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propina na Seduc 19.08.2019 | 16h37

'Recebi R$ 260 mil de R$ 3 milhões investidos na campanha'

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Chico Ferreira

Chico Ferreira

O empresário e delator do esquema de desvios na Secretaria de Estado de Educação (Seduc), Alan Malouf, afirma que recebia 25% da propina arrecadada no esquema, mas não tinha controle do montante total. “Só queria receber o que investi”, afirmou à juíza Ana Cristina Mendes, da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, na manhã desta segunda-feira (19). O esquema foi descoberto na Operação Rêmora em 2016. 

 

Ao promotor de Justiça Jaime Romaqueli, o empresário afirmou que não foi pressionado a delatar que estava ali para “falar a verdade”. Declarou que dos "R$ 10 milhões investidos na campanha, recebeu somente R$ 260 mil, sendo R$ 3 milhões dele e o restante de mais 3 empresários".  O empresário reiterou à magistrada as informações que constam na sua delação premiada. 

 

Apesar de citar o acerto de R$ 25%, o delator diz não ter o controle dos recebimentos feitos pelo também empresário e delator Giovani Guizardi. Pelas declarações de Malouf, foram investidos R$ 10 milhões em caixa 2 na campanha do governador Pedro Taques, em 2015. O ex-governador sempre negou ter recebido qualquer valor irregular e reafirma que seus gastos de campanha foram aprovados pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE).

 

 

 

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O réu detalhou como a engrenagem dos desvios funcionavam, mas disse que não tinha envolvimento direto no esquema. Relatou que apresentou o empreiteiro Giovani Guizardi ao então secretário Permínio Pinto e que ambos se entenderam para que o empresário participasse do esquema. A parte de Malouf era repassado por Guizardi.

 

“Eu só recebia minha parte e não tinha controle do montante que entrava. Era Guizardi quem fazia isso. Eu sabia que o dinheiro vinha das empreiteiras, mas não de qual”, afirmou em audiência. Malouf nunca teve comprovação do valor arrecadado, "confiava" no que Guizardi lhe passava.

 

Malouf afirma que recebia os valores porque emprestou R$ 3 milhões do total de R$ 10 milhões investidos para a campanha do ex-governador Pedro Taques (PSDB) e que Guizardi recebia porque cuidada da parte “operacional” do esquema de desvios. Os outros R$ 7 milhões eram de outros 3 empresários e ele não sabe se foi pago.

 

Segundo ele, nunca tratou de complemento de salários com nenhum dos envolvidos, exceto os ex-secretários Julio Modesto e Paulo Brustolim, que recebiam “por fora” propina, além do salário. O “agrado” seria condição dos ex-secretários para integrarem o governo Taques.

 

Além deles, o agora conselheiro do Tribunal de Contas (TCE), Guilherme Maluf, também acusado de receber 25% da propina, por conta da indicação de Moises Reis, servidor da Seduc e membro da organização criminosa. Ambos eram ligados ao ex-governador Pedro Taques.

 

Permínio era indicado do deputado Nilson Leitão e ambos recebiam valores ilícitos.

 

Durante a oitiva, a juíza ressaltou que Malouf sabia de muita coisa dos esquemas: “vejo que o senhor é um HD cheio de informações valiosas. Está bem cheio”.

 

“É a primeira vez que participo disso (desvio). A senhora pode ter certeza que é a última”, disse o empresário à juíza que, por sua vez, emendou “se o senhor não aprender com isso...”.

 

 

Operação Rêmora


A Operação Rêmora investiga um esquema de fraudes em obras de reforma e construção de escolas que inicialmente estavam orçadas em R$ 56 milhões. Diversas empresas compunham, segundo o Ministério Público, um cartel capaz de gerar favorecimentos e desvio de dinheiro público.

 

Os desvios ocorriam por meio de fraude em licitação de obras em escolas, com direcionamento para as empreiteiras que pagavam propina ao esquema. O dinheiro angariado voltava para os bolsos dos agentes públicos envolvidos na negociata.

 

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