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06.12.2017 | 11h34

Sem abrigos de ônibus, usuários de Cuiabá 'padecem'

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Marcus Vaillant

A vida do usuário de transporte coletivo em Cuiabá não é fácil. Não bastassem os ônibus lotados e o aumento da tarifa com previsão para vigorar em janeiro, os cidadãos ainda sofrem enquanto aguardam o coletivo, quer seja pela precariedade dos abrigos ou pela ausência deles.

A questão principal não se limita ao conforto das pessoas mas, sobretudo, à segurança. Na avenida Fernando Corrêa da Costa, próximo ao trevo do Tijucal, o abrigo está simplesmente escorado por estruturas de ferro.

O remendo foi feito pela tornearia localizada em frente. “Estava caído depois que um carro bateu. Como a prefeitura não veio arrumar, nós mesmos consertamos”, conta Zildomar Rodrigues, dono da oficina. “Faz uns três anos que já está assim”, complementa.

No primeiro ponto do bairro Tijucal, além do desgaste do abrigo, há a depredação causada pelos próprios moradores. Um bloco de concreto está colocado sob o banco e o painel, que em tese deveria informar as linhas com seus respectivos itinerários, está coberto por dezenas de cartazes com as mais variadas ofertas de serviço.

Do outro lado da rua, duas simpáticas irmãs da melhor idade, que acabaram de sair do Centro de Convivência dos Idosos João Guerreiro. Como ali não tem abrigo, esperam pelo ônibus com o sol na cabeça. Rosinha Francisa Leite e Maria Francisca Leite reclamam da situação. “Quando chove ou tá muito calor nós entramos ali naquela casinha. É jeito, né?” contam resignadas.

Curioso é que há uma parada de ônibus com abrigo bem em frente ao centro de convivência, mas foi desativada depois da construação do viaduto, cerca de duzentos metros à frente.

Cotidiano

Todo dia a universitária Nonoguari Comaecureudo, moradora da rua Diamantino, no bairro Lagoa Azul, faz tudo sempre igual. Ela levanta às seis horas da manhã e espera pelo nada pontual ônibus da linha 530. Essa é a única alternativa para quem quiser ir ao centro. A outra é encarar a longa caminhada até a avenida Espigão. O ponto de ônibus resume-se a uma placa coberta pelo mato. “Minha filha de 13 anos estuda no centro e tem que andar tudo isso para não chegar atrasada”.

Nonoguari afirma que já foram feitas inúmeras reclamações à empresa de transporte, que por sua vez alega que o ônibus não trafega pelo local por causa dos buracos. “No itinerário da linha está escrito que ela passa na Lagoa Azul, só que não é real”, protesta.

Marcus Vaillant

Na avenida um do bairro Nova Esperança, quase já no Pedra 90, os moradores esperam, há mais de um ano, pela reforma do abrigo. O ponto fica no acostamento de terra batida onde, quando chove, são formadas imensas poças de água.

A estudante Ariane Ferreira, 21 anos, conta, com certa graça, que já tomou “muito banho de lama enquanto esperava pelo busão”. Segundo ela, havia um abrigo de madeira no local, que de velho acabou desabando e nunca mais foi reconstruído. Se a chuva cai ou se o sol aperta, diz a moça, “a gente atravessa a rua e fica esperando ali na retífica. Daí é só sair correndo quando o ônibus está vindo”. 

Adote um ponto

Segundo dados da Secretaria de Mobilidade Urbana (Semob), há 2.400 pontos de ônibus distribuídos por Cuiabá, 800 deles com abrigos, sendo 400 em situação precária. “Esse é um dos maiores gargalos do transporte público”, pontua Nicolau Budib, diretor de transportes da secretaria.

Conforme o gestor, tanto a construção, quanto a manutenção de abrigos nos pontos de ônibus são “de responsabilidade das três empresas que exploram o transporte público em Cuiabá”. Dessa forma, cabe a cada uma das empresas a construção de 25 abrigos por ano, totalizando 75.

Nicolau ressalta que na gestão passada, os abrigos podiam ser construídos a partir de Parcerias Público Privadas (PPP). “Alguns desses parceiros não estavam preocupados com a função social do abrigo e sim com a exposição de sua marca”. Por conta desse raciocínio, informa o diretor, “a preferência era por abrigos nos corredores de maior movimento e no centro da cidade em detrimento da periferia”.

Como forma de mudar a situação, a atual administração quer utilizar a lei 6154, que instituiu o programa “Adote um Ponto. Sancionada no final de 2016 pelo então prefeito Mauro Mendes, a lei aposta na “colaboração, diretamente, de pessoas físicas ou jurídicas de direito público ou privado, na implantação, melhoria e conservação de pontos de parada de ônibus”.

De acordo com Nicolau Budib, a regulamentação será feita por lotes de até seis abrigos. “A empresa que se responsabilizar por um abrigo na região central terá que se responsabilizar também por outro num bairro mais afastado”. O diretor informa que serão adotados três padrões de abrigos, ajustados à estrutura física do local onde serão implantados.
 

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Comentários

Esperança - 06/12/2017

O que dizer, se os servidores que utilizam ônibus para chegar ao trabalho no centro político ficam na chuva, pois nem ponto tem, e um dos poucos que existiam, em frente ao Palácio teve sua cobertura retirada e os servidores tem que ficar aguardando na guarita e quando o ônibus passa sair correndo atrás.

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