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JOGO DO BICHO 07.06.2019 | 15h44

Inquérito indicia Arcanjo, Zem, Müller e mais outros 30

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Polícia Civil concluiu nesta sexta-feira (7) o inquérito da Operação Mantus. Em cerca de mil páginas, o documento encaminhado ao Ministério Público Estadual (MPE) pede o indiciamento de 33 membros das duas organizações criminosas investigadas pelos crimes de lavagem de dinheiro da contravenção penal, neste caso, o jogo do bicho. 

 

Em um ano, os grupos criminosos movimentaram mais de R$ 20 milhões em contas bancárias. Uma das organizações é liderada por João Arcanjo Ribeiro e seu genro Giovanni Zem Rodrigues.

 

Leia também - Arcanjo e Müller têm elo estreito com bicheiros de GO e RJ

 

A segunda é chefiada por Frederico Müller Coutinho. Eles estão presos em cumprimento de mandados de prisão preventiva.

Os três e mais 30 pessoas foram indiciadas crimes de organização criminosa, extorsão, extorsão mediante sequestro, lavagem de dinheiro e contravenção penal do jogo do bicho.

 

As investigações foram comandadas pela Delegacia Especializada de Fazenda e Crimes Contra a Administração Pública (Defaz) e pela Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO).

 

Operação Mantus

A operação deflagrada na quinta-feira passada (29) passada prendeu 29 pessoas, de um total de 33 mandados de prisão preventiva e 30 buscas e apreensão domiciliar. Entre os presos está o ex-comendador João Arcanjo Ribeiro, seu genro e Frederico.

 

Segundo o inquérito, Müller é acusado de liderar uma segunda organização criminosa montada para disputar o território do jogo do bicho com os dois primeiros.

 

O delegado titular da Delegacia Fazendária, Anderson Veiga, pontuou a investigação como um dos maiores trabalhos realizados neste ano pela Polícia Civil, considerando o aparelhamento das forças de segurança, principalmente, no que diz respeito a inteligência, qualificação dos profissionais e aquisição de equipamentos. “Foi uma operação complexa que demandou muito tempo de investigação e importante porque culminou no desmantelamento de duas organizações criminosas do jogo do bicho, atuantes em Mato Grosso”, destacou.

 

Interrogatório

João Arcanjo Ribeiro foi interrogado na quinta-feira (6) na GCCO. Sob forte esquema de segurança, ele foi retirado do Raio 5 da Penitenciária Central do Estado (PCE). Por mais de três horas, ele  foi questionado sobre diversos pontos da investigação.

 

Quando preso, na operação, o bicheiro teve apreendido em sua casa R$ 201 mil, dinheiro que alegou estar declarado em seu imposto de renda e ser mantido no imóvel para despesas diárias.

 

Durante seu interrogatório, Arcanjo negou todos os questionamentos que lhe imputariam alguma responsabilidade criminal, como documentos apreendidos que o vinculam ao jogo do bicho. Esses documentos referem-se a uma grande apreensão ocorrida em 12 de julho de 2018, pela GCCO, no bairro Jardim Campos Elíseos, em Cuiabá.

 

Foram 12 máquinas eletrônicas de apostas apreendidas, várias bobinas, tabelas do jogo do bicho, e outros matériais de aposta. Na ocasião duas pessoas foram detidas. 

 

O delegado responsável pelas investigações, Luiz Henrique Damasceno, lembrou também que nessa ocasião foi encontrado na minicentral um documento de arrecadação (Darf) da fazenda São João, de propriedade da João Arcanjo Ribeiro.

 

“Demonstrando desde então vínculo do funcionário Marcelo Honorato com Arcanjo e Giovanni Zem. Também foram descobertos remessas de dinheiro para o Uruguai, cerca de 500 mil nos últimos 5 anos. O problema é um bicheiro mandado dinheiro para fora do país, destinado a pessoas ligadas a Arcanjo”, destacou.

 

 

Na investigação também consta foto de um recibo de R$ 20 mil entregue por um bicheiro a outro, no estacionamento onde João Arcanjo Ribeiro trabalha, o Estacione Parking, na Avenida Rubens de Mendonça (CPA), em Cuiabá. No dia e horário, o monitoramento eletrônico da tornozeleira de João Arcanjo aponta que ele estava no estacionamento,  que é de sua propriedade, além da extração de conversa via aplicativo Whatsapp, autorizadas pela Justiça.

 

Outro ponto considerado na investigação é o fato de João Arcanjo dividir a mesma secretária da empresa Granito, considerado o estabelecimento comercial que  mais “lavou” dinheiro.

 

O estacionamento e a empresa são considerados o “QG” do jogo do bicho e lá foram encontrado planilhas de contabilidade, que podem ser da jogatinha, sendo semelhantes a localizada no quarto de Giovanni Zem durante as buscas realizadas na operação. Esta última é igual a outra  planilha apreendida com o gerente do jogo do bicho na região Norte de Mato Grosso, Mariano Oliveira, que ainda teve diversos produtos do jogo, como máquinas eletrônicas, cadernos dos sonhos, e outros localizados em sua posse.

 

Giovanni Zem Rodrigues quando ouvido permaneceu em silêncio, assim como Frederico. Mas segundo os delegados que atuaram no inquérito policial, Luiz Henrique Damasceno (Defaz), Flávio Henrique Stringueta (titular GCCO), Juliana Chiquito Palhares (GCCO), e Frederico Murta (GCCO), membros do grupo de Muller acabaram confirmando fatos descobertos ao logo de quase 2 anos de investigações, que estão nos relatórios policiais.

 

Investigação

As investigações iniciaram em agosto de 2017, com  denúncia de um colaborador, indicando a existência do domínio do jogo do bicho por parte de  Frederico Muller Coutinho. Mas durante a apuração constatou-se que havia mais de uma organização, e que está se mantinha sob a liderança do ex-comendador e seu genro.

 

“A desarticulação dessas organizações representa a contenção de um acirramento que já estava acontecendo com sequestro e extorsões, relacionado ao jogo do bicho, que  não pára. A parte da lavagem de capitais foi mais complicada, pois necessita identificar de onde vem o recurso e sua destinação”, relatou o delegado Luiz Henrique Damasceno.

 

Apreensões

Ao todo, a operação Mantus apreendeu mais de R$ 300 mil, em espécie, dezenas de máquinas eletrônicas de aposta do jogo do bicho, documentos, jóias, relógios, e 11 veículos, dos quais dois foram devolvidos e nove continham em poder da Justiça. São duas SW4, um Chrysler blindado, Fiat Toro, S10 2019, entre outros automóveis.

Foram ainda seqüestrados a mando da Justiça, o hotel Colibri que fica na cidade de Tangará da Serra, o estacionamento Parking na Avenida do CPA, em Cuiabá, o imóvel da empresa Granito, todos de propriedade de João Arcanjo Ribeiro.

 

 

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