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NÚCLEO CRIMINAL 11.02.2019 | 17h34

MPE investiga fato envolvendo Blairo Maggi com base em delação da Odebrecht

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João Vieira

João Vieira

O Ministério Público de Mato Grosso investiga um suposto esquema de desvio e cobrança de propina no valor de R$ 12 milhões envolvendo o governo Blairo Maggi em 2006. O fato consta na delação dos executivos da Odebrecht e que envolve o ex-ministro da Agricultura e ex-governador, Blairo Maggi (PP), que teria se beneficiado do esquema para financiar a sua campanha.

 

A reveleção foi feita após o pedido do último dia 7 de fevereiro, assinado pelo promotor de justiça Célio Joubert Furio, que solicita ao Núcleo de Ações de Competência Originária Criminal (Naco Criminal), o compartilhamento da delação premiada do executivo da Odebrecht, Pedro Augusto Carneiro Leão Neto, em um inquérito contra o ex-secretário Éder Moraes.

 

Leia também - Polícia Federal envia relatórios sobre conselheiros


O executivo da Odebrecht afirma em sua delação que teria pago cerca de R$ 12 milhões para o então candidato ao governo do Estado, Blairo Maggi, em 2006. O valor teria financiado a campanha eleitoral na qual o ex-governador Silval Barbosa (sem partido) era vice de Maggi.

 

“São relatados pagamentos na ordem de R$ 12 milhões a Blairo Maggi e R$ 400 mil a José Orcírio Miranda dos Santos, o Zeca do PT, ex-governador de Mato Grosso, repasses implementados por meio do Setor de Operações Estruturadas do Grupo Odebrecht, sendo os beneficiários identificados no sistema “Drousys” como “Caldo” ( Blairo Maggi) e “Pescador” (deputado federal Zeca do PT”)”, diz trecho do inquérito do Supremo Tribunal Federal (STF).

 

O delator também confirma que houve um compromisso com os dois governadores para que parte dos créditos recebidos pela empresa fosse devolvido aos governadores. "Havia compromisso, feito diretamente comigo. No Estado do Mato Grosso do Sul, pelo governador e membros da Comissão, e pelo Estado de MT pelo governador Blairo Maggi. Não tinha nada amarrado em valores, mas foi imposta uma condição de pagamento a eles, vinculados aos repasses da União”, diz Pedro Augusto Carneiro Leão Neto em sua delação.

Após o início dos repasses da União, Pedro Leão diz ter sido procurado por Éder Moraes entre abril e maio de 2006, para pedir o pagamento de R$ 12 milhões, que equivaleria 35% do crédito que a construtora tinha com o Estado. O pedido teve o pretexto de contribuição para a campanha da reeleição do governador.

 

“Éder deixou claro que tal pedido era de conhecimento do governador Blairo Maggi e de Luiz Antônio Pagot, fazendo inclusive referência expressa à reunião que teve anteriormente com os três (Éder, Pagot e o governador)”, diz outro trecho do documento.

Eder Moraes e Luiz Antônio Pagot também foram citados nas delações.

 

O ex-ministro Blairo Maggi nega as acusações e diz que nunca recebeu doação da Odebrecht durante as campanhas eleitorais e nunca teve relação com a empresa e seus diretores.

 

 Inquérito Eder

 

No mesmo pedido ao Naco Criminal, o promotor determinou abertura de Inquérito Civil envolvendo os ex-secretários de Estado de Fazenda (sefaz), Eder Moraes e Edmilson José dos Santos, por um suposta ato de improbidade administrativa no pagamento de R$ 1.3 milhões à empresa Engevix Engenharia e Construções Ltda em 2010,  referentes a obras contratadas pelo antigo e extinto DVOP (Departamento Viação e Obras Públicas).

 

Os procuradores do Estado, João Virgílio do Nascimento Sobrinho e Dorgival Veras de Carvalho, também são alvos do inquérito por terem emitido o parecer autorizando o suposto pagamento indevido.

 

 

 

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Comentários

Nildeson Cândido da silva - 13/02/2019

Demorou isso é vergonhoso

1 comentários

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