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27.05.2015 | 11h14

José Maria Marin já foi governador de São Paulo, defensor da ditadura e aliado de Paulo Maluf

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A prisão de José Maria Marin com um grupo de outros seis executivos da Fifa na madrugada desta quarta-feira (27) é apenas mais uma polêmica para o extenso currículo do cartola. Ao longo da carreira, Marin, de 83 anos, já foi ativo defensor do regime militar, foi governador de São Paulo e presidente da CBF (Confederação Brasileira de Futebol).

Nascido em Santo Amaro, zona Sul de São Paulo, o dirigente teve uma tímida carreira como jogador de futebol. Enquanto tentava a sorte nos gramados, se dedicou aos estudos de direito na tradicional faculdade do Largo de São Francisco, da USP (Universidade de São Paulo).

Sua trajetória política está intimamente ligada ao regime militar que imperou entre as décadas de 60 e 80 no Brasil. Em janeiro de 1964, aos 31 anos, Marin iniciava seu primeiro mandato de vereador, meses antes do golpe. Em 1966, se filiou ao Arena (Aliança Renovadora Nacional), partido pró-militares. Sua ascensão na carreira foi sempre apoiada por integrantes do alto escalão do governo.

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Mais tarde, Marin rompeu com seus aliados — mas se manteve fiel aos militares. O objetivo era se juntar a Paulo Maluf, então prefeito de São Paulo e candidato ao governo estadual. A traição foi relatada em um documento do SNI (Sistema Nacional de Informação), criado pelos ditadores para ser o serviço de inteligência brasileiro.

Da aliança, Marin virou vice-governador de São Paulo, cargo que ocupou entre 1979 e 1982. Com a renúncia de Maluf, em 14 de maio de 1982, o cartola assumiu a liderança do estado.

Morte de Herzog

Enquanto esteve na política, Marin fez inúmeros discursos defendendo ou elogiando a atuação dos militares e repressores do regime. Em 1975, dois pronunciamentos do cartola questionando a TV Cultura, dizendo que ela não retratava o governo corretamente, são apontados como o estopim da morte de Vladimir Herzog — o jornalista da Cultura era comunista, foi preso, torturado e assassinado na sede do DOI-Codi, órgão ligado ao Exército brasileiro.

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A vida de cartola começou na Federação Paulista de Futebol, que presidiu entre 1982 e 1988. Na CBF, foi vice-presidente e sucessor de Ricardo Teixeira, e comandou o COL (Comitê Organizador Local) da Copa do Mundo de 2014.

Como comandante do futebol brasileiro, posição que ocupou entre 2012 e 2014, Marin enfrentou pressões políticas e de movimentos de torcedores pedindo sua renúncia. As reações foram após o nome do cartola ser citado pela Comissão Nacional da Verdade, que investigou crimes cometidos na ditadura. Segundo o grupo, além do caso de Herzog, o político também teria ligações com a tortura do então deputado Carlos Araújo, ex-marido de Dilma Rousseff e militante de esquerda durante o regime militar.

Medalha no bolso

Outra polêmica futebolística de Marin foi em 2012, na final da Copa São Paulo, no Pacaembu. O cartola foi flagrado por câmeras da TV Bandeirantes colocando uma medalha no bolso durante a cerimônia de premiação do Corinthians, vencedor da competição daquele ano. Nas imagens, Marin enrola a fita nos dedos, embolsa a premiação e pega uma nova medalha para entregar aos jogadores.

À época, William, capitão da equipe corintiana, promoveu uma campanha contra Marin nas redes sociais e disse que o goleiro do time terminou a premiação sem receber medalha. A Federação Paulista de Futebol defendeu o cartola e disse ter errado a contagem das honrarias para a festa.

Vaidade

Em 2014, ainda sob o comando do ex-governador, a CBF inaugurou sua nova sede no Rio de Janeiro. O prédio, de arquitetura moderna e vidros espelhados, foi batizado de José Maria Marin, ou seja, com o nome do próprio dirigente.  

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