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das flores à horticultura 14.07.2019 | 13h30

Engenheira supera desafios e forma família na Austrália

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Em 2008, a engenheira agrônoma Rita Maria Dantas Pinto Alencar, então, com 29 anos, se identificava, diariamente, com o trabalho que desenvolvia em uma empresa pesquisas e produção de sementes de arroz, em Sorriso (a 420 km ao Norte de Cuiabá). Ela havia chegado ao município anos antes, logo após a formatura na Universidade Federal de Mato Grosso, em 2004, para atuar em uma multinacional de químicos.  

 

Nascida e criada em Cuiabá, Rita estava feliz com o desenvolvimento profissional no interior, mas nutria o desejo de viajar, conhecer outras culturas e ter novas experiências. “Trabalhar com pesquisa foi o melhor atividade que eu desenvolvi na carreira e a vida como agrônoma era intensa, mas a ideia de viajar era forte. Queria aproveitar o fato de eu não estar em nenhum relacionamento, não ter filhos ou nada que me prendesse naquele momento. E era o momento, 30 anos de idade, era tipo agora ou nunca.”.  

 

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Rita Maria Dantas Pinto Alencar

 

Assim, a jovem cheia de sonhos e expectativas tomou a decisão de sair do seu país para estudar em outra parte do mundo. Quando retornasse ao Brasil, tinha certeza, voltaria ao mercado de trabalho, desenvolvendo pesquisas novamente, agora com mais experiências no currículo. 

 

Decisão tomada, ela teve a ajuda de um amigo, Thiago Carvalho, que também é agrônomo havia acabado de chegar de uma temporada nos Estados Unidos. Ele a convenceu que a Austrália seria o melhor destino.

 

“Ele me passou os contatos de uma agência de vistos em São Paulo e, em abril de 2008, dei entrada com a documentação para conseguir um visto de trabalho. Em agosto do mesmo ano, me ligaram. Uma fazenda de flores estava interessada em me contratar por um ano. Aceitei na hora, mas eu não fazia ideia do que viria pela frente”, lembra.  

 

A cidade para qual seria enviada era Perth, no estado de WA (Western Austrália), a oeste do país. “Verdade seja dita, da Austrália eu já havia ouvido falar de Sydney, Adelaide, Melbourne e Brisbane, mas Perth? Nunca mesmo, mas sabia que seria bom”.   

 

A preparação

Rita conta que não se preparou muito para a viagem e que trabalhou até o último dia e nem sequer acreditava que era para valer.  No início de agosto, a agência enviou o pedido de contratação para que o contrato fosse assinado.

 

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“Foi nesse momento que a ficha caiu de verdade. Eu não falava nada de inglês. Então, procurei uma professora em Sinop pra me dar umas aulas de conversação. Assim, trabalhava o dia todo na fazenda e, à noite, fazia duas 2 horas de aula com ela”. 

 

Mas mesmo assim, Rita sabia que aulas de conversação por uns 20 dias, no máximo, não seriam suficientes pra dizer que falava inglês, entender o idioma, então, pior ainda. “Tive que passar por cima deste desafio e eu sabia que chegando em Perth era só dar o meu melhor”.  

 

Enfim, o passaporte chegou, com o visto pronto, no dia do seu aniversário de 30 anos, em 25 de agosto. O embarque foi imediato. “Em uma semana estava de malas prontas para viver um ano trabalhando, em Perth, em uma fazenda de produção de flores”.  

 

Ela usou as reservas para pagar as passagens e a agência que organizou o visto. Algo na época em torno de uns $5 mil dólares. “Não fiquei preocupada, pois eu sabia que eu iria trabalhar e receber meu salário na Austrália, então eu estava tranquila, poderia muito bem guardar dinheiro e ter minhas economias novamente. Além disso, o contratante oferecia moradia”.  

 

Vida nova

No país-continente, Rita tinha remuneração de $ 830 por 44 horas de trabalho, mas recebia quinzenalmente. “Era tipo $1,670 dólares por quinzena. Dava tranquilo pra eu viver numa boa sem me preocupar, livre de pagar moradia. Era suficiente para fazer uma economia, viagens próximas pelo interior do estado para conhecer”.  

