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CAIXA 2 de campanha - veja vídeo 22.10.2018 | 13h15

Delator afirma que empresários pagaram R$ 7 milhões de dívidas de Taques - veja vídeo

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Divulgação

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Em um dos vários anexos de sua delação premiada firmada junto à Procuradoria-Geral da República, o empresário Alan Malouf, réu condenado em ação penal da operação Rêmora, apresenta uma série de planilhas de fluxo de caixa 2 da campanha eleitoral de 2014 do governador Pedro Taques (PSDB), onde constam pagamentos realizados “por fora” a fornecedores, usando dinheiro arrecadado entre um grupo de empresários.

 

Conforme o delator, todas as planilhas foram elaboradas pelo ex-secretário de Estado de Gestão, Júlio Modesto, que atuou como coordenador financeiro da campanha de 2014 e lhe entregou um pen drive com uma cópia das planilhas, já que Alan Malouf foi um dos pagadores de dívidas de Pedro Taques.

Segundo o empresário, em dezembro de 2014, o grupo formado por ele e os empresários Marcelo Maluf (sócio da construtora São Benedito), Erivelton Gasques (dono da antiga City Lar), Fernando Minosso (dono do Posto Zero) e Júlio Modesto se reuniram no apartamento de Pedro Taques, onde Modesto apresentou os restos a pagar.

 

“O Júlio, de uma maneira bem clara, expôs o valor a pagar, aproximadamente R$ 7 milhões. O Pedro, obviamente ficou assustado com o valor e usou a expressão para o grupo: ‘Ganhamos, mas não levamos’. A gente ficou solidário, como sempre, com a ideia da candidatura e do próprio governador já eleito”, conta Alan Malouf.

Ele relata que na mesma ocasião, o grupo de empresários pediu licença para se reunir separado do governador e discutir uma forma de ajudá-lo. “Nos reunimos numa sala ao lado. A ideia era, ao invés de pegar esse valor na praça e ficar devendo pra empreiteiro, pra B ou pra C, nós resolvemos matar esse valor dentro desse grupo de pessoas e, prontamente, voltamos para o Pedro e falamos: Pedro, a solução é essa. Você concorda? Ele falou: Se vocês puderem fazer isso por mim, não tenho como agradecer”.

 

O empresário, que é dono do Buffet Leila Malouf, lembra que ele e seus amigos concordaram em ajudar a pagar os restos de campanha de Pedro Taques como um empréstimo com pelo menos 1,5% de retorno financeiro “para não ficar de graça”, já que todos eles retirariam tais recursos de suas contas pessoais. “Assim foi feito, com o devido aval do Pedro”, garante ele na delação.

Como funcionava

 

Alan Malouf ainda relatou como se procederam os pagamentos após feito o acordo com o então recém-eleito governador Pedro Taques. Segundo ele, Júlio Modesto, que era quem fazia as negociações e pagamentos aos credores da campanha, lhes apresentava a lista de quem deveria ser pago, e o grupo de empresários, por sua vez, listava outro grupo de empresários junto aos quais buscariam captar recursos.

“A gente se reunia na minha casa durante toda essa temporada, o Júlio nos apresentava a conta e esses empresários, a gente sempre listava as empresas no qual a gente iria buscar uma eventual ajuda e o Pedro fala: Estou de acordo ou não estou de acordo”.

 

“Essa questão de arrecadação, a gente discutia quase que diariamente junto com o Pedro”, afirma Alan, complementando que em alguns casos, Taques vedava pedir ajuda de algumas empresas, que estariam “contaminadas” e com os quais não queria envolvimento. “A gente nunca batia na porta de nenhum empresário sem o aval do governador”.

Ainda de acordo com Alan Malouf, mesmo havendo acordo de receberem ajuda de outros empresários, muitas vezes o grupo  pegava dinheiro “do próprio bolso” para depois receberem dos demais. Afirma que somente das planilhas do caixa 2, ele pagou cerca de R$ 2,5 milhões, destacando que houve ainda outros tipos de pagamentos, citados em outros anexos, que, se somados ao caixa 2, chegam a R$ 4 milhões que ele próprio desembolsou para quitar os restos a pagar de Taques. “O dinheiro a gente sabia que ia entrar. O propenso colaborador ia pagar. Mas pra ter as contas em dia, a gente tirava o dinheiro do bolso e fazia os pagamentos”.

Citados nas planilhas

 

Conforme o delator, as planilhas de fluxo de caixa são compostas por colunas com dados como data, fonte dos recursos, descrição, valor de entrada e de pagamento. 

 

Em um vídeo da delação, obtido pelo , Alan Malouf cita alguns dos fornecedores/credores da campanha de Taques que foram pagos “por fora”, ou seja, com dinheiro de caixa 2. Assista logo abaixo

                               

 

Dentre eles aparecem um primo do governador de nome “Flávio”, a então esposa de Taques, Samira Martins, o radialista Júnior Cuiabano, o ex-chefe da Casa Civil e primo de Pedro Taques, Paulo Taques, que teria prestado serviços de advocacia, aluguel do prédio onde funcionava o comitê de campanha, cabos eleitorais, seguranças particulares do então candidato ao governo, os institutos de pesquisa de intenção de votos KGM e Vetor, a agência de publicidade FCS, o marqueteiro da campanha Antero Paes de Barros, os sites de notícias Folhamax, RD News, Olhar Direto e Mídia News, que teriam recebido, no total, R$ 250 mil, que supostamente eram pagos pelo dono do jornal Diário de Cuiabá e amigo pessoal de Pedro Taques, Gustavo Oliveira.

De acordo com Alan Malouf, parte dos fornecedores, apesar de aparecem nas planilhas de caixa 2, também constam na prestação de contas oficial, entregue pela chapa à Justiça eleitoral, porém, com valores inferiores. Ou seja, parte dos credores da campanha de Taques teriam sido pagos com recursos oficiais e não oficiais.

 

Ainda de acordo com o delator, as planilhas que ele obteve por meio de Júlio Modesto vão até o dia 29 de outubro de 2014, porém, afirma que houve pagamentos posteriores a essa data e que as planilhas atualizadas devem estar com Júlio Modesto, que também foi quem guardou os recibos dos fornecedores.

Malouf relata que nunca ficou com nenhum recibo, ele e os demais empresários apenas viam os recibos e entregavam o dinheiro a Modesto. “A gente conferia os negócios juntos”.

 

Antero nega recebimento por fora

 

Em entrevista ao jornal A Gazeta na última sexta-feira (20), Antero explicou que não recebeu nenhum valor “por fora” e que os débitos de seus serviços foram recebidos apenas na campanha deste ano. Ele explicou que ao tentar cobrar Taques, o governador afirmou que a dívida não era dele e sim do PDT, partido pelo qual foi eleito em 2014.

 

Nas eleições deste ano, ao fechar contrato com a coligação de Pra Mudar Mato Grosso, que tinha o partido como integrante, o marqueteiro fechou um acordo de que só prestaria o serviço se fosse pago o valor que era devido da campanha anterior pela legenda.

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