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16.12.2017 | 09h17

Odebrecht faz ofensiva para pagar dívida

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Com dívidas de cerca de R$ 1,2 bilhão a vencer no ano que vem e sem poder contar com a controladora, que enfrenta crise financeira, a construtora Odebrecht anunciou a investidores iniciativas para tentar aumentar o dinheiro em caixa no curto prazo e afastar a necessidade de renegociar o vencimento de débitos com credores internacionais em 2018. Entre as medidas, estão a venda de ativos e de créditos a receber por obras - dinheiro de clientes.

As iniciativas somam-se às negociações com o BNDES para que o banco libere pagamentos de obras realizadas em Angola. No total, a Odebrecht espera levantar quase R$ 1,2 bilhão nos próximos 18 meses.

O esforço decorre da deterioração do caixa da empreiteira. Ao fim de setembro, havia cerca de R$ 2,3 bilhões segundo o câmbio atual (US$ 700 milhões), de acordo com relatório da Odebrecht divulgado a investidores e ao qual o Estado teve avesso.

O valor seria suficiente para fazer frente às dívidas de curto prazo. O problema é que, há dois anos, a empresa só gasta o que tem em caixa, custeando a operação ou financiando sua controladora. De junho a setembro, foram consumidos R$ 900 milhões, mostra o relatório.

A empreiteira segue sofrendo efeitos da grave crise de reputação decorrente da delação de seus executivos, que confessaram ter participado de um esquema bilionário de pagamento de propina no Brasil e no exterior. As receitas no doze meses findos em setembro ficaram em R$ 14 bilhões (US$ 4,3 bilhões), queda de 60% ante período imediatamente anterior. O lucro minguou na mesma proporção.

Incerteza

O dinheiro que entra, portanto, não tem sido suficiente para compensar os gastos. E há ainda acordos a serem fechados com autoridades de outros países. É incerto o quanto eles acrescentarão à dívida, que hoje já é bilionária. Ao fim de setembro, a construtora devia quase R$ 11 bilhões, incluindo títulos emitidos no exterior garantidos pela empreiteira.

As contas preocupam analistas de mercado. Em seu último relatório, publicado em setembro, a agência de risco Fitch descrevia como ‘um desafio‘ para a Odebrecht honrar o pagamento de R$ 500 milhões em títulos que vencem já em abril.

A cúpula da empresa compartilha da apreensão, segundo uma fonte próxima à companhia. Para evitar a necessidade de renegociação, a empreiteira precisa fechar muitos contratos em pouco tempo, afirma.

Por essa razão, a Odebrecht vem se lançando de forma agressiva em licitações. De outubro para cá conseguiu obras de R$ 5,6 bilhões (US$ 1,7 bilhão) em Angola. Fechou ainda um contrato privado de R$ 600 milhões (US$ 180 milhões) no Brasil, o primeiro conquistado no País desde a prisão de Marcelo Odebrecht, em junho de 2015.

Aos investidores, a Odebrecht afirmou que aguarda o resultado de 12 licitações no Brasil, em Moçambique e na República Dominicana, cujos contratos somam R$ 3 bilhões.
A empresa faz prognóstico otimista para a carteira de obras em 2018. Em seus cálculos, serão adicionados mais de R$ 10 bilhões em projetos. Há alvos no Brasil e no exterior. A maior parte no setor privado. 

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