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08.04.2018 | 08h55

Lista comprova que a Capital mato-grossense tem muito a oferecer

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Cláudio Castro

Duzentos e noventa e nove anos de muito calor, seja no clima ou na receptividade. Cuiabá está repleta de lugares e afazeres simples, mas ao mesmo tempo incríveis. Igrejas históricas, o famoso cuiabanês, culinária e cultura que encantam todos que aqui visitam. Os passeios que podem ser feitos na capital mato-grossense têm um misto de história, fé, arquitetura, gastronomia e natureza. Por isso, quando um cuiabano se propôs a criar uma lista com 50 coisas para fazer em Cuiabá e seus arredores e pediu ajuda num grupo de rede social, não foi nada difícil completar a relação. Uma lista capaz de guiar qualquer turista e até mesmo muitos moradores a lugares realmente incríveis e indicar coisas que não podem deixar de ser feitas.

Quem vem a Cuiabá, por exemplo, tem que tomar o guaraná ralado, bebida típica da região. Uma boa sugestão é a Casa do Guaraná Tibiriçá, no Porto, empresa por onde já passaram grandes ícones da cuiabania, como a musicista mato-grossense Maria Benedita Deschamps Rodrigues, mais conhecida como Dunga Rodrigues. Pianista que marcou a história da musicografia do Estado.

Rosângela Bernardes, filha do fundador da Casa do Guaraná, o amazonense Tibiriçá Thompson Ferreira Bernardes, conta que o pai fincou raízes em Cuiabá tornando-se o pioneiro na venda do guaraná. E por causa da loja, cativou a amizade de muitos cuiabanos tradicionais, como a polêmica Maria Taquara.

Marcus Vaillant

Guaraná ralado é uma das tradições cuiabana

Fundada no dia 15 de julho de 1971, a Casa do Guaraná foi o primeiro estabelecimento a dedicar-se exclusivamente ao comércio da bebida. Rosângela lembra que na época não se vendia o guaraná em pó, somente em bastões para ralar, que a tradição tipicamente cuiabana.

Após o falecimento de Tibiriçá, em julho de 2009, os quatro filhos assumiram o empreendimento, que com quase 50 anos ainda mantém sua essência, vendendo apenas produtos puros ou oriundos do Guaraná. “Quem é cuiabano de verdade não vive sem e quem vem conhecer a cidade precisa provar. Guaraná representa a energia do cuiabano e temos orgulho disso”, diz Rosângela.

Cuiabanês

Otmar de Oliveira

Por qualquer lugar que se vá, duas coisas serão encontradas, muito calor e a receptividade do cuiabano

Se tem algo que chama a atenção dos turistas que vêm visitar a capital é o linguajar cuiabano. Mais comum entre os mais velhos, a composição que une a letra D e J, resultando em expressões como “vidje” e a supressão de palavras que compõem uma frase como “agora quequesse”, se destaca entre os demais dialetos. Na lista dos 50 afazeres, os cuiabanos elencaram “conversar com um cuiabano pé rachado, ribeirinho e tentar entender o cuiabanês”.

De acordo com o professor de Comunicação Social da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Aclyse de Matos, o cuiabanês, apesar de ainda vivo, perdeu sua força, e hoje é mais comum em pequenos grupos. Ele explica que é mais comum notar este linguajar em rodas familiares, em que avós e bisavós, naturalmente cuiabanos, ainda são vivos. Outra área em que o cuiabanês ainda é vivo é entre a população ribeirinha e na zona rural. Aqui na capital, professores, historiadores e comunicadores têm tentado manter a língua nativa presente, por meio da literatura, teatro e músicas.

O próprio Aclyse é um dos incentivadores do linguajar. Em seu livro intitulado “Festa”, ele compôs músicas no linguajar cuiabano. Segundo ele, o sotaque permanece presente na oralidade, mas quase não se vê mais na escrita. “Até a década de 70 Cuiabá era no mínimo seis vezes menor. O contato entre os habitantes era constante o que fortalecia a língua”. Mas do referido ano em diante, com a chegada da televisão e dos migrantes, o cuiabanês enfraqueceu, se mantendo apenas nas famílias mais tradicionais.

“Tenho orgulho da nossa língua. Ela é nossa cultura e todos que vêm até a capital não podem deixar de ter o contato com ela”.

Religiosidade

Otmar de Oliveira

Entre as grandes riquezas dos cuiabanos estão as igrejas, que ‘contam’ parte da história destes 299 anos 

Entre as grandes riquezas de Cuiabá, estão as igrejas, e elas não poderiam estar de fora da lista. Afinal, o povo cuiabano é conhecido pela sua religiosidade e as igrejas “contam” parte da história destes 299 anos.

A Catedral Basílica Senhor Bom Jesus de Cuiabá é uma das mais conhecidas da cidade e guarda algumas curiosidades, como explica a mestre em História e autoria do livro “Catedral do Senhor Bom Jesus de Cuiabá - Um olhar sobre sua demolição”, Leila Borges de Lacerda. Fundada em 1722 pelo capitão-mor Jacinto Barbosa Lopes, a igreja se expandiu junto com o crescimento da cidade. Segundo a historiadora, a Catedral passou por muitas modificações desde a sua construção. A mais significativa foi em 1968 quando ela foi demolida. A reconstrução ocorreu em 1973. Para Leila, desde então a igreja perdeu muito com relação a sua representatividade.

