Quarta, 11 de janeiro de 2017, 00h00

2017 das arábias


Até lá pelos anos 1980 se dizia assim: ‘menino levado das arábias!‘. Tudo que saía do figurino era tratado como uma coisa ‘das arábias‘. Não sei o porquê das arábias em coisas tão comuns. Porém, penso que o uso recai bem nos cenários do ano de 2017. Promete que será mesmo num ano das arábias. Trago aqui alguns fatos indicadores disso.
Na virada do ano a rebelião na penitenciária de Manaus deu um susto no país e mostrou a panela de pressão que são os presídios. Mostrou o grau de violência e de desumanidade que se cultivam dentro delas. Mostrou também o elevado nível de politização construído dentro dos presídios ao longo tempo. Abandonados pelo poder público, os presos se organizaram em facções políticas. A princípio elas deviam garantir melhores condições de vida dentro dos presídios caóticos do Brasil. Como isso custa muito dinheiro dentro do ambiente de corrupção nas cúpulas dos presídios, eles buscaram organizar-se pra arrecadar. Surgiram o PCC, o Comando Vermelho e uma série de pelo menos 15 grandes organizações político-criminais dentro de todos os presídios. Tomaram conta primeiro dentro. Depois, com o dinheiro arrecadado aliaram-se entre si e criaram grandes facções interligadas nos estados.
Entraram no tráfico de drogas e de armas. Financiaram o estudo de advogados, de professores e até de médicos em seu favor. Financiam e organizam o crime fora dos presídios. Hoje, raramente um crime é avulso. De um modo ou de outro está ligado às facções dos presídios. Isso indica a existência de um Estado criminoso dentro do Estado nacional. Pior mesmo, é ver que o Estado nacional não pode, não tem como, não sabe e nem quer lidar com a República dos Presídios.
Uso esse episódio como um fato grave isolado. Mas por onde se olha esgotou-se no Brasil o conceito de normalidade democrática e institucional. Em 2017 todas as contradições de todas as naturas vão se cruzar. O risco é de um caos completo. O governo da União é fraco e domina pelo pacto federativo a ordem dos estados federados. Pobres e enfraquecidos, congregam 5.570 municípios, a maioria quebrados e com pouca autoridade pra mudar os fatos.
Gostaria de chamar a atenção do leitor pros acontecimentos de mudanças grandes e duras deste ano. Ao mesmo tempo em que se desconstrói, nasce um Brasil se remoçando. Mas isso leva sempre muito tempo e deixa um rastro de dores pelo caminho. O assunto continua.

Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso. E-mail:onofreribeiro@onofreribeiro.com.br www.onofreribeiro.com.br



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