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UFMT 17.07.2019 | 14h04

Após corte de energia, comunidade acadêmica realiza manifestação

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João Vieira

João Vieira

Após a suspensão do fornecimento de energia elétrica na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), ocorrida na terça-feira (16), professores, técnicos e estudantes realizaram um ato em frente ao Restaurante Universitário (RU) do câmpus de Cuiabá na manhã desta quarta-feira (17). O objetivo, segundo os manifestantes, foi promover o debate com a comunidade acadêmica e chamar atenção da sociedade para a situação dos cortes e bloqueios orçamentários que a instituição vem sofrendo nos últimos anos.

 

Leia também - Após quitar dívida de R$ 1,8 milhão, os campi da UFMT têm energia restabelecida

 

João Vieira

Fotos Manifestação / UFMT  / Cortes / Luz / RU / Restaurante Universitário

 

O dirigente do Sindicato Nacional dos Professores de Ensino Superior (Andes), Reginaldo Araújo, destacou que a terça-feira foi um dia de muita tristeza para toda a comunidade acadêmica e que a situação preocupa.

 

“A UFMT faz 50 anos em 2020 e em toda sua história nunca passou por uma situação tão lamentável – a falta de energia simboliza o ataque à educação”, afirma se referindo ao bloqueio promovido pelo Ministério da Educação (MEC), no final de abril, de uma parte do orçamento de 63 universidades e dos 38 institutos federais de ensino. 

 

O corte, segundo o governo, foi aplicado sobre gastos não obrigatórios, como água, luz, terceirizados, obras, equipamentos e realização de pesquisas.

 

Araújo destaca que 95% das pesquisas feitas no Brasil são realizadas nas universidades, que vacinas são desenvolvidas e a biotecnologia que é levada para o campo para melhorar a produção agrícola são exemplos do que é produzido pelas instituições. “A UFMT é a universidade do Estado mais bem ranqueada em pesquisa e extensão e os cortes começam a colocar em risco uma instituição que já enfrenta problemas”.

 

Entre as dificuldades citadas estão o câmpus de Várzea Grande ‘um sonho da comunidade que nunca se consolidou’. Os 5 cursos de engenharias que deveriam funcionar na unidade, mas que estão tendo aulas em Cuiabá, e os cursos de medicina de Sinop e Rondonópolis - que não têm os seus quadros de professores formados e não tem estrutura física garantida para os estudantes. 

 

João Vieira

Fotos Manifestação / UFMT  / Cortes / Luz / RU / Restaurante Universitário

 

Heitor Feitosa, 20, estudante do segundo semestre do curso de agronomia participou do ato e afirmou que o momento é de união.

 

“Estamos nos unindo, enquanto classe trabalhadora, enquanto estudantes, para defender a universidade pública, gratuita e de qualidade”.

 

Aluna do curso de serviço social, Juliana Tacanã, 22, avaliou que o corte de energia é apenas uma parte do problema e que a universidade tem se reorganizado para dar conta do funcionamento.

 

João Vieira

Fotos Manifestação / UFMT  / Cortes / Luz / RU / Restaurante Universitário

 

“Quando construímos uma greve no último período foi para protestar sobre o aumento do valor da refeição, mas também para falar sobre a desestruturação do ensino público superior. Sabemos que para um país ser desenvolvido ele tem que ter tecnologia, ensino, pesquisa. Nossa luta não é apenas pelo não corte, mas é também pela restituição de todo orçamento que foi retirado”.

 

Coordenador geral do Sindicato dos Trabalhadores da UMFT, Fábio Ramires, lembrou qu o que está em discussão é o futuro da ciência. "Estamos contruindo o próximo passo, que é a construção de mobilização de massa contra a política do governo".

 

Imprevisibilidade de recursos

Ao final da manhã, a reitora Myrian Serra esteve no local para conversar com os servidores e estudantes. Ela lembrou que, em 2017, 100% do orçamento enviado pelo governo federal foi cumprido e executado. Diferentemente, 2018 foi o primeiro ano da supressão do orçamento e que não foi executado em sua totalidade. "Isso fez acumular nosso déficit, porque deixamos de receber 5% do total dos recurusos".

 

De acordo com ela, a situação se complica ainda mais em 2019 já que o governo sinalizou às universidades que apenas 80% do orçamento será enviado. "Além disso, o que estrangula nossa gestão, não é nem tanto a questão orçamentária, e de como será efetuado esses repasses, de como se dará o pagamento. Na gestão pública, temos o diferencial entre limite de empenho e limite de pagamento".

    

Future-se 

Os manifestantes debateram ainda o programa Future-se lançado oficialmente pelo MEC, também na manhã desta quarta-feira (17), que, segundo o governo, tem como objetivo dar a universidades públicas e institutos federais de ensino maior autonomia financeira. 

João Vieira

Fotos Manifestação / UFMT  / Cortes / Luz / RU / Restaurante Universitário

 

Por meio da iniciativa, cujo tema é ‘inovação e empreendedorismo’, as instituições poderiam, por exemplo, captar recursos para financiar suas atividades. Com isso, espera o governo, evitar que elas dependam exclusivamente do orçamento da União. 

 

“O programa quer colocar organizações sociais dentro da universidade, que poderá contratar professores e obrigar estudantes a pagar mensalidades, que irá dizer à pesquisadores que devem ir em busca de iniciativas privadas para buscar recursos, se quiserem realizar pesquisas”, lamenta Araújo. 

 

Corte de energia

De acordo com informações divulgadas pela Universidade, o corte de energia ocorreu por conta de 6 faturas atrasadas, sendo quatro referentes a 2018 e duas a 2019.

 

A concessionária de energia já havia notificado duas vezes a unidade quanto à possibilidade da interrupção do fornecimento caso não fossem pagas as contas em atraso. Segundo nota divulgada pelo Ministério da Educação (MEC), a dívida era de R$ 1,8 milhão e o repasse para quitar o débito foi feito na tarde de ontem. Durante todo dia a comunidade universitária se mobiliou em reuniões para solucionar o problema. 

 

Após a paralisação das atividades ocasionada pela falta de fornecimento de energia, as aulas e todos os serviços foram retomados nesta quarta-feira.

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Comentários

Marcelo Rodrigo - 18/07/2019

Demorou mas começaram a querer justificar o corte de luz, jogando a culpa nos outros, mal gerenciamento de anos anteruore e atual. Agora já falam em mobilização, o bom é começarem umum melhor gerenciamento do dinheiro publico, e deixem os alunos estdarem para serem um bom profissiona, e não usarem eles como bonecos.

Omar Telo - 17/07/2019

...e escorraçar todos os bolsominions ainda existentes no campus! Afinal eles são os culpados por isso.

2 comentários

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