Quarta, 09 de novembro de 2016, 00h00

A cultura do fisiologismo


A verdade é um tema caro central da filosofia, deveria servir como referência para reflexões críticas.Para revisão da trajetória política que vemos hoje aos estertores mergulhando no obscurantismo e nas asas do pensamento neofacista. A filosofia política percorre a história da humanidade em diferentes abordagens, de acordo com as diferentes visões de mundo e das suas diferentes narrativas. Desde a Grécia antiga, este tema tem sido estimulado como base para reflexões e posicionamentos culturais e políticos.
 Ao contrário do que assistimos neste cenário político, o que move a filosofia é a incessante e incansável busca do que é a verdade, objeto que move sua trajetória. O filósofo Wittegenstein, afirmando que ‘sobre o que não se pode falar, deve-se calar’, aponta o silêncio como uma atitude genuinamente filosófica. Quer dizer, o silêncio pode falar e ser mais denso que um intricado de falas. O que a filosofia mostra é o caminhar na linha tênue da arte dos contrários. Uma relação de dualidades, tais como: amor/ódio, vida/morte, tudo/nada, querer/dever. A mais conhecida, já que completamos 400 anos de Shakespeare, ‘ser ou não ser’. O que este autor, que continua contemporâneo toma em sua fala, através do personagem Hamlet, é a dialética dos contrários. É como se a verdade, tão desejada pela filosofia, possa revelar-se no contrário da fala e das palavras. As palavras, hoje mais do que nunca na política, pela boca da quase totalidade dos políticos, não valem um‘ pequi roído’. A palavra é inexorável, quando lançada, não tem volta. Como dizia o povo antigo, ‘olha a língua!’; ‘cuidado!’. Então, o que falou tá falado, não adiantam as desculpas mais esfarrapadas.
É o que vimos agora nestas últimas eleições e nas investigações na corrupção, o que não é novidade para os interesses espúrios e nada republicanos que defendem em suas articulações políticas. Candidatos sabem que mais à frente estarão juntos se os interesses convergirem, e que tudo foi uma brincadeira no calor da disputa intestina eleitoral. Estamos num ‘mato sem cachorro’?- o que devemos fazer é cobrar as promessas desde as singelas às mirabolantes, para que não continuem brincando com o eleitorado. Acreditam que sempre poderão voltar nas próximas eleições com a mesma ladainha. Acreditam na memória curta do povo, ou como se diz na ‘Vajú’: ‘é só enfeitar a comida, bater no cocho, que a porcada vem’. Será mesmo que assim continuará? Aliás, nem lembram de conferir o que foi feito das promessas de campanhas anteriores, muitas vezes com os mesmos candidatos voltando a cena. No segundo turno, candidatos a vereadores, especialmente os eleitos foram disputados para troca de lado, que seja, sorrateiramente. Serve até ‘por baixo do pano’. Quem aprova as mensagens do executivo são os legislativos, neste caso, não teria sido difícil desmascarar e execrar a quase totalidade de vereadores reeleitos em relação ao cumprimento da sua função constitucional. Uns novos, alguns jovens, potencialmente carcomidos na maneira de agir.
O jogo da cooptação fala sempre mais alto, há que se eliminar quaisquer oposições. Anular o papel da Câmara de Vereadores como fiscalizadora do executivo torna-se um projeto de Governo. Daí, é necessário fiscalizar a atuação dos parlamentares, dos vereadores, cobrando conseqüência no exercício dos seus mandatos. Seria bom saberem que não serão esquecidos, para o mal ou para o bem, nas próximas eleições. É preciso virar o jogo das desigualdades entre os níveis de Governo, nos extratos da população e o fosso quase intransponível da incúria na representação parlamentar e política. O lema pode ser o combate intransigente à corrupção, dizendo não à impunidade e ao fisiologismo político!

Waldir Bertúlio é professor da UFMT. E-mail: waldir.bertulio@bol.com.br



Aguarde! Carregando comentários ...


// leia também

Quarta, 08 de fevereiro de 2017

00:00 - Folias do agronegócio II

Quarta, 01 de fevereiro de 2017

00:00 - Conjuntura - Economia Dependente 3

Quinta, 26 de janeiro de 2017

00:00 - Folias do Agronegócio - 1

Quarta, 18 de janeiro de 2017

00:00 - Crise Internacional e o Capital - 2

Quarta, 11 de janeiro de 2017

00:00 - Conjuntura - A força ascendente do neoliberalismo I

Sábado, 07 de janeiro de 2017

00:00 - Feliz ano velho?

Sexta, 23 de dezembro de 2016

00:00 - Autos de Natal e Ano Novo

Quinta, 15 de dezembro de 2016

00:00 - Brasil: futuro incerto?

Quarta, 23 de novembro de 2016

00:00 - Racismo e Consciência Negra

Quinta, 17 de novembro de 2016

00:00 - Política, conservadorismo e resistência


 veja mais
Cuiabá, Segunda, 27/03/2017
 

WhatsApp Twuitter
WhatsApp

Fogo Cruzado waze

titulo_jornal Segunda, 27/03/2017
53e5bbcc4b4c9009d8dd0c44bdf68988 anteriores




Rádios ao vivo
  • cbn
  • cbn
Indicadores Financeiros
Dólar Comercial 3,1075 -0,90%
Ouro - BM&F (à vista) 124,20 2,26%
+ veja mais
Mercado Agropecuário
Boi Gordo @ 126,00
Soja - saca 60 kg 54,54
+ veja mais
Mais Lidas Enquete

Dentro de alguns meses, a Prefeitura de Cuiabá começará a multar carros que trafegarem pela faixa exclusiva de ônibus. Na sua opinião:



Logo_classifacil