Ela explica que a demolição foi justificada na época, pelo então arcebispo Dom Orlando Chaves, apontando que a estrutura estava totalmente comprometida e que uma nova engenharia traria mais modernidade para a cidade, a mantendo como capital de Mato Grosso. Porém, a estudiosa frisa que o discurso não condizia com a realidade, pois havia apenas uma parede que estava adernando para fora.
Outra curiosidade é a cripta instalada no subsolo, servindo de cemitério para autoridades políticas e eclesiásticas locais, como Miguel Sutil de Oliveira, Dom Francisco de Aquino Corrêa, Dom Orlando Chaves.

O espaço é aberto à visitação. Outras igrejas que podem ser visitadas são a São Gonçalo, do Rosário e São Benedito, Nossa Senhora Auxiliadora, Bom Despacho, Boa Morte e a Mesquita Muçulmana de Cuiabá.

Apaixonado por Cuiabá

O cuiabano e economista João Möller, 58, é filho de pai gaúcho e mãe cuiabana, mas atualmente vive no Rio de Janeiro. Foi para matar a saudade da capital mato-grossense que ele entrou em um grupo de rede social, chamado “Cuiabá-MT de Antigamente” e propôs criar a lista com 50 itens de locais e coisas para se fazer em Cuiabá e nas cidades vizinhas.

De ir ao Sesc Arsenal até chupar picolé de bocaiúva, o economista frisa que as opções foram tantas que poderia ter feito uma lista de 100 itens. Afirma que quando visita a cidade natal, as opções gastronômicas são as que mais lhe cativa. “Comer bolo de arroz e queijo na Dona Eulália, ir ao Regionalíssimo comer todas as variedades que oferecem. Além disso, ir à Chapada dos Guimarães, Manso, Nobres, Poconé, e andar pelas ruas do centro de Cuiabá, na parte antiga”, elenca.

Confira a lista com 50 sugestões:

Divulgação

Visitar o Parque Tia Nair está entre as 50 sugestões

1 - Ir ao Sesc Arsenal
2 - Comer bolo de arroz e queijo na Dona Eulália
3 - Comer cabeça de boi na Guia - Comer cabeça de boi na Guia
4 - Fazer compras na Casa do Artesão - Fazer compras na Casa do Artesão
5 - Visitar o Centro Geodésico - Visitar o Centro Geodésico
6 - Visitar a Igreja de São Benedito e assistir missa às 5h da manhã
7 - Ir à noite ao Parque das Águas
8 - Comer peixe na Passagem da Conceição
9 - Assistir a um jogo do Mixto e Operário na Arena Pantanal
10 - Almoçar no Regionalíssimo
11 - Fazer compras no Mercadão do Porto
12 - Ir à noite na Praça da Mandioca
13 - Visitar o Museu da Caixa D’água
14 - Andar pelas ruas do centro antigo
15 - Passear de barco no Lago do Manso
16 - Comer escaldado no Chopão de madrugada
17 - Exercitar-se no Parque Mãe Bonifácia
18 - Visitar o Palácio da Instrução 8 - Visitar o Palácio da Instrução
19 - Participar pelo menos uma vez da Corrida de Reis
20 - Visitar a Igreja do Bom Despacho
21 - Tomar banho nos rios a caminho de Chapada
22 - Dançar rasqueado na Praça Caetano Albuquerque na “Rua do Rasqueado”
23 - Comer Maria Izabel com farofa de banana
24 - Ir ao Mercado do Peixe
25 - Passear pela Orla do Rio Cuiabá
26 - Comer rodízio de peixes na Peixaria Popular
27 - Tomar guaraná ralado 28 - Comer na peixaria do Okada
29 - Ir ao parque Tia Nair30 - Comer um baguncinha com maionese temperada
31 - Visitar a Ponte de Ferro 1 - Visitar a Ponte de Ferro
32 - Comprar uma autêntica rede cuiabana
33 - Visitar a igreja Matriz
34 - Dançar Cururu e Siriri à beira rio 4 - Dançar Cururu e Siriri à beira rio
35 - Assistir uma apresentação do Flor Ribeirinha
36 - Ir ao Al Manzul, um dos melhores restaurantes árabes do Brasil
37 - Comer mujica de pintado, arroz com pequi e farofa de banana
38 - Comer cabeça de pacu para nunca mais sair daqui
39 - Conhecer e comprar artesanato no São Gonçalo Beira Rio
40 - Conhecer o Portão do Inferno
41 - Comer manga rosa ou bourbon tirada do pé, cujo sabor só tem em Cuiabá
42 - Ir ao mirante da Chapada ver o pôr do sol e as luzes de Cuiabá acendendo
43 - Comer pixé
44 - Comer manga com sal
45 - Conversar com um cuiabano pé rachado, ribeirinho e tentar entender o cuiabanês
46 - Visitar o Cine Teatro47 - Passear na Praça Alencastro
48 - Chupar picolé de bocaiúva
49 - Visitar a mesquita de Cuiabá no Morro da
50 - Comer cacau com café, porque senão entope a “guela”  

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