, 00h00

Sobre delações


Na semana passada estive num encontro onde estava um grupo de empresários tipo pesos-pesados de Mato Grosso. As conversar variaram de tema um monte de vezes. Mas, ao final, acabou no tema que faz o chão temer nos últimos tempos: delações premiadas.
Todos concordam que é um mecanismo legal que já faz parte do cotidiano jurídico brasileiro. Sobre isso ninguém contesta ou questiona. Há dois aspectos que foram levantados e julgo dignos de serem registrados. O primeiro, admite e que já faz tempo a necessidade de moralizar as relações entre o setor privado e o setor público. Todos concordaram que a desmoralização veio do setor público, na medida que se tornou além de gestor, também coletor de dinheiro pras campanhas políticas. Com o tempo isso se ampliou e começou a arrecadação de dinheiro pra gestores, numa medida cada vez mais despropositada.
O segundo fator, é que as delações estão saindo dos eixos jurídicos e caindo no chão dos interesses corporativos. Tornou-se gradualmente um canal político de prestígio de personagens. Nesse item o Ministério Público é considerado o mais afoito. Acredita-se que misturaram vaidades, emoções pessoais, disputas de correntes internas e, por último, o interesse público efetivo. Os depoimentos colocados naquele encontro trazem informações de arrogância e forçação de barra por assinaturas de depoimentos com grandes discrepâncias entre o que foi delatado e o que se escreveu.
O espírito corporativo no serviço público brasileiro é gritante! Usa-se esse espírito até pra se alcançar prestígio setorial e aumentar o orçamento do ano seguinte. Impregnou o serviço público a mostrar serviços primeiro e a fatura depois. Porém, registro, também, outra questão. Os empresários preocupados com a reputação dos seus negócios. Basta uma citação mal colocada e uma reputação de décadas vai por água abaixo. Garantem que está faltando critério. Divulga-se de imediato informações ainda inconsistentes pra forçar outras delações ou intimidar terceiros, sem avaliar conseqüência econômica sobre os negócios citados.
Trago o assunto na expectativa de que a justiça se faça dentro dos parâmetros da lei, sem justiçamento prévio praticado por agentes públicos movidos por boa fé e por outras razões, incluindo as corporativas.

Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso. E-mail:onofreribeiro@onofreribeiro.com.br ww.onofreribeiro.com.br



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