Quarta, 23 de novembro de 2016, 00h00

Racismo e Consciência Negra


Neste 20 de Novembro, o dia da Consciência Negra, data que celebra o herói Zumbi dos Palmares. Atos contra a discriminação percorrem o país. Especialmente neste momento em que se tenta destruir políticas sociais como educação e saúde, ampliando os deserdados nesta terra brasileira.
Vítima central, a população negra. Em Salvador, apesar da chuva intensa foi efetuada a trigésima sétima Marcha da Consciência Negra Zumbi Palmares. Negros e negras protestando contra a discriminação racial, e contra a PEC 55 denominada de a PEC do Fim do Mundo. Salvador é a Cidade mais preta do mundo fora da África, e uma das Cidades que mais mata seus negros.
A Coordenação Nacional das Entidades Negras (CONEN), organizou a marcha denominada ‘Malês: uma outra revolta na década internacional afro-descendente‘. Declaram luta pela igualdade, contra a violência pela reafirmação da negritude e do racismo institucional hoje em curso em tramitação no Congresso Nacional contra a população brasileira, especialmente contra o povo negro. Também, a 16ª Marcha saindo do bairro Curuzu, na Cidade abaixa, até o Pelourinho. Impressionante, ao som de tambores e cantos, apesar do mau tempo, chuva intensa, a maioria com capas e guarda-chuvas. Cantaram e dançaram músicas dos blocos afro-baianos e clássicos da MPB que falam da luta do povo negro pela igualdade racial.
O Fórum de entidades negras saiu da Sede do bloco afro ‘Ilê Aiyê‘ ocupando as ruas do bairro liberdade, apresentações e participação de cantores das bandas Ayê, Muzenza, Cortejo Afro, Os Negões, Malê, Debalê e Okambi. O trio elétrico fez uma parada na Lapinha, onde as representações das entidades negras foram ouvidas. O Presidente do Ilê Aiyê, Antônio Carlos, vulgo ‘Vovô’, que já esteve várias vezes em Cuiabá em ações do Movimento Negro no Estado, clamou por União da Negritude. Convocou o enfrentamento , as ameaças das conquistas do Movimento Negro brasileiro. Manifestantes se posicionaram contra a PEC 55 e a reforma do Ensino Médio.
O genocídio negro no Brasil só cresce nas periferias. Assim, não podemos continuar vítimas dos erros da intolerância e do desrespeito as diferenças. As manifestações começaram desde a tarde do dia 19, no centro histórico. Teve expressiva participação de terreiros da religiosidade afro. Em visita ao terreiro Ylê Apô Afonjá onde nos recebeu Mãe Estela, A sabia Babalá Orixá, que tem no acolhimento e na justiça sua prática espiritual. Seu território sagrado comunga as forças da natureza, dos orixás, com o mundo envolvente. Lá, nos rituais, também uma culinária de símbolos litúrgicos. Expressam uma visão de mundo em confraternização, mediada por sacerdotisa e sacerdotes.
 É uma verdadeira hipocrisia a crítica ao uso do sacrifício de animais na dramaticidade natural do viver e morrer. É rigorosamente diferente da matança para o lucro e o mercado da sociedade industrial. Nas oferendas a dinâmica do ciclo vital na circulação do axé (energia). As críticas ao sacrifício dos animais para alimentação litúrgica são elementares preconceitos. Aqui em MT a religiosidade afro fervia em enclaves isolados, o preconceito e perseguição são ostensivos. Aqui em MT, as terras remanescentes de quilombo continuam sem emissão de posse. Nas ocupações urbanas, em uma política de terrenos populares com infra-estrutura pública.
Todas mazelas da cidade punem a população negra desprovida e cada vez mais ameaçada nos seus direitos de cidadania. A violência campeia ceifando vidas. Desde a morte por doenças até assassinatos. As vítimas são negras em Cuiabá, uma das cidades mais violentas do país junto com Várzea Grande. É preciso lutar para mudar essa situação perversa!

Waldir Bertúlio é professor da UFMT. E-mail: waldir.bertulio@bol.com.br



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