Tsunamis em série | Gazeta Digital

Quarta, 09 de novembro de 2016, 00h00

Tsunamis em série


Em Mato Grosso nunca vi série tão grande de crises se abatendo sobre uma gestão como as que estão sobre a cabeça do governador Pedro Taques, desde janeiro de 2015. Acho relevante enumerá-las, mesmo fora da ordem em que aconteceram, porque o cotidiano mistura tudo e não nos dá a idéia de lógica nos fatos.
Começo citando que realmente havia uma bagunça depois da gestão anterior. A seguir a real situação da obras da Copa, acabadas, mal-acabadas, inacabadas ou com problemas. Destaco o VLT que incomoda muito a sociedade cuiabana, gerando discussões desgastantes. As prisões de políticos geraram instabilidade nos meios políticos e empresariais. O secretariado técnico gerou suspeitas de travamento da gestão. O ano de 2015 acabou com muitas discussões. E o governador Pedro Taques chamando pra si todas as luzes e todos os desgastes da gestão por seu estilo centralizador.
O ano de 2016 já começou com sérios desgastes à capacidade da gestão de conduzir realizações. A crise econômico-financeira do governo federal chegou aos estados. Em Mato Grosso trouxe muitos gargalos. Poucas obras sendo tocadas, gestão muito centralizada, redução de repasses e convênios. Começaram as trocas de secretários. Aparece a primeira crise ética na Secretaria de Educação. Os poderes começaram a questionar pontos da gestão. A boa relação do início começou a azedar até que foi preciso atrasar e depois renegociar os valores dos duodécimos de todos os poderes. Na mesma época vem a discussão da RGA que trouxe junto uma greve geral de mais de 30 dias de todos os servidores do Executivo, e um profundo desgaste político ao governo por conta das discussões em torno do parcelamento do reajuste salarial.
A seguir veio o parcelamento dos salários no Executivo. Mais desgaste. A falta de dinheiro pra investimentos, mais trocas de secretários, taxação do agronegócio pra obter o Fethab 2, mais propostas de taxação do agronegócio. Proposta de reforma profunda da gestão, proposta de reforma tributária, governo federal não repassa o FEX de R$ 391 milhões. Poucas obras em andamento. Crise na educação, crise na saúde. Funcionários públicos em pé de guerra. O Detran é um nó na garganta. Violência sobe. Poderes arredios. Derrota na eleição de Cuiabá e nos municípios-polos. Economia combalida. Secas sucessivas no campo e redução da produção agrícola. Arrecadação prejudicada.
Risco de isolamento político do governador Pedro Taques, ameaçam prejuízos à sua governabilidade. Crises ensinam. Ele parece disposto a fazer transformações no estilo pessoal e na condução da gestão. A ninguém interessa os tsunamis. Ao governador cabe uma série de iniciativas de conversações e de interlocução política. Não lhe restam outros caminhos. É preciso fugir correndo do isolamento. E resgatar a identidade do seu governo.

Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso. E-mail:onofreribeiro@onofreribeiro.com.br www.onofreribeiro.com.br

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