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26.04.2004 | 03h00

Leonardo vai a júri por caso do avião da TAM

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Depois de transitar sete anos pelas diversas instâncias da Justiça Federal, o atentado à bomba no Fokker 100 da TAM - um caso inédito na literatura judicial brasileira - terá, finalmente, um desfecho nos próximos dias. Réu no processo, o instrutor de mecânica e professor de matemática Leonardo Teodoro de Castro deverá ser levado a julgamento, numa rara convocação do Tribunal do Júri pela Justiça Federal em casos de homicídio. O atentado provocou a morte do engenheiro Fernando Caldeira de Moura - ejetado da aeronave pela explosão da bomba - e, por pouco, não derrubou o avião com seus 54 passageiros e cinco tripulantes. Hoje com 66 anos de idade, Leonardo se transformou em personagem de uma história ainda cheia interrogações, com ingredientes de uma trama cinematográfica fadada a permanecer em suspense.

O julgamento deverá ser marcado assim que a desembargadora Ramza Tartuce, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (SP), concluir seu relatório sobre o último recurso impetrado pelo advogado Tales Castelo Branco. Sob a alegação de que não há provas para acusar seu cliente, ele está tentando anular a sentença de pronúncia que determinou a convocação de um júri popular. Juridicamente, as chances da defesa são mínimas. Leonardo responderá por homicídio qualificado, 58 tentativas de homicídio e atentado contra a segurança de transporte aéreo. Há ainda como agravantes o fato de estarem a bordo várias crianças, de o crime ter sido premeditado e envolver artefatos. Se for condenado em sentença definitiva, Leonardo passará o resto de seus dias na cadeia.

O tragédia do vôo 283 da TAM, que fazia a rota Vitória/Congonhas, começou na manhã de 9 de julho de 1997, em São José dos Campos, onde o avião fez uma escala para o embarque de 25 passageiros, entre eles Leonardo Teodoro de Castro. Cerca de nove minutos depois da decolagem, o avião foi sacudido por uma explosão na parte traseira, na altura da 18ª fileira, próximo à poltrona D, abrindo um rombo de 3,10 m de comprimento por 1,30 m de altura na fuselagem, consumindo parte do assoalho e do teto.

Apesar do pânico que se espalhou entre os passageiros, o piloto Humberto Scarel conseguiu manter o avião na rota e, aguardado por aparato de segurança e prontidão que não chegou a ser usado, pousou normalmente o Fokker 100 na pista de Congonhas. Só então se percebeu a ausência de um dos passageiros. Por incrível que pareça, não foi a explosão da bomba que matou o engenheiro. O laudo de exame necroscópico concluiu que, ejetado do assento de uma altura de 2.400 metros e com a aeronave a 463 quilômetros por hora, Fernando Caldeira de Moura manteve todas as reações vitais até chocar-se com o solo numa chácara no município de Suzano.

A causa mortis descrita no laudo foi choque traumático-hemorrágico, provocado pelo impacto da queda. Passada o assombro do atentado, as investigações se concentrariam no professor Leonardo, dono de um perfil recheado de mistérios, coincidências e contradições.

Os passageiros do avião contaram que Leonardo, caído perto do buraco aberto pela bomba, aparentava estar parcialmente consciente, mas ele afirmou à polícia que desmaiara com a explosão e não se lembrava de nada. Pouco antes de ser ouvido pela polícia, no dia do atentado, demonstrou perfeita lucidez ao ser entrevistado por jornalistas. Já na delegacia, aparentava estar alheio a tudo em redor, como se ainda estivesse aturdido pela explosão. A mesma mudança de comportamento já havia sido notado pelos policiais federais que foram visitá-lo no Pronto Socorro do Hospital Jabaquara, pouco depois do atentado. Leonardo falava normalmente com o médico que o atendeu, mas assumiu uma fisionomia apática ao perceber a presença dos policiais e se recusou a responder a algumas perguntas.

Desempregado havia quase dois anos, contou que fora a São José dos Campos no dia anterior para se candidatar a uma vaga na Embraer, mas pegara o currículo errado e, por isso, com pressa, retornara a São Paulo de avião. Não havia, porém, registro de sua presença na Embraer.

Além disso, numa conversa informal com um dos agentes, Leonardo havia dito, primeiro, que saíra de São Paulo de ônibus na própria manhã de 9 de julho para São José dos Campos. Depois, mudou a versão, afirmando que viajara no dia anterior.

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