 

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Mas vida prepara surpresas. A engenheira se descobriu alérgica ao pólen das flores, com as quais sonhara em trabalhar Quanta ironia. “Alguns amigos portugueses que conheci aqui me apresentaram um produtor australiano de horticultura, Roberto Galati. Meu pai, que também era agrônomo no Brasil, me dizia para largar as flores e trabalhar com alimentos. Então, pedi ao Roberto para me contratar, e eu iria transferir meu contrato de trabalho, que era vinculado ao meu visto de estadia”.  

 

Já havia se passado 5 meses de sua chegada. E assim, após algum tempo atuando na propriedade, Rita e Rob começaram a namorar. “Ele sabia que meu visto iria terminar em setembro e eu precisava retornar ao Brasil, e ele começou a buscar formas de continuar meu visto. Decidi continuar no país como estudante. Então, em setembro de 2009, entrei no visto de estudante por 6 meses. Trabalhava de dia e estudava inglês à noite. Foi muito bom, eu avancei meu inglês e ficou muito melhor”.  

 

O trabalho era fácil. Na nova função trabalhava mais e também recebia melhor também. “Eu aprendi muita coisa de horticultura. Não existe facilidade entre trabalhar e estudar, mas são muitos brasileiros aqui que tem esta rotina e vivem de boa e feliz, na batalha de diária pra conseguir um visto permanente”.  

 

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Faltando 3 meses pra terminar o visto, Rita não conseguia mais morar em Perth. A saudade do Brasil era enorme e a vontade de ver a família e amigos era muito grande. “Comprei minha passagem e voltei pra Cuiabá sem intenção de voltar”.  

 

O destino a surpreende novamente. Rob veio a Cuiabá e disse que queria ter uma família e a convenceu a retornar para Perth com ele. “Desde então, estamos juntos há 11 anos. Tivemos 3 filhas australianas e com cidadania brasileira, Marcela, de 7 anos, Maya, 6, e Nina, 5”.   

 

Os desafios

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Rita e Marcela durante férias em Sydney, em agosto de 2012.

Morar fora do Brasil teve milhões de desafios. “A língua é uma super barreira. É difícil se expressar quando não se domina o inglês. Também adoro comida brasileira, dou meu máximo pra fazer as receitas, mas às vezes é difícil encontrar os ingredientes corretos e é preciso adaptar”, declara Rita, destacando que a saudade também pesa. “Sinto falta das rodas de amigos, de dançar, e tantas outras coisas. Levei 5 anos pra chamar Austrália de minha casa, antes só me referia assim o Brasil”.  

 

Outro desafio citado por ela é a distância entre os dois países. O fuso horário de 12 horas de diferença torna ainda mais difícil a comunicação. Além disso, a viagem tem duração de 36 horas, entre voos, paradas, e 3 trocas de aeronaves. 

 

“Nada dói mais que perder alguém que você ama estando a esta distância. Perdi meu pai e não pude ir ao Brasil. Não chegaria a tempo para o funeral. Tive outras perdas pelo caminho e em todas eu sofri um baque horrível e odiei estar longe e ter que viver minha dor sem poder abraçar quem eu amo”, lamenta.  

 

O futuro  

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Rita, Rob e as filhas, em 2015.

Atualmente, a cuiabana se dedica aos estudos e à família.

 

“Aqui, temos qualidade e é possível ser feliz mesmo com minha metade do coração batendo lá no Brasil. Tive 3 filhas em 2 anos e foi preciso mudar meus planos. O custo de uma babá é altíssimo, então eu parei de trabalhar para cuidar delas em tempo integral. Voltei a estudar com elas, em casa, e terminei em 2018 meu diploma duplo em Business e Business Administration”. 

 

Carreira que pretende exercer a partir de 2020. “Estou apostando na nova carreira, pois acredito que será muito mais fácil conciliar com a tarefa de ser mãe”.  

 

Nos planos para o ano que vem também está uma viagem ao Brasil, com a família toda. “A saudade de tudo é enorme. Não existe um dia que passe sem eu me lembrar da minha terra. Afinal, não são 11 anos que vão apagar meus 30 anos de Brasil. Mas Austrália é minha nova casa, minha vida e meu futuro”.   

 

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Rita e o marido seguem a vida fazendo planos e aproveitando o tempo livre com as filhas. “Fizemos algumas viagens de férias juntos nestes anos todos. Eu e Rob conhecemos a Malásia, Indonésia, África do Sul, Dubai, Qatar, Sydney aqui na Austrália e algumas cidades próximas e, lógico, o Brasil.”  

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