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05.12.2017 | 09h06

Funcionários do Samu dizem 'perder pacientes' por falta de macas

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Um carro do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) está parado diante do Hospital São Paulo, na zona sul de São Paulo, às 22h30 do dia 21 de setembro. Estacionado desde as 17h, ele não tem previsão para deixar o local — e sua equipe está parada sem poder realizar outro atendimento.

O motivo da pausa forçada é simples: não há uma maca para colocar o paciente trazido pela ambulância.

A cena se repete com muita frequência na saúde pública municipal e estadual na cidade de São Paulo. Como uma bola de neve, a falta de macas afeta a velocidade de atendimento e a qualidade de serviço de urgência médica.

"Frequentemente perdemos pacientes por causa do atraso no atendimento", afirma um dos condutores do Samu ouvidos pela reportagem — nenhum deles quis se identifcar por medo de represálias. Ele diz que as ambulâncias podem ficar até três dias paradas em frente ao hospital pela deficiência. “É um problema muito grave. Muitas vezes você passa o plantão inteiro sem maca, porque sua maca está retida e não há reserva.”

O condutor relata que já teve chamados em que foi preciso levar o paciente em uma prancha — utilizada geralmente em atendimentos com queda de paciente —, porque não tinha maca disponível.

Outro funcionário afirma que praticamente todos os hospitais da zona leste de São Paulo têm alto índice de macas retidas. As unidades do Santa Marcelina em Itaquera e Cidade Tiradentes, por sua grande quantidade de atendimentos, são as mais problemáticas, diz.

Segundo ele, as ambulâncias do Samu costumam fazer entre um e dois atendimentos no período de 12 horas. Se houvesse macas suficientes, afirma, esse número subiria para cinco ou seis chamados.

Ele acrescenta ainda que muitas vezes são mal recebidos pela população pela demora nos atendimentos. “As primeiras coisas que ouvimos das pessoas são críticas ao serviço.”

Os funcionários do Samu contam que as ambulâncias paradas custam entre R$ 450 mil e R$ 500 mil, e as macas, cerca de R$ 2.000.

Leandro de Oliveira, vice-presidente do Sindsep (Sindicato dos trabalhadores da Administração Pública e da Autarquia de São Paulo), também critica a falta de macas. “É preciso ter critério, e eles precisam ser seguidos, porque hoje o procedimento é apenas segurar a maca.”

Oliveira ressalta que não há uma orientação para os funcionários do atendimento de urgência. “A retenção das macas é debatida, mas a impressão que dá é que cada ente federado acaba funcionando como quer”, diz.

Marcelo Itiro Takano, coordenador do Comurge (Coordenadoria do Sistema Municipal de Atenção às Urgências e Emergências), reconhece que a falta de macas é um problema na cidade de São Paulo. “É muito crítico”, diz. Ele afirma que a situação não se restringe apenas à capital paulista. “É um problema nacional. É um desafio que o Brasil inteiro acaba sofrendo e precisamos trabalhar para melhorar.”

Takano acrescenta: “Existe um histórico, não só em são Paulo, de que a maca vira um leito. Isso que queremos evitar”.

Ele acrescenta que “a maca presa é um sintoma de que o sistema não está bom. Nós precisamos descobrir o porquê”.

O coordenador do Comurge afirma que a Secretaria Municipal de Saúde está implantando uma estratégia de acompanhamento das equipes do Samu. “Nós implementamos um sistema de rastreabilidade das equipes via GPS. Isso garante que a maca esteja vinculada com a equipe, e a equipe esteja do lado do paciente até a situação ser resolvida.”

Perguntado sobre o número de macas retidas no município o coordenador do Comurge não soube responder.

A reportagem espera resposta do Ministério da Saúde desde o dia 3 de novembro. Na mesma data, o R7 entrou em contato com a Secretaria Estadual da Saúde que respondeu 12 dias depois perguntando quais hospitais estavam na lista. Depois deste retorno, a pasta não se pronunciou mais.

O Hospital Santa Marcelina foi procurado no dia 15 de novembro e também não se posicionou até o fechamento desta reportagem.

 

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