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08.03.2018 | 14h50

Homens de MT se negam a lavar louça, denunciam mulheres no 8M

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No ato em Cuiabá do 8 de Março, o 8M, na manhã desta quinta-feira, para marcar o Dia Internacional da Mulher, manifestantes reclamaram que os homens de Mato Grosso, em geral, salvo raras exceções, ainda não lavam nem louça em casa e se recusam a compartilhar tarefas domésticas, além dos cuidados com os filhos.

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Marcus Vaillant

"Isso é muito simbólico, porque simboliza bem o machismo, em frases como 'esfregar a barriga no fogão e esfriar na pia'. Homens até assumem o fogão, tendo em vista que nos restaurantes da high society a maioria dos chefs de cozinha é homem, mas a pia ainda é espaço imposto à mulher", reclama a presidente do Conselho Estadual da Mulher, Jocilene Barboza.

Ela ressalta que a data é importante para dar visibilidade às reivindicações feministas, mas não adianta os homens darem parabéns no dia 8 e, nos outros dias do ano, manter comportamentos machistas.

"Até que ponto alguns privilégios que eles têm impactam na retirada de direitos das mulheres? Os homens deveriam se perguntar isso", sugere Jocilene. Um dos direitos é o de estar na vida política, onde são decididos os rumos da sociedade.

Glória Munhoz, da Frente de Mulheres Negras, reclama da resistência masculina em assumir a casa com a companheira. "Se pede para lavar louça, parece que vai morrer", ironiza. Segundo ela, se existe amor entre o casal, não tem porque não haver compartilhamento.

Ressalta que o trabalho doméstico é invisível, desvalorizado e historicamente atribuído à mulher e que este é um dos muros impostos contra a emancipação feminina.

Para mudar isso, somente com abertura nos espaços educacioanis, principalmente escolas, família, igrejas e mídia. Esta é a opinião da educadora Guelda Andrade, da Central Única dos Trabalhadores (CUT).

As mães podem ensinar os filhos que lavar louça não é coisa de mulher.

                         

Guelda ressalta que outro assunto importante para a mulher é a discussão de gênero. Ressalta que não se trata apenas de um esteriótipo com laço cor de rosa. "Não temos somente este perfil, somos muitas, inclusive a lésbica e a mulher trans", inclui.

Para ela, essa discussão deveria entrar no currículo escolar, afirmando que isso não quer dizer induzir uma criança a "virar" gay, mas ensinar sobre diversidade e respeito.

Na praça Alencastro, região central de Cuiabá, mulheres organizadas em movimentos panfletaram o manifesto "Por que paramos?" Fotos das mulheres vítimas de feminicídios este ano em MT foram dispostas no chão.

Segundo Glória, 60% das mulheres que morrem no país são negras e, enquanto reduz sensivelmente o indicador de mortes de mulheres brancas, em torno de 10%, o das negras só aumenta.

As mulheres de Cuiabá, neste 8M, marcaram também posição contra a reforma da previdência, que quer equiparar a idade de aposentadoria aos homens, e a reforma trabalhista, que estabelece o negociado entre empregado e patrão sobre o legislado. Neste caso, a mulher volta a estar em posição mais complicada porque, no ambiente de trabalho, ela é mais vulnerável, recebe menores salários e costuma sofrer com a desvalorização.

Diva Mulher, do movimento "Não queremos flores, queremos respeito", critica a invasão do corpo feminino, tanto no estupro, quanto com aproximação indesejada. "O homem chega e acha que já pode ir pegando, beijando, sem permissão", reclama.

Homens

Advogado Ardonil Júnior, da Comissão de Segurança Pública da OAB, defende que para o homem lavar louça e mudar de comportamento de modo geral precisa ser envolvido na causa, porque ninguém faz nada "forçado". Ele se diz parceiro na briga pela igualdade de gêneros.

Servidor aposentado Aroldo de Oliveira, 77, também se diz solidário às causas feministas. Revolta-se com a violência contra elas e acha que mais campanhas públicas, por toda a cidade, ajudariam a reverter este quadro de machismos e agressões.

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Comentários

zilbo fortes - 08/03/2018

Os homens não se negaram em lavar louças quando as mulheres (mães), educarem os filhos com iguais valores, pois não é isso que se verifica, ou é?

1 comentários

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