22.03.2007 | 03h00
Intimado para depor como testemunha de defesa do segurança Reinaldo da Costa Magalhães, 38, autuado em flagrante pelo espancamento do estudante e bancário Djalma Ermenegildo Júnior, 21, um outro segurança da boate Z100, Érico Gonçalves de Pina, não compareceu à delegacia porque está sendo procurado por assassinato. Ele também já esteve preso por tráfico de drogas.
Segundo a delegada Ana Paula Faria, que preside o inquérito, o advogado do rapaz esteve ontem no Centro Integrado de Segurança e Cidadania (Cisc) do Verdão e garantiu que apresentará o cliente assim que o mandado de prisão for revogado.
Djalma foi espancado na madrugada de sexta-feira (16) dentro da boate, localizada no bairro Pico do Amor, em Cuiabá, e ficou tetraplégico.
Outra testemunha de defesa do agressor, o segurança Dyego Souza Moreira, 24, compareceu ao depoimento acompanhado do advogado Reginaldo Siqueira Farias. Em novembro passado, ele quebrou o maxilar de outro estudante durante o trabalho e foi responsabilizado criminalmente.
Segundo a delegada Ana Paula, Dyego disse que apenas ajudou a socorrer Djalma no momento da briga. Ele garante não ter visto seguranças agredindo o rapaz e afirma que apenas tirou o estudante da confusão, além de arrumar uma cadeira para Djalma Júnior se sentar, em um corredor de acesso ao camarote da boate. O segurança garantiu ainda, em depoimento, que um amigo de Djalma permaneceu o tempo todo ao lado do rapaz.
Na manhã de hoje, o proprietário da Z100, Jairo Mariovaldo deve comparecer ao Cisc do Verdão para prestar depoimento. Ele também foi intimado. A reportagem tentou localizá-lo para comentar o assunto, mas ele não foi encontrado.
Até o momento, Djalma Júnior não falou oficialmente sobre o que aconteceu, mas será ouvido pela delegada.
Outras pessoas que forem citadas durante os depoimentos também serão intimadas, garante Ana Paula, que tem até sexta-feira (23) para enviar o inquérito ao Fórum Criminal.
Um dos amigos da vítima, D.L.A., 23, conta que foi resgatar o amigo dentro de uma sala da boate e que os seguranças o levaram para um ambiente restrito e trancaram a porta. Quando abriram, ele viu o amigo sentado em uma cadeira. Sem forças, a vítima pediu água, mas não conseguiu beber. Ele precisou de ajuda para carregar Djalma, segundo o depoimento, e teve dificuldades para sair da boate porque alguns seguranças exigiam o cartão de saída.
Saúde - O estudante teve alta da Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) do Hospital São Matheus e desde terça-feira ocupa um quarto.
O pai do rapaz, Djalma Ermenegildo, afirma que o filho tem consciência que está impossibilitado de andar, mesmo sem a família ter contado sobre o quadro clínico. (Colaborou Patrícia Neves)
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