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grampos e tensão 11.07.2019 | 08h35

OAB questiona MPE por rejeitar delações de PMs em escutas

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O Núcleo de Ações de Competência Originária (Naco), do Ministério Público Estadual (MPE), recusou as delações do ex-comandante da Polícia Militar de Mato Grosso, Zaqueu Barbosa, do coronel Evandro Lesco e do cabo Gerson Corrêa, investigados no esquema conhecido como "Grampolândia Pantaneira". A informação é do presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), seccional Mato Grosso, Leonardo Campos, em entrevista na rádio Capital FM nesta quinta-feira (11). 

 

"Quero saber do doutor Domingos Sávio por que os investigados dos grampos tentaram delação e ele não aceitou. Por que? Quais os critérios?", questionou Campos.

 

O coordenador do Naco, promotor de Justiça Domingos Sávio, que também foi entrevistado pela Capital FM, afirmou que não pode falar sobre o tema por conta do sigilo. Porém, afirmou que os militares são os protagonistas das interceptações telefônicas clandestinas, e que, por isso, estariam tentando uma delação para fugir da eminente condenação.

 

"Eles já estão prestes a serem sentenciados. E o que o eles tem falado, não existe nada de novo. Estes fatos já foram citados", disse Domingos Sávio.

 

Leia também - Perri dá 30 dias para concluir investigações sobre grampos

 

Delações

 

Conforme o apurou, as delações de Zaqueu, Lesco e Gerson foram rejeitadas na última segunda-feira (8). Os depoimentos foram realizados no Naco, por conta de citação de pessoas com foro privilegiado. Além do ex-governador Pedro Taques (PSDB), do ex-secretário da Casa Civil, Paulo Taques, pelo menos 5 promotores de Justiça foram citados pelos militares.

 

Os grampos

Reportagem do programa “Fantástico”, da Rede Globo, revelou na noite de 14 de maio de 2017 que a Polícia Militar em Mato Grosso “grampeou” de maneira irregular uma lista de pessoas que não eram investigadas por crime.

 

A matéria destacou como vítimas a deputada estadual Janaína Riva (MDB), o advogado José do Patrocínio e o jornalista José Marcondes, conhecido como Muvuca. Eles são apenas alguns dos “monitorados”.

 

O esquema de “arapongagem” já havia vazado na imprensa local após o início da apuração de Fantástico.

 

Os grampos foram conseguidos na modalidade “barriga de aluguel”, quando investigadores solicitam à Justiça acesso aos telefonemas de determinadas pessoas envolvidas em crimes e no meio dos nomes inserem contatos de não investigados.

 

No processo da Justiça Militar, são réus os coronéis Zaqueu Barbosa, Evandro Alexandre Ferraz Lesco, Ronelson Jorge de Barros, o tenente-coronel Januário Antônio Batista e o cabo Gerson Luiz Ferreira Corrêa Júnior.

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