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Deu em A Gazeta 10.09.2019 | 07h55

Queimadas já atingem lavouras de grãos em Mato Grosso

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Prejuízos em propriedades rurais de Mato Grosso aumentam com sucessivos focos de incêndio. Neste fim de semana, fazendas produtoras de algodão, milho e soja foram atingidas com a propagação do fogo. Há relatos de ocorrências nos municípios de Primavera do Leste, Tapurah e Itanhangá. Em Primavera do Leste (a 231 km ao sul de Cuiabá) aproximadamente 350 hectares de 4 propriedades foram alcançados pelas chamas.

 

Presidente do Sindicato Rural de Primavera do Leste, José Nardes, explica que o fogo que se alastrou no campo traz consequências a longo prazo. Destrói a matéria orgânica depositada no solo durante anos. Com isso, os produtores rurais terão que intensificar a adubação em até 20 vezes acima da média normal nas áreas afetadas. “Este ano o clima está diferente, mais seco. Aqui na região não chove desde julho e nessa época já deveria ter chovido”, observa.

 

A realidade é a mesma por quase todo o Estado. No médio-norte também houve ocorrências de incêndios no campo no último fim de semana. Presidente do Sindicato Rural de Tapurah, Carlos Belló soube que o fogo atingiu fazenda do Grupo Boa Esperança, no município, onde um trator e uma colheitadeira foram destruídos na área de plantio. “Está muito seco. A previsão de chuva mais tardia aumenta o risco até com um cigarro jogado na estrada”, pondera.

 

Entre os produtores rurais de Mato Grosso que contabilizam prejuízos com os incêndios este ano está Fernando Fabris. Proprietário da fazenda Manto Azul, em Primavera do Leste, ele relembra que o incêndio iniciou abaixo da rede elétrica e se alastrou rapidamente. Um pássaro teria se chocado com a rede e produzido as faíscas que atingiram a palhada de milho no solo. “O fogo se alastrou muito rápido com o vento. Engoliu um trator nosso, que queimou todo”. O produtor estima perda de R$ 150 mil.

 

Da fazenda Manto Azul as chamas avançaram para outra propriedade, onde havia algodão recém-colhido. O administrador da fazenda pertencente ao Grupo Nativas, Fábio Romeu Froelich calcula prejuízo de R$ 1,5 milhão com a queima de 250 rolos de algodão que estavam no campo. “O fogo atravessou a rodovia, empurrado pelo vento”, afirma. “Por aqui nunca havia acontecido uma queimada deste jeito”, conclui.

 

No mês passado, propriedades cultivadas com milho em Campo Novo do Parecis, Campo Verde e Sorriso também registraram queimadas na reta final da colheita do cereal. O fogo devastou centenas de hectares deixando muita cinza e a necessidade de mais investimento na recuperação do solo para a próxima safra.

 

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