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14.03.2018 | 08h59

Alunas protestam contra assédio de professores em Maringá

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Durante a colação de grau dos estudantes do curso de história da Universidade Estadual de Maringá (UEM), no norte do Paraná, cartazes com frases de protestos erguidos por alunas chamaram a atenção do público presente em uma colação de grau, na sexta-feira (9), para um problema grave, porém, ainda velado em instituições de ensino: o assédio de professores contra alunos.

Diante de professores, diretores e familiares, alunas do curso e de outras disciplinas seguravam faixas com os dizeres: “Lugar de professor abusador é na rua” e “Dar em cima de alunas não é normal, é assédio”. “Nossos pais estavam ali e ficaram chocados. Foi muito importante para nossas famílias ficarem sabendo”, diz Ana*, estudante de história.

Segundo ela, os familiares pediram respeito aos filhos durante a manifestação. “Temos medo de retaliação e vergonha, mas encontramos na colação nossa oportunidade de dar um grito contra o assédio”, afirma. Apesar disso, ainda é grande o número de alunos que prefere não aderir a manifestações como essas.

Denúncias de assédio

As primeiras denúncias surgiram em 2014. “Começamos a perceber comportamentos estranhos em alguns professores”, afirma Ana. “No fim do ano, uma das colegas contou que um professor ofereceu a ela uma oportunidade trabalhar com ele em um projeto e sugeriu que se encontrassem em um motel para conversar.”

Naquele ano, Ana afirma que por serem novos na turma não tinham noção do que se classificava como assédio. “Muitas piadas começavam na sala de aula, como: 'se você vier com shorts mais curto, a prova pode ser mais fácil'”, lembra Juliana*, 23 anos. “Também eram prometidas bolsas de estudos em troca de favores sexuais”, diz ela. Além disso, as alunas afirmam que os supostos professores assediadores estabeleciam contato por meio de conversas em redes sociais.

Segundo outro relato, um dos professores acusados chegou a ir em uma festa organizada por alunos e, após oferecer carona para a estudante, teria a assediado. “No meu caso, minhas colegas ajudaram a perceber que quando íamos apresentar seminário, esse professor se sentava na frente e lançava olhares provocativos sobre mim. Me sentia desconfortável”, lembra Ana.

Com o passar do tempo, os relatos foram encaminhados à Ouvidoria da Universidade Estadual de Maringá. “Demos apoio e incentivamos as meninas a procurarem os caminhos para denunciar. A maioria preferiu o anonimato”, diz Eliane Maio, professora e integrante do Comitê de Direitos Humanos da UEM. Em 2016, foi instalada pela instituição de ensino uma Comissão de Sindicância para investigar as denúncias.

A partir disso, foi aberto um processo administrativo contra dois professores, que tramita em sigilo desde outubro de 2016. Nele, os professores do Departamento de História da universidade são investigados por suspeita de assédio sexual.

A comissão ouviu denunciantes, testemunhas de acusação e defesa. Após essa fase, a previsão inicial para a conclusão da entrega do relatório final de investigação era para outubro do ano passado. “Ficamos sem informações, e o resultado deveria ter saído há cinco meses”, diz Juliana. “Hoje sentamos com as calouras para que elas saibam que professores não podem nos tratar dessa forma, pela imposição do medo”, diz Ana Vitória.

Relatório de 70 páginas

De acordo com a UEM, em 2016, foi montada uma Comissão Processante para apurar as denúncias. Em dezembro, o relatório final chegou às mãos do reitor. São quatro volumes com aproximadamente 70 páginas.

Questionada pelo R7, a instituição afirmou que o processo administrativo envolve honra dos envolvidos e por isso a Procuradoria Jurídica da universidade sugeriu tramitação reservada.

“No caso do processo administrativo que investiga fatos relativos à denúncia de assédio por professores, a PJU recomendou, para resguardar direitos, que o processo mantenha tramitação reservada até o esgotamento da via recursal no âmbito administrativo”, afirmou em nota.

Após a divulgação do parecer pelo reitor Mauro Luciano Baesso, que pode acolher integralmente, parcialmente ou não acolher as denúncias, ainda cabe recurso.

Outro lado

Como a sentença ainda não foi proferida, um dos professores acusados afirmou que não poderia se pronunciar. Mas, segundo o advogado Bruno Gimenes, que faz a defesa do acusado, “o que se chama de assédio é, na verdade, um apelido que se dá aos fatos que narraram”.

Segundo ele, o processo se refere a dois depoimentos: um suposto convite para orientações acadêmicas em um motel e outro convite para sair envolvendo uma aluna e sua mãe. No primeiro caso, Gimenes diz que havia uma conversa online entre aluno e professor, na qual a aluna expressou “certas intimidades e houve um galanteio”.

De acordo com o advogado, para caracterizar assédio, teria que ter uma espécie de extorsão. “Porém, toda a conversa foi consentida.” Na outra acusação, segundo o advogado, o aluno que testemunhou está sendo investigado por falso testemunho. “Ele é um desafeto do professor”, diz Gimenes.

“Essas pessoas que andam fazendo protesto querem pressionar o reitor para obter um posicionamento favorável. Por trás disso, há um conflito político. De um lado, os professores acusados, e de outro, alunas, que estão sendo usadas”, diz ele.

A universidade informou ao R7 que a Procuradoria Jurídica prepara o parecer que deve ser anunciado pelo reitor em até dois dias.

 

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