A cultura do descrédito político | Gazeta Digital

Quarta, 02 de novembro de 2016, 00h00

A cultura do descrédito político


Como manifestação mais potente desta eleição, foi a negação ao voto. Em todo país a média de votos brancos e nulos e abstenções nas capitais foi de 30%. Soa como uma ameaça expressiva para os políticos, os partidos, a necessidade de retirada urgente da política da UTI. Principalmente quando vemos crescer as argumentações inclusive de candidatos vitoriosos e/ou bem votados, descartando suas candidaturas como ação política.
 A decisão de não votar aqui em Cuiabá foi de 37 a 41 por cento atrás de Belo Horizonte (MG) e Goiânia, 32%. Esta grande quantidade de eleitores não votou ou anulou votos. Problemas logísticos no acesso as urnas não foram expressivos. Podem até dizer que o feriado emendado do servidor público e o dia de finados também teria influenciado, como tantos outros motivos mais superficiais. Coisas deste tipo serviram eventualmente como uma desculpa para fugir das urnas. O que na verdade fica expressado é a desilusão e descrédito dos políticos, partidos, e assim, na política. Isto percorreu todo o Brasil, os números falam. Não voto em candidatos (abstenção, nulos e brancos), atingiu em cheio a disputa. Descarte de votos, a quantidade dos que não votaram, concorreram, aproximaram, ou superaram até a votação de candidatos eleitos. O desvendamento da corrupção teve um peso sim nas decisões de não votar.
Candidatos vitoriosos e perdedores tiveram que disputar com a soma dos votos de abstinência, nulos e brancos. Como os percentuais que vimos nos resultados das eleições são votos efetivos, é importante ver o que ocorreu. Quantos eleitores se abstiveram e/ou declararam sua indignação com a moribunda política tradicional? Cuiabá foi a quinta das 25 cidades que disputaram o segundo turno com maior número de votos nulos e brancos (15,9%). Somados abstenções, oscila entre 38% e 41%. Taxas crescentes e muito altas. No Brasil, 14,3% invalidaram seus votos, maior percentual desde 2000. Abstenções altíssima apesar do voto obrigatório, 21,6% dos eleitores não compareceram as urnas. Isto aconteceu principalmente nas grandes cidades.
A vitória de Pinheiro em Cuiabá tem outras vertentes de explicação, além da bombástica rejeição do candidato do Governo. Ambos rejeitados enquanto componentes da política tradicional, objeto do descrédito dos eleitores. É incrível que Pinheiro tenha em parte conquistado o mandato aliado a figuras execradas pelo desvio e corrupção do PMDB, que estão atrás das grades. O mesmo partido que continua dominando os grotões. Parece que de alguma forma despertou nos votantes uma réstia de esperança em algo praticamente impossível para o fisiologismo e caciquismo PMDBista. Senão, que o candidato eleito já deve estar tratorando pela divisão de cargos e postos de mando em uma coligação que reuniu muitos partidos. Na verdade, potencialmente, em MT não foram abertas quase nada de janelas para renovação política nesta eleição. Especialmente se pensarmos que na verdade, o poder eleitoral se expressa nos mandatos dos vereadores. Estes de fato poderiam dar um novo rumo a falida política tradicional do ‘toma-lá-dá-cá’. Pouquíssima renovação para constituir o início de uma outra prática politica esperada pela população.
Enfim, foi expressado o racha nas forças que apoiaram Pedro Taques. Apesar de última hora, e quase escondido, Blairo Maggi emitiu ao final da campanha apoio ao candidato do PMDB, hoje seu partido. Já estão expostas as primeiras garras para embate eleitoral de 2018. Agora, é cobrar o outro dia da eleição de prefeitos e vereadores. As investigações de corrupção são ameaças efetivas para a maioria dos políticos. Pode bater muito mais, e perigosamente em MT. Quem viver, vera!

Waldir Bertúlio é professor da UFMT. E-mail: waldir.bertulio@bol.com.br

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