Adeus, poeta do violão | Gazeta Digital

Quarta, 20 de julho de 2016, 00h00

opinião

Adeus, poeta do violão

Waldir Bertúlio


Um homem de intuição, íntegro e de enfrentar o desconhecido, nos seus mergulhos garimpadores da harmonia, da melodia, perscrutando as variações nos acordes do seu violão, à luz dos sentimentos, emoção e evocação de um futuro entre ele e suas cordas sonantes. Dizia que o dedilhar do violão não estava centrado só na técnica fria e inabalável dos que não incorporam ao mundo dos sonhos e fantasias de um violão em mãos de um sonhador.

O violão expressa e conduz poesia, mergulhado e inspirado nos arranjo das músicas fantásticas e belas que percorrem seus caminhos. Tocar violão para mim, é por instinto, que leva a momentos mágicos nas tocatas com meus amigos, parceiros, músicos do meu tempo. Nesta quarta-feira passada (14/06) seguiu para outro plano este incrível e refinado violonista, Tunta para os amigos, assinado Benedito Pedroso de Jesus. Ele e os personagens memoráveis que citamos são marcas de uma exigente qualidade musical, verdadeiros ases dos seus instrumentos, que povoaram Cuiabá com seus acordes de mais alto nível, Tunta é um dos mais importantes músicos das gerações desde a década de 20 até nossos tempos, (sobra agora só Paulito do Pandeiro).

Tunta é um instrumentista que compartilhou das magias de tempos marcados pela saudade, afastou-se das rodas por defender exclusivamente o acústico. O velho bairro Mundéo, Cuiabá chora sua partida, em memória de quem palmilhou o chão cuiabano e de MT, nas asas encantadoras e cativantes das legitimas serestas cuiabanas.

Tunta foi músico contratado permanente do Grande Hotel (hoje, Secretaria Estadual da Cultura), o espaço mais ‘chik’ da cidade antiga, onde se hospedava-se astros e celebridades que aportavam em nossa cidade.Tocou em apresentações como de Angela Maria, Elizete Cardoso, Orlando Silva, Nelson Gonçalves, Caubi Peixoto e tantos outros artistas do cenário nacional que aportavam Cuiabá para shows. Sempre muito impressionados com o rigor de Tunta, como mestre do acompanhamento instrumental na versatilidade dos acordes de seu violão.

Sua referência foi o seleto Grupo Serenata, que fazia apresentações memoráveis nas casas e varandas do grupo. Era acolhedor, silencioso e observador, sempre meio a sua alegria. O cantor e violonista Zied Coutinho aprendeu a tocar violão com ele, e trilhou o caminho das valsas, predileção do mestre. Um fato que o marcou, foi uma serenata com o grupo, toda vizinhança abriu as janelas na madrugada, aplaudiu quando encerraram o concerto no jardim do aniversariante.

Os seresteiros quando encerraram o concerto de madrugada, nos jardins da casa de Nilson Constantino, Tunta iniciou tocando bateria, criou também o Grupo Som Oito, dos memoráveis carnavais do Clube Dom Bosco (surdo). Tendo também tocado na saudosa Sayonara. Sua predileção era pelas valsas. Nas serestas sempre alguém levava um toquinho de madeira para ele escorar o pé.Ensinou os netos a tocar, sua última apresentação foi em 29/05 no aniversário de um neto Gustavo, acompanhado pelos netos na flauta, violão e cavaco. Foi como uma despedida, encerrou com ‘Carinhoso‘, de Pixiguinha seu maior ídolo.
Sempre com o radinho para ouvir música, levou-o( escondido ) para a UTI. Dizia:’’para dormir ligado, escutando música’’. Nas noites de serenatas, a última era sempre na varanda da sua casa, dedicada a Yolanda, seu grande amor. ‘ Tu és, divina e graciosa/ estátua majestosa/ do amor, por Deus esculturada ....... Te saudamos Tunta; no aconchego e gratidão pela poética dos seus acordes eternos!

Waldir Bertúlio é professor da UFMT. E-mail: waldir.bertulio@bol.com.br

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