Quinta, 22 de setembro de 2016, 00h00

Está tudo dominado? - I


Em plena eleição municipal no país, com o Congresso andando a passos de tartaruga de muletas, agilidade só em manobras como absolvição do uso do caixa 2 nas eleições, e até a anulação dos processos da Petrobras pela Lava Jato. Estas e outras proposta são mais um afrontamento às medidas anticorrupção que estão sendo conduzidas pela justiça. Bom que aqui em MT a justiça real política vibra nas decorosas condutas de uma juíza responsável por processos envolvendo agentes políticos. Também já em elaboração a estratégia dos parlamentares para trazer de volta o financiamento empresarial de campanhas. Em geral as eleições municipais significam para a maioria das candidaturas, a luta para manter a histórica estrutura do poder patrimonialista e fisiológico.
O Brasil e MT, disputando o campeonato das desigualdades e desvios da função pública. Esta arena para manter a impunidade desde a eleitoral, é o primeiro round para disputa das próximas eleições em 2018. Então, o que está em jogo é a formatação de tabuleiro para as eleições parlamentais, de governador, e como der, da Presidência do país. Talvez também açodados também pela possibilidade de mudança presidencial antes do calendário formal estabelecido. Isto vai depender da continuidade das bem-vindas investigações e sentenças via operação Lava-Jato.
Aqui em MT, como em todo país, o passado condena sim o futuro. Eis o quadro: o PMDB tem um ex-governador na cadeia, com tantos outros punidos pelo saque ao erário público. Antes aliados, PT e PMDB em migração de alianças . Por incrível que pareça, o desgastadíssimo PT agarra-se a candidatura do PDT(Julier), que foi por eles descartada na última eleição para prefeito em Cuiabá. Deixou o candidato a ver navios, como o PMDB fez em seguida. Este partido é especializado em leilão de cargos e nacos de poder, dificilmente isentos de negociatas. Assim seguiu sua estratégia de sobrevivência.
A candidatura do poder hegemônico em MT, do PSDB, com um candidato peso-pesado da rejeição, apesar de algumas ações de relevância. Em geral, o que acontece é um descrédito nos políticos tradicionais e de profissão. O candidato do PMDB tem que lutar também contra a rejeição aos malfeitos do partido.
É interessante ver tanta gente do povão querendo votar no Mauro do PSOL, ou votar nulo ou branco em expressiva proporção. Como contraste, esta candidatura, saindo e seguindo na frente, mostra a rejeição do povo aos políticos tradicionais e contra a falsa representação na política.
Este é um fato alvissareiro enquanto tomada de decisão pela população no processo eleitoral. Chama atenção este poder nas mãos da população. Fatos novos podem surgir na perspectiva de renovação do quadro político e da estrutura de poder em Cuiabá, historicamente acumulada? Pode ser que não esteja tudo dominado!

Waldir Bertúlio é professor da UFMT. E-mail: waldir.bertulio@bol.com.br



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