Cuiabá, Quinta-feira 21/02/2019

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armas em Cuiabá 21.01.2019 | 08h07

Custo para adquirir e ter direito à posse de arma supera R$ 4 mil

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Otmar de Oliveira

Otmar de Oliveira

A alteração nas regras para a compra de arma de fogo despertou a curiosidade em diversas pessoas. Nos primeiros dias após a assinatura do decreto pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL), e até mesmo durante as eleições, as empresas que vendem armas e que realizam treinamentos de tiro viram a busca crescer em até 90%. Mas para comprar o equipamento e ter direito à posse, o cidadão irá desembolsar cerca R$ 4,3 mil em Cuiabá, segundo empresas consultadas pela reportagem, somados os custos com o equipamento, os testes necessários (psicológico e prático de tiro) e taxas. Se a pessoa não tiver experiência mínima com a arma de fogo, acrescente-se a isso mais R$ 300 a R$ 850 com um curso básico.  

 

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De acordo com a Delegacia de Controle de Armas e Produtos Químicos da Polícia Federal em Mato Grosso, a única taxa cobrada pela PF para emissão da posse custa R$ 88, e vale para análise do processo de renovação, aquisição ou transferência de arma de fogo. A pessoa que deseja a habilitação precisa realizar o exame de aptidão psicológica, cujo valor médio é de R$ 468,12, segundo a tabela de referência de preços disponibilizada pelo Conselho Federal de Psicologia. Já o teste de aptidão técnica, custa R$ 80, mais o custo com munição, de acordo com a PF. Empresa de treinamento consultada pela reportagem afirma que o preço varia de R$ 130 a R$ 270, dependendo do calibre e do tipo da arma.    

 

O custo com o equipamento varia. A arma mais “barata” encontrada em Cuiabá na loja consultada custa a partir de R$ 3,6 mil (revólver com 5 tiros), mas pode chegar a R$ 8.080 (pistola semiautomática, com 3 carregadores e 18 tiros em cada).   

 

O empresário Valdevino Leão da Silva, proprietário da Pantanal Caça e Pesca, comercializa armas de fogo há 34 anos. Ele avalia que o decreto pouco mudou a legislação, alterando apenas o prazo de validade da posse dos atuais 5 anos para 10. A lei também introduziu o limite de aquisição de até 4 armas de fogo de uso permitido, com possibilidade de volume superior em caso de comprovada necessidade.   

 

“O porte de arma, como as pessoas estão pensando, não existe. A posse de arma, o registro de arma, como toda vida existiu sim. Foi pequena a diferença”. O empresário avalia que a lei não precisa de mudanças, apenas da anistia daqueles que não renovaram por medo de perder a posse após o Estatuto do Desarmamento, em 2003, promessa já feita pelo presidente Jair Bolsonaro.   

 

Segundo ele, falta informação e entendimento do decreto publicado pelo presidente. “Após o decreto, as pessoas iam à loja, porque não tinha bem uma informação definida. O telefone tocava a cada 10 minutos, mas quando a pessoa chegava aqui se informava sobre as exigências”. As vendas continuam na mesma proporção de antes, revela. Por outro lado, ele não descarta que as vendas poderão crescer nos próximos meses. “Creio que vai aumentar um pouco a procura, devido ao prazo de 10 anos para revalidação do registro”.   

 

Marcos Paccola, empresário e instrutor da Força e Honra Treinamentos Especiais, informa que a procura pelo treinamento e por armas de fogo aumentou desde a eleição, em outubro passado. “Tivemos dois grandes ganhos com o decreto. O primeiro é tirar a subjetividade da Polícia Federal sobre a efetiva necessidade da arma, porque os objetivos ficaram bem claros; e colocar a responsabilização de qualquer tipo de acidente sob o proprietário, que assina um documento e se compromete a fazer a guarda segura do armamento”, diz. “Esse estímulo acontece porque antes todo cidadão já tinha direito por lei de ter 6 armas, mas trouxe ao conhecimento de muitos que não sabiam que já tinham esse direito”.   

 

Otmar de Oliveira

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Edson Igarashi, da Defender Tiro de Defesa, diz que procura pelo curso aumentou 

Paccola informa que o setor já vinha em crescimento constante, devido ao aumento da criminalidade e à chegada da violência aos bairros de classe média e alta, que é quem mais compra arma de fogo atualmente. “Hoje um curso básico de tiro custa de R$ 500 a R$ 850 dependendo do nível da qualidade do instrutor e da quantidade de disparos, esse é o custo básico para o curso de 1 dia, em dois períodos. Hoje a pessoa gasta em torno de R$ 1 mil em documentação, entre teste de tiro, psicológico, agendamento e despachante, fora o valor da arma”.   

 

Edson Igarashi, proprietário da Defender Tiro de Defesa, afirma que a procura pelo curso aumentou em 90% na sua empresa após a assinatura do decreto, muito pela desinformação das pessoas, que sempre tiveram o direito à posse. “A lei não determina nem que seja feito o treinamento. É o instrutor credenciado pela PF que vai avaliar se a pessoa tem a capacidade de usar a arma. O teste se divide em duas partes, uma teórica com 20 questões, e outra prática, que avalia condução, utilização e disparos. A pessoa precisa acertar pelo menos 60% em cada”.   

 

Igarashi informa que um curso básico de 3 horas custa R$ 300, onde apresenta os fundamentos do tiro com prática de 50 disparos. Mas ele alerta que para o uso ser eficiente é recomendado que a pessoa treine frequentemente, dependendo do objetivo do aluno. “O indicado é fazer, pelo menos, 1 treinamento por mês, com 50 disparos. É igual à autoescola. Se a pessoa fez as aulas, mas ficar 2 anos sem dirigir, perde a prática e vai ter dificuldades”.   

 

Mesmo com a alta na procura pela arma de fogo nas lojas e pelo treinamento, dados da PF indicam redução nos novos registros. No ano passado, o Sistema Nacional de Armas contabilizou 645 registros em Mato Grosso. Em 2017, foram 813. No entanto, a PF informa que o sistema está em transição para um novo, o que pode gerar erros de estatística. Não há dados por município.   

 

Nas ruas, é difícil encontrar quem afirme que deseja uma arma de fogo. A dona de casa Luciana da Costa, 22, até sabe atirar, mas diz que não desembolsaria o valor. “Não apoio esse negócio de arma e não compraria. A solução é a Polícia. Preferiria investir o dinheiro em outra coisa”, afirma.   

 

A amiga dela, Iracema Ribeiro, 55, também afirma que não. “Fui casada com 2 militares, mas não investiria hoje. Não sei futuramente. Não descarto, até porque tenho uma filha que estuda Direito e pode querer arma em casa”.   

 

O casal Francisco Assis, 32, e Neide da Silva, 33 também diz que não quer. “Não vai gerar nada de bom, só traz coisas ruins ter uma arma em casa. Tem coisa melhor para comprar com R$ 4 mil”.

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