Passaram-se 12 anos | Gazeta Digital

Quarta, 07 de dezembro de 2016, 00h00

Passaram-se 12 anos


Pela 12ª. vez nesta data, escrevo um artigo sobre as percepções que se acumularam na vida de minha família depois da morte do meu filho Marcelo, de 29 anos, num acidente de moto em Salvador. Foram anos de muitas sensações que se transformaram desde o mais doloroso pesar no começo até a leve sensação de que a nossa vida pode continuar. Mesmo com saudosas lembranças, a vida se ajustou e nos ajustamos dentro dela.
Daniela, nossa nora, e Luka, nosso neto, moravam em Salvador, mudaram-se pra Cuiabá. Estamos próximos. Luka aos 15 é um jovem, promissor. Fez o Enem neste ano e tem larga visão de futuro. Tem garra e o mesmo temperamento do pai: obstinado e focado. Nosso orgulho! Daniela ajustou-se, mas não quis casar-se de novo. A vida dos outros três filhos, André, Fábio e Tiago também se ajustou. O André com os seus 3 netos.
Por que conto tudo isso?
Frequentamos um grupo de orientação espírita chamado ‘Evangelho das Mães‘, um doce apoio. Nas reuniões mensais chegam casais arrasados pela morte recente de filhos e filhas. Mil motivos: acidentes, violências, motos, carros, álcool e muitos por morte voluntária. Nós os recebemos e damos um primeiro afago. Sabemos a importância dele. Nara Nardez e Zé Carlos são os nossos dirigentes no grupo. Por lá desfilaram dores incontáveis de pais jovens, adultos e velhos, sem os seus filhos. Uma palavra, um afeto. E a comparação inevitável de que a morte não escolhe o filho de quem.
 O recado do artigo desse aniversário de 12 anos da passagem do Marcelo, dirijo a pais e mães. Evitar, ninguém evita a fatalidade. Ela vem de origem tanto física quanto espiritual. Então, já que não se evita, não deixem nunca de aproveitar todas as oportunidades de demonstrar o seu amor aos filhos. Se o destino levar um deles, foi sabendo ser amado. Se permanecerem juntos, saberão que são amados. Faz uma diferença enorme pra eles e pros pais esse consolo. Confesso que Carmem e eu aprendemos a chorar. Por nossos filhos, por nós, pelas pessoas, pelas experiências. Nos faz muito bem.
Esses 12 anos foram de duro aprendizado. Mas foram também de importante amadurecimento. Nos fez ver o sentido pra vida. Não é só material e nem só status social. É no viver humano equilibrado e ajustado em valores como solidariedade, compaixão e amor. Meus filhos e netos seguem nas suas famílias a mesma linha humanista e espiritual. A vida é mais do que a simples contagem dos anos.
E, por fim, a quem vivenciar essa experiência não se sinta culpado tentando crer que poderia ter evitado. Nunca. Era a hora. É a lei imutável. Aceite e tente ajustar. Tudo, afinal, é uma profunda aprendizagem que no final se chama de vida! Nosso abração amoroso, Marcelo querido!

Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso. E-mail:onofreribeiro@onofreribeiro.com.br www.onofreribeiro.com.br



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