Quinta, 17 de novembro de 2016, 00h00

Política, conservadorismo e resistência


Argumenta-se muito sobre a utilidade e contribuição da filosofia. Bases desta mesma, é que se propõe tirar do currículo no ensino médio nas propostas da Escola com Mordaça, oficialmente chamada de ‘escola sem partido‘. É bom dizer que se a filosofia descobrir a verdade (absoluta?), aí então sua função seria extinta, pois esta busca é uma trajetória sem fim.
Nestas eleições, o Brasil e MT liberam uma virada para o pensamento e prática a direita, abrindo espaço de poder para a ultra direita, se assim podemos denominar. É um avanço naquilo que como fazer político erige o atraso, ignora a diversidade social e cultural, trazendo idéias retrógradas para o campo das representações políticas. Como nas eleições do RJ e alastrado pelo país, figuras das bancadas evangélicas , religiosas cristãs (rompendo com a concepções do estado laico e democrático). Bancada da bala, (apologia da violência e até do armamento da população). Bancada ruralista (concentração de terras, dinheiro, poder e expulsão dos povos originários, além da destruição ambiental).
Crescem com seus discursos de práticas rigorosamente desligadas da lógica social, ética, e que seja, ao menos humanista. Fenômeno global, assistimos a derrocada do partido democrata, com a eleição de Trump nos EUA. Na verdade, uma Hecatombe, pois essa figura macabra representa tudo de ruim que esta ultradireita traz para os campos da política. Xenofobia, Racismo, Misoginia, Mercado total contra políticas sociais, como nas áreas da saúde, seguridade e proteção social. Sobretudo, sua ação política não respeita nenhum campo institucional, o congresso, nem seu próprio partido.
Neste caminho, é a insanidade em pessoa, não a pauta de direitos socais e humanos. São tempos muito sombrios que enfrentamos, especialmente aqui no Brasil, com essa escalada política de tentar galopar de volta a idade media. Aqui tramita uma agenda que vai do neoliberalismo, detonando com os direitos sociais, até os que são contra a política, sabendo muito bem que isto é da boca para fora. São varias camadas de grupos que se alinham neste campo. Além dos ultraconservadores (misturam estado e religião, interesses privados e de pequenos grupos). Outros,colocam-se como gerentes do poder publico, para endireitá-lo (no seu sentido lato). Mal sabem definir o que é na verdade a política, tendencialmente, sabem sim, e praticam o que não é política. Não podemos assistir passivamente decretar a morte da política, quando na verdade ela habita em nós desde o nosso cotidiano de vida.
 Em tudo que fazemos tem reflexões e decisões que compõe o agir político. Sobretudo, a verdadeira (?) política não é apanágio dos políticos com mandatos. Nas eleições recentes, qual é a diferença real de Trump e Hillary Clinton? É só olhar a escalada do Partido Republicano (Abrahan Lincolm) e Democratas. Olhe as propostas de Hillary como Senadora, e também a gestão de Bill Clinton. Revejam Reagan. Arrisco dizer que a diferença de Trump e Hillary é que o primeiro não tem sanidade mental, é capaz de passar por cima de tudo, mas expressa a verdade que defende sem nenhum constrangimento. Publicita e defende sua ideologia. Hillary esconde, dissimula, faz de conta, mas defende por baixo parte substancial deste espectro ideológico. Na verdade, nos EUA os democratas pavimentaram a ascensão dessa ultra direita. Agora, atônitos, não sabem o que fazer.
 Rastilhos ameaçam por todos os lados. Hillary e grande parte dos democratas em dissimulação permanente, escondendo suas verdadeiras intenções e praticas. O que aconteceu de certa forma, aqui no Brasil com a escalada e derrocada do PT, com a sua permanência no poder governamental da forma que entenderam melhor para mantê-lo. Não se sabe que limites de atraso e conservadorismo veremos pelo frente. 2018 não é uma zona tão cinza, correm infelizmente a favor de uma guinada em mãos do espectro ideológico que tenta continuar no poder.
 Nessa crise profunda. com perdas irreparáveis, uma luz promissora, de construir-se-á uma reação a esta perspectiva política. Tempos difíceis, sobretudo de reconstruir a esperança verdadeira e legítima!

Waldir Bertúlio é professor da UFMT. E-mail: waldir.bertulio@bol.com.br



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