Quarta, 02 de novembro de 2016, 00h00

Conversatória


A palavra não achei no dicionário. Mas a prática dispensa literatura pra ser real. Estou falando da mais delicada missão do prefeito eleito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro. Mais do que qualquer outro ele enfrentará uma necessidade absoluta de conversar com a sociedade cuiabana. A rigor, pode se dizer que ele não representa toda a sociedade porque foi eleito com apenas 157.877 votos num universo de 415 mil eleitores. Não votaram nele 257.311 eleitores. O resultado final indicou-o com pouco mais de 36% dos votos de todo o eleitorado. Eleito legitimamente, porém.
Por essa razão torna-se indispensável que ele fale com todo o eleitorado uma vez empossado prefeito. Mesmo os votos obtidos na eleição não dão garantias de fidelidade permanente. Eleitor é muito volúvel. Ainda mais em tempos em que os partidos não significam mais nada. E que a sociedade desconfia da política e dos políticos.
O prefeito, além da linha direta com a sociedade, aqui chamada de conversatória, enfrentará quatro outros grandes problemas nessa ordem: 1- o grupo político que o apóia incomoda a sociedade, visto como predatório. O PMDB não recomenda, assim como as suas lideranças. 2 - a sua relação com o governo do estado e com o governador Pedro Taques. 3 - a relação com a crise econômica e financeira que deverá chegar aos municípios brasileiros a partir de 2017. Por último, os problemas do município.
A conversatória implicaria em ter um grupo maduro, experiente, consciente, e desinteressado, capaz de compreender a sociedade, interpretar os seus sentimentos e entregá-los ao prefeito na forma de conceitos e daí, quem sabe, virarem objetivos da gestão. Pode ser um conselho ou algo assim. Insisto no tema por conta da desconfiança que a sociedade demonstrou nessas eleições em todo o país. Em Cuiabá foram 154.828 votos brancos, nulos e ausentes na votação no segundo.
 A gestão terá que ser profundamente inovadora. Especialmente na relação com a sociedade. Conversar, ouvir, transformar as conversas em gestão, sob pena de riscos incalculáveis.

Onofre Ribeiro é jornalista em Cuiabá. E-mail:onofreribeiro@onofreribeiro.com.br www.onofreribeiro.com.br



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