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sangramento no cérebro 05.08.2019 | 08h57

Ícone da cultura regional, Mestre Bolinha está internado em UTI

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Otmar de Oliveira

Otmar de Oliveira

O saxofonista João Batista de Jesus da Silva, o Mestre Bolinha, de 79 anos, está internado em estado grave, na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Jardim Cuiabá, na Capital mato-grossense, depois de sofrer um sangramento no cérebro na noite de sábado (3).

 

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Ícone da cultura popular, o artista é portador da Síndrome Mielodisplásica, ou mielodisplasia, doença que se caracteriza por insuficiência progressiva da medula óssea, que leva à produção de células defeituosas ou imaturas que aparecem na corrente sanguínea, o que resulta em anemia, cansaço excessivo, tendência a infecções e sangramentos frequente – em qualquer órgão do corpo. 

 

Reprodução

Bolinha e dona Santina

 

A esposa, dona Santina Silva, explicou ao que ele estava muito alegre e animado comemorando o aniversário de uma cunhada. “Ele se divertiu muito. Falou com familiares, conversou por chamada de vídeo com uma sobrinha, que mora em Minas Gerais, e disse que iria ‘amanhecer’ na festa. Mas cerca de 20 minutos depois começou a se sentir mal e reclamou de uma forte dor de cabeça”, contou.

 

Ela informa ainda que uma sobrinha-neta, que é médica, chegou a aferir a pressão, que não estava muito anormal, e esperaram alguns minutos para que ele se recuperasse. “Em seguida, ele pediu para ir ao banheiro, foi quando sofreu um desmaio. Pessoas que estavam na festa tentaram carrega-lo, mas não conseguiram. Foi então que chamamos o SAMU”.

 

O músico foi encaminhado inconsiciente ao hospital, onde foi internado às pressas na UTI. “Estamos aguardando a chegada de um médico especialista, um neurocirurgia, amigo da família, que atua em São Paulo. Ele irá se reunir com a equipe médica de Cuiabá, para analisar o quadro de saúde dele e definir os próximos procedimentos”, ressalta.

 

Segundo a companheira, Bolinha é um guerreiro, muito amado pelos amigos e fãs, e que todos esperam que ele se recupere. “João é uma pessoa maravilhosa. Muito cuidadoso com a família, principalmente, com a única filha, Camila Jéssica. Ele a ama muito”, se emociona. O casal está junto há 35 anos.  

 

A Trajetória 

Otmar de Oliveira

Mestre Bolinha

 

João Batista de Jesus é um ícone da cultura mato-grossense. Filho do lendário Mestre Albertino, músico primeiro sargento do antigo 16 BC, formador de bandas e descobridor de talentos, além de compositor, e de dona Enedina Fernandes da Silva. Bolinha é herdeiro dessa família e hoje, aos 79 anos, pode ser considerado um dos maiores saxofonistas mato-grossenses e também faz parte da história da música regional. 

 

O primeiro contato foi com a percussão, com o pai, mas depois foi estudar na antiga Escola Agrícola de São Vicente, atual Centro Federal de Educação Tecnológica de São Vicente (Cefet), porque o pai não ganhava muito como sargento do Exército. Perto da reforma, o pai Albertino começou a trabalhar na Escola e formou a primeira banda de música. Nessa primeira banda o jovem Bolinha começa aprender a tocar o sax alto – mas não por muito tempo.

 

No dia que ele viu Ivonildo Gomes de Oliveira, o Mestre China, tocando sax tenor foi amor à primeira vista. O ídolo tocava no Bar Brasil, estabelecimento que ficava na Barão de Melgaço e de tanto ‘perseguir’ ele decidiu a ensinar a nova embocadura e seus macetes para executar um sax tenor aveludado. O respeito por Mestre China é tanto que Bolinha faz igual até os dias atuais. 

 

O pai, Mestre Albertino, após se aposentar do quartel, torna-se servidor da Escola Técnica Federal de Mato Grosso, contratado pelo então diretor, Cel. Octahyde Jorge da Silva. Bolinha começa também sua carreira de músico e torna-se sucessor do pai e se torna regente da banda de música. A banda da Escola Técnica chegou a ter uma formação de 65 figuras, jamais vista. 

 

Antes do casamento, nos anos 80, o músico ajudou a escrever a história da discografia cuiabana. Sax tenor da banda “Jacildo e Seus Rapazes”, participou de um dos discos mais cultuados do rock-roll local, o LP “Lenha, Brasa e Bronca”. Além de se aventurar ao viajar para São Paulo, praticamente sem dinheiro, numa velha Kombi, que patina nos atoleiros e funde o motor no meio da viagem.

 

Ao entrar nos estúdios um novo problema. A Ordem dos Músicos do Brasil bota banca e cobra a carteira de músicos cuiabanos que nem calculava que existia tal instituição. A exigência quase pôs fim ao sonho de gravar o primeiro (e único) disco da banda. A saída foi gravar de madrugada, longe dos ‘ouvidos’ dos fiscais da O.M.B. Depois de integrar a “Jacildo e Seus Rapazes”, participou de outra banda de sucesso “Los Bambinos” que animava os bailes do Grêmio Antônio João.  

 

Após 35 anos de serviço, se aposentou como mestre da Banda de Música da Escola Técnica. Ele passou a participar mais ativamente do movimento musical regional, sempre acompanhando os cantores e compositores da terra. Vera & Zuleika foram cantar no “Som Brasil”, de Lima Duarte, na Rede Globo, e levaram Bolinha para acompanhar. Participou da Rua do Rasqueado e do processo de retomada do rasqueado, a partir dos anos 80.  

 

Otmar de Oliveira

Mestre Bolinha

 

O ícone do Rasqueado Cuiabano, junto com Pescuma e Moisés Martins integraram a banda “Ventrecha de Pacu” e gravaram os CD’s Sentimento Cuiabano I e II, aos quais emprestaram o colorido de seus sopros. Encerrado o ciclo de Ventrecha de Pacu, Bolinha volta aos estúdios e grava o “Bolinha e seu Sax Cuiabano”, com músicas de Metre Albertino (Paraíso de Dona Sinhá, Bugrinho na Farra, Lambari na Cuia e Meu Pedaço), Pititi-Patatá (Honório Simaringo), Luiz Fonseca (Sonho de Esmael). 

 

Segue-se o CD “Tributo a Mestre Albertino”, depois “Bolinha Recordando o Passado”, no qual resgata trabalhos como “A Turma de Luiz Marinho”, grava boleros e choros. O último trabalho é uma referência aos 73 anos, com doze faixas, com destaque para “Rasqueado em homenagem ao Mestre Bolinha”. 

 

Em abril deste ano, para celebrar os 271 anos de Mato Grosso e ainda, em alusão aos 300 anos de Cuiabá, sob a batuta do maestro Fabrício Carvalho, a Orquestra Sinfônica da UFMT realizou um concerto histórico em homenagem ao Mestre. “Mato Grosso de Todos os Ritmos” reuniu diversos estilos musicais presentes no Estado, em uma noite que contou com a participação de Bolinha, emocionado e emocionando o público presente.